Capítulo 69 — Entre a Vida e a Morte Luísa narrando O cheiro de pólvora já havia chegado até a igreja. Misturado ao cheiro de sangue. De poeira. De medo. Nunca imaginei que um lugar onde tantas pessoas rezavam pudesse se transformar em um hospital improvisado. Os bancos de madeira foram afastados às pressas. Cobertores viraram macas. Lençóis limpos serviam para estancar ferimentos. A imagem de Nossa Senhora permanecia no altar. Silenciosa. Como se também assistisse, impotente, ao sofrimento de toda aquela comunidade. Respirei fundo. Não havia tempo para chorar. Nem para sentir medo. Existiam pessoas precisando de ajuda. E era nisso que eu precisava pensar. — Luísa! A voz de Dona Célia ecoou pelo salão. Corri até ela. Uma senhora de aproximadamente setenta anos estava d

