Capítulo 98 — O Abrigo Luísa narrando Naquela manhã, acordei com uma sensação estranha. Era como se o ar estivesse mais pesado. Mais frio. Mais difícil de respirar. A cobertura estava movimentada desde cedo. Homens passavam pelo corredor carregando caixas de munição, rádios e coletes. O som das botas ecoava pelo piso, misturado às vozes firmes dos seguranças recebendo ordens. Lucas já havia saído. Antes mesmo de o sol nascer. Quando abri a porta do quarto, encontrei Dona Célia organizando algumas bolsas sobre a mesa da cozinha. Ela levantou os olhos e sorriu para mim. — Dormiu alguma coisa? Assenti. — Um pouco. Ela percebeu imediatamente que eu mentia. Sorriu com carinho. — Nem eu consegui. Aproximei-me da mesa. Dentro das bolsas havia garrafas de água, remédios, pacotes

