Parei por um instante. Minha garganta fechou. Dona Célia segurou minha mão. Continuei. “Eu sei que você vai crescer e que um dia poderá sentir raiva das coisas que não entender. Talvez procure culpados. Talvez queira vingança. Mas, meu filho, não permita que a dor escolha quem você será.” Meus olhos ficaram marejados. Aquilo era Helena falando diretamente com Lucas. Não para a criança da fotografia. Para o homem que ele ainda se tornaria. Continuei lendo. “Proteja seu coração. Ele será sua maior força e, ao mesmo tempo, aquilo que seus inimigos tentarão destruir.” Respirei fundo. Aquelas palavras me lembraram de tudo que Lucas havia se tornado. Um homem duro. Temido. Respeitado. Mas que ainda conseguia olhar para uma criança da comunidade e se preocupar com o futuro dela.

