Capítulo 26 — O Pesadelo Lobo narrando A madrugada sempre foi o horário que eu mais gostava. Era quando a Rocinha finalmente diminuía o ritmo. Os bares fechavam. A música ficava distante. As vielas voltavam a respirar. Era nesse silêncio que eu conseguia organizar a cabeça. Estava sentado na varanda da cobertura, terminando de conferir algumas anotações, quando ouvi Vinicius fechar a porta atrás de si. — Até amanhã, chefe. — Vai. Ele desceu. Olhei o relógio. Quase duas da manhã. Apaguei o cigarro no cinzeiro. Antes de entrar, percorri a comunidade com os olhos. Tudo tranquilo. Do jeito que eu gostava. Fechei a porta da varanda. Apaguei as luzes da sala. Estava indo para o meu quarto quando ouvi um barulho. Primeiro, achei que fosse a televisão. Depois percebi que não.

