CAPÍTULO 2

2254 Words
Eu não sabia quanto tempo estava neste lugar, só sabia quando o agente ou até mesmo Sarah me diziam. Estava em uma contagem regressiva. Minha vida estava com os dias contados e eu nem poderia fazer nada. Suspiro triste. Olho para o caderno em mãos. Esse era o único objeto que tinha para me expressar. Escrevi aqui uma carta para meu pai e outra para minha mãe. Também estou deixando uma outra carta como forma de testamento, onde deixo todos meus bens para meus pais e irmã. Também deixei uma grande casa para ser transformada em fundação para jovens envolvidos em crimes. Nunca dei valor a isso, mas entrando neste lugar, mesmo não me envolvendo com ninguém aqui, vejo que tem muitos jovens entram aqui sem nenhum destino. Vejo que assim como eu, famílias os abandonam. Famílias não buscam entender o que se passou na cabeça desses jovens para cometerem um delito. Quero que essa fundação seja aberta exclusivamente para cuidar desses jovens. Quero advogados criminais estejam agindo em defesa deste menor infrator e que quando eles saírem, que possam ter uma oportunidade de vida diferente da que eles viviam. Será destinado uma quantia milionária para a conta da fundação. Quero muito poder fazer algo, mesmo que morto. E eu lamento por ter despertado essa vontade em mim agora, porém era uma realidade que nunca tinha vivido e também nunca tinha procurado saber. Mas eu vejo agora essa realidade. Vejo o tanto de jovem que fica esperando na sala de visita por um parente, e o não há ninguém. Os mesmos jovens levantam tristes. Graças a Deus eu tinha Sarah. Minha irmã era tudo para mim e eu só tinha que agradecer por ela não ter desistido de mim como meus pais fizeram. Porém, eu não os culpo. Nunca fui um filho cheio de amores. Assim que entrei na maioridade fiquei mais rebelde, e sinto muito pelo meu comportamento. Não tinha motivo nenhum para isso. Meus pais sempre me amaram assim como minha irmã. Nunca deixaram nada nos faltar, tanto materialmente, quanto sentimentalmente. Eles foram os verdadeiros pais amorosos. Eu é que fui um filho ingrato. Me bandiei para o lado r**m, onde bebia demais, experimentava as coisas ilícitas da vida. Me via na noitada sempre curtindo a vida, só mudei para criar a minha empresa. Mas já era tarde demais para eu ser o filho que eles queria, portanto me afastei e estou até hoje. E agora sem volta. Porque eles não querem saber do filho ingrato que eles criaram. Eles não fazem questão de me ouvir, e sinceramente, esse é meu único desejo. Que eles me ouçam, que eles me perdoem pelo filho ingrato que fui durante anos. Mas se eles não vierem, a carta falará por mim e quem sabe eles possam me perdoar algum dia. - Campbell. Um dos agentes aparece na grade da cela. Olho para ele. Estava sentado na cama, com uma caneta na boca e o caderno na cama. Aquelas pessoas que te falei estão aí conversando com alguns presos. Você não quer falar com eles? Tem até um pastor e um padre também. Quem sabe você queira confessar? Sorrio. - Me confessar de um crime que não cometi? Não farei. Eu não quero conversar com ninguém. Me deixe aqui. Digo e pego de volta o caderno. Já devo ter escrito umas vinte cartas para meu pai e a mesma quantidade para minha mãe. Meu testamento contém cinquenta página, pois detalhei cada bem que eu tenho e especifiquei a quem vai pertencer. - Você sabe de uma coisa? O agente pede ainda parado perto da cela. Eu acredito em você quando diz que é inocente. Porém, você precisa de um bom advogado para te tirar daqui, ou pelo menos te livrar do corredor da morte. Suspiro frustrado. - O que adianta ter todo dinheiro do mundo, se ele não é capaz de pagar um advogado decente para me livrar desse prisão? E olha que já vieram vários incompetentes para tentar me fazer confessar algo que não fiz, mas vejo que eles estavam com receio de acabar com a carreira deles. - E porque você não tenta achar outro? Peça a sua irmã. Ela pode conseguir uma pessoa interessada em seu caso. - Cansei de lidar com advogados incompetentes. Me resignei a morrer por algo que não cometi. Não quero minha irmã se desgastando mais para tentar me salvar. Eu fui burro demais por ter colocado minhas mãos na faca. Fui burro demais por abraçar Loiuse. Ela era minha amiga. - Não era sua namorada? Sorrio. Desculpe, mas vocês eram um casal mais visto e badalados de todos os tempos. Era invejável o que vocês tinham. - Esse é o problema, ninguém sabe de verdade o que tínhamos. São só especulações e mais bla, bla, bla. Mas eu não quero falar do que eu tinha com Loiuse. Eu não quero falar sobre nada. Digo e vejo seu olhar de pena. - Eu vou deixá-lo. Se precisar de algo pode me chamar. Balanço a cabeça em afirmação. Não vou incomodá-lo com a merda de vida que tenho. Se tivesse uma chance de mudar alguma coisa, eu faria. Seria mais centrado, dedicaria minha vida a ter uma família com um lar e filhos. Agora penso que nos meus trinta anos, nunca pensei nisso. Só queria minha vida leviana de sempre e nem me preocupei com uma esposa que pudesse está aqui para mim e por mim. Não me preocupei em filhos que deixaria uma herança que supriria todos seus sonhos. Como meus pais uma vez disse, eu sou egoísta demais para pensar na pessoas. Fui egoísta demais para dar atenção as pequenas coisas da vida. Virei um playboy de merda e hoje estou pagando pelos meus erros. Os dias estavam passando e eu nem me preocupava mais com nada. Meu fim estava próximo. Sabia disso porque eu anotava no caderno os dias que se passava. Parece coisa de louco, mas eu não quero ficar sem sanidade aqui dentro. Já me enclausurei nessa cela e não tenho mais nada a fazer. Sarah tem dias que não aparece aqui. Ela sumiu e eu mesmo sentindo muito a falta dela, tenho que me conformar que ela precisa seguir em frente. Ela precisa esquecer que tem um irmão, assim como meus pais esqueceram que tem um filho. Limpo minhas lágrimas que insistem em cair dos meus olhos. - Campbell. Nem olho para o agente. Você tem visitas. Suspiro, porque minha irmã voltou. Parece que chamei ela com a força do pensamento. Me levanto e ele abre a cela. Ele coloca as algemas tanto nos pulsos quanto nos tornozelos. Vou andando e olhando para baixo. Ouço alguns cochichos, mas não dou a mínima. Chego na sala de visita e já vejo minha irmã sentada, porém ela não está sozinha. Deve ter trago uma advogada para fazer o testamento. Vou andando até chegar a mesa. Sarah já vem pulando para cima de mim e me abraça forte. Fecho meus olhos sentindo uma emoção por vê-la aqui, mesmo tendo convicção que ela não merecia está nesse lugar. - Como você está? Ela pede olhando para mim. - Indo. Ela passa as mãos no meu rosto e depois me dar um beijo. - Eu prometi que não iria te abandonar e estou aqui para cumprir minha promessa. Sorrio sem ânimo. Ela olha para a mulher antes estava sentada e eu acompanho seu olhar. - Essa deve ser a advogada para realizar meu testamento? Indago olhando para a mulher jovem a minha frente. Ela parece bem jovem para o cargo de advogada. - Não. Eu disse que não faria isso. Traria um advogado para te tirar disso daqui e aqui está ela. Kimberly Parker Minha irmã fala, mas eu não quero nenhum advogado querendo que eu confesse algo para me tirar do corredor da morte e pegar prisão perpétua. - Eu disse que não queria nenhum advogado, Sarah. Ainda mais para fazer eu confessar algo que não fiz. Digo olhando para os olhos azuis penetrantes a minha frente. - Andrew... - Srta Campbell, posso conversar com seu irmão sozinha? Ela pede me olhando e não se abalando com que eu disse. - Por favor não se deixe afundar ainda mais aqui dentro. Quero continuar tendo meu irmão, e não morto. Sarah fala pegando na minha mão. Ela sai e eu suspiro. - Agora é só nós dois Sr Campbell. Mas antes, vamos mudar uma coisa aqui. Fico olhando para ela. Guarda. Ela chama o agente que estava em pé do outro lado da sala. - Pois não, Dra. O agente chega olhando acusatório para mim. - Tire as algemas. Ela pede e o agente olha para ela incrédulo. Até eu estou. - Eu não posso fazer isso. O agente diz e ela para ele séria . - Mas fará. Eu não costumo conversar com meus clientes como se fossem animais. Então retire as algemas. - Ele é um dos presos mais perigosos que temos aqui. Reviro meus olhos. - Não tenho medo. Ela fala firme. Retire agora. Ele ainda fica olhando para ela sem saber direito o que fazer. Agente Tompson, eu sou promotora e posso usar do meu cargo para dar voz de prisão para você agora mesmo, por me desacatar. Ela se levanta com uma elegância invejável. Você fará ou não? Eu não tenho tempo a perder aqui. - Sim, Dra. Ele já vem para meu lado e retira as algemas. - Ótimo. Assim está bem melhor. Ela se senta sorrindo. Agora vamos conversar sobre seu caso. - Pelo que eu ouvir a Dra não é advogada e sim promotora. Falo lembrando o que ela disse para o agente. - Sim. Eu não advogo a muito tempo, pelo menos uns dois anos. Mas presto serviço comunitário para pessoas carentes e sua irmã me procurou. - E você aceitou me representar assim do nada? Leu pelo menos o meu processo antes de vir aqui oferecer seus serviços? Ela dá um sorrisinho de lado. - Vejo que já desistiu de você mesmo. Ela me olha firme. Sua irmã me fez aceitar esse caso. Está aflita por ver que seu irmão vai morrer dentro de meses. Ela não desistiu de você, e espero contar com a sua colaboração. - Se a Dra está falando para eu confessar algo que não fiz, está perdendo seu tempo. Ela me olha parecendo não entender. - Foi você que matou a sua namorada? Ela pede e eu me levanto. - Não, não foi e eu não quero mais saber desse conversar. Não quero defesa nenhuma que me julgue como culpado. Falo com raiva. - Eu não sei o porque o Sr está exaltado. Sente-se. Ela fala calma. - Porque eu não matei Loiuse. Nunca faria isso e não vou confessar algo que não fiz. Digo ainda de pé. Olho para o agente que está com a mão na arma. - Eu não quero que você confesse nada, somente a verdade. Você já disse que não matou, então quero que me conte o que houve no dia. - Você deve ter lido sobre meu caso, leu o meu processo antes de vir aqui. Digo me sentando. Acho que Sarah não escolheu novamente a pessoa certa. Porém não a culpo, é difícil achar alguém com fibra para encarar um caso tipo o meu. - Li tudo sobre o Sr, Sobre a Srta Morris e também sobre seu processo, porém Sr Campbell, eu quero ouvir do Sr o que ocorreu no dia. O que estavam fazendo, o que iriam fazer. Se sairiam. - Eu já dei meu depoimento. Falo sem ânimo para isso tudo. - Não para mim que sou sua advogada a partir de agora. Então acho bom o Sr me contar tudo. Desde o seu envolvimento com Loiuse até a morte dela. - Eu não falarei do meu relacionamento com Loiuse. Ela me olha sem entender. - Porque? O que há de mais ai ? Sr Campbell, suas chances de sair do corredor da morte são grandes, suas chances de se livrar desse prisão também são grandes, porém eu preciso que o Sr seja sincero comigo. Vamos trabalhar juntos. Eu não vejo como ela. Não vejo chances de me livrar daqui. Quanto tempo vocês dois namoraram? Ela indaga. - Dois anos. Ela anota e depois me olha. - Quando vocês começaram? Data Sr Campbell. Respiro fundo e olho para ela. Sr Campbell, não minta para mim. Você está aqui hoje por não dizer a verdade. Seu caso foi classificado como crime passional. O júri entendeu que você tinha um relacionamento amoroso com a Socialite Morris. Que a matou por ciúmes, por não aceitar o fim do romance. - E porque você acha que estou mentindo? Ela sorrir e se ajeita melhor na cadeira. - Porque seu julgamento está cheio de falhas. O i****a do seu advogado não fez o dever de casa direito e eu não estou aqui para perder uma causa ganha. Eu não colocaria meu nome em algo que tivesse certeza que perderia. Você nunca teve nada com Loiuse, porém quero saber o motivo de você está escondendo a verdade] - Você acha que eu a matei? - Não. Tenho certeza que não foi você, porém preciso que você diga a verdade. Preciso que você seja sincero comigo para que eu possa fazer meu trabalho com mais precisão. Eu não posso revelar sobre a vida de Loiuse. Não quero manchar sua reputação. Preciso arrumar um jeito de sair dessa sem contar sobre nós.
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