- Desculpe, Kim, mas não foi dessa vez. Escuto a médica dizer. Suspiro frustrada. Não era possível que iria passar por isso mais uma vez.
- O que está havendo? Poxa já estamos um ano nisso. Nada de resultados. Fazemos controle para meu período fértil e nada. Indago me levantando.
- Você tem que ficar calma. Já expliquei que tem 'N' fatores para uma mulher não engravidar. Você precisa fica mais tranquila, não ansiosa. Tudo é questão de tempo.
- Só que o tempo está passando e posso dizer que os bancos de espermas estão de saco cheio de me verem buscando sempre um novo pai para meu filho. Estou a um ano nisso e nada. Falo frustrada e com raiva.
- Kim, você é nova, só tem vinte e cinco anos. Porque não tenta o modo convencional? Reviro meus olhos.
- Porque não quero um homem para discutir comigo sobre a guarda de um filho.
- Eu falo de namorar, noivar e casar e ter filhos.
- Mary, eu não quero me casar, ainda mais com os tipos de homens que me envolvi. Eu não quero ter uma família convencional. Quero somente um filho. E que ele seja somente meu, sem nenhum homem no meu pé querendo dividir as responsabilidades. Não preciso disso.
- Mas a criança algum dia vai querer saber do pai dela.
- Explicarei no tempo devido sobre produção independente. Simples assim. Falo sorrindo.
- Você não tem jeito. Mas quero que você fique despreocupada. Sem pressão. Você ainda está na nova.
- Sei. Mês que vem volto aqui. Já agende na clínica o novo esperma para mim. Dou beijo na cabeça dela.
- Se eu fosse você desistia disso. O modo tradicional é melhor.
- É mesmo Mary? Falou a pessoa que namora mulheres e que não sabe como fará para ter um filho. Digo brincalhona.
- Não estamos falando de mim, mas sim de você.
- Mas falando sério, Mary, como vai ser quando você quiser ser mãe?
- Eu não quero mais. Você sabe que a única pessoa com quem gostaria de fazer isso está morta. Tínhamos todos os planos do mundo e infelizmente ela me deixou.
- Eu sei, e sinto muito, mas você precisa seguir em frente.
- E vou, mas não para formar uma família. Eu quero focar somente em meu trabalho agora.
- Tudo bem. Enquanto não tenho meu bebê, eu também quero focar na minha carreira. Falo lembrando o tanto de coisa que tenho que fazer no meu escritório.
- Você pode se dar ao luxo, pois tem uma carreira sólida. Tem vinte e cinco anos e já é promotora. Nem esquentou a cadeira de advogada e a foi logo para a promotoria.
- Você sabe que eu não queria ficar na advocacia por muito tempo. Meu sonho era a promotoria e quem sabe daqui a alguns anos juíza.
- Torço muito por você, Kim, apesar de que você desfez a nossa promessa de infância. Combinamos de ser médicas e você pulou fora, e ainda me abandonou nessa cidade para estudar na Europa. Agora volta de lá com uma carreira invejável.
- Não vem porque você é bem sucedida e quanto a minha promessa de infância, eu cresci e fiquei sensível a sangue. Não posso ver que desmaio. Sorrio. Agora tenho que ir. Vamos nos falando. Dou outro beijo na cabeça dela e vou embora. Esse processo de ser mãe independente estava sendo mais trabalhoso do que achei. Achei que essa hora já estaria com meu bebê nos braços.
Cada mês era uma frustração tremenda. Eu não sabia o motivo de não ter engravidado ainda. Todos os meus exames estavam certos. mas como disse Mary, minha ansiedade pode está me atrapalhando. Talvez se eu parar de pensar um pouco nisso, dar um tempo de fazer essa sessões para engravidar.
- Talvez não é para ser, Kimberly. Digo para mim mesma. Suspiro enquanto dirijo. Eu sempre tive a ideia de ter filhos. E não quero um casamento para ter um filho e muito menos quero um homem para dividir essa responsabilidade comigo. Por isso recorri aos bancos de espermas para ter uma produção independente. Chego em meu escritório e já entro dando de cara com Catarina. Boa tarde para você também, Catarina! Indaguei voltando meu corpo para que não trombasse nela.
- Desculpe Kim, mas tenho que está no fórum agora. Já estou atrasada. Meu cliente está perto de conseguir a liberdade. Ela fala em um sopro e vai. Louquinha.
Catarina é nova aqui. Ela é uma das contratadas minha e de Marcus. Eu vim para Los Angeles tem dois meses. Assim que passei no processo para promotoria aqui, eu vim de Londres. Eu já trabalhava de promotora lá, então minha aceitação no juizado criminal daqui foi mais fácil. E assim que me mudei o conheci Marcus Lewis. Ele é um excelente advogado e tinha esse escritório me chamando para ser sócia dele eu aceitei. Mesmo não advogando mais, eu gostava de ter um ambiente como esse. Gostava de trabalhar com as pessoas.
No escritório contamos com mais quatro advogados. Sendo Catarina, Sávio, Brenda e Melane. Eles são excelentes. Às vezes quatro loucos, mas faziam o trabalho direito. Me sentei em minha sala e já fui olhando os casos que tinha no juizado criminal para avaliar e mandar para o juiz marcar audiência.
Hoje era quinta, dia de ir ao centro comunitário para dar as pessoas carentes um pouco de luz no fim do túnel. Essas pessoas não tinham como pagar um bom advogado e Marcus e nosso escritório fazia essa ação beneficente para essas pessoas. Eram pessoas que tinham parentes na cadeia e não sabiam como tirá-los de lá sem um bom advogado. Eu não defendo bandidos, avalio cada caso e assim me comprometo a fazer algo para tirá-los da prisão ou fazer com que a pena seja menos.
Atende algumas mães sofridas com os filhos ou filhas na cadeia. Na maioria das vezes eram pessoas que se envolveram com drogas e roubos. Não era nada complicado de resolver. Fiquei no centro até uma cinco. Estava louca para chegar em casa e tomar um banho para descansar.
- Dra Parker? Ouço alguém me gritar assim que chego no carro. Olho para trás e vejo uma morena, com cabelos amarrados em um coque. Magra e baixa. Suas roupas indicam que não faz parte da comunidade.
- Pois não. Falo assim que ela chega perto de mim.
- Boa tarde Dra, meu nome é Sarah Campbell. Esse nome não é estranho. Fiquei sabendo aqui que a Dra faz trabalho de advogada nessa comunidade.
- Sim. Falo estranhando o jeito afoito dela.
- Eu preciso da Dra. Ergo minhas sobrancelhas.
- Srta Campbell, eu não estou mais a trabalho, e outra eu não advogo mais. Aqui eu só dou assistência a pequenas causas, mas se você quiser pode ir no escritório. Tenho outros quatro advogados para te atender. Ela me olha triste.
- Eu pesquisei sobre você. Soube que é uma excelente advogada.
- Eu era advogada. Sou promotora agora. A interrompo. Vai no escritório amanhã cedo. Os advogados lá pode te atender. Falo pegando o cartão da minha bolsa e passando para ela.
- Eu não tenho tempo. Eu preciso da sua ajuda. Ela pede chorando. Meu irmão está no corredor da morte. Ele está prestes a ser morto por um crime que ele não cometeu. Eu não sei mais o que fazer e quem procurar. Todos os advogados que contratei não fizeram nada. Queriam que ele confessasse para tentarem uma pena perpétua. Porém Andrew afirma que não fez e eu acredito nele. Ela fala limpando seu rosto bruscamente.
- Srta Campbell, vamos a lanchonete ali? Peço, pois ela está nervosa e uma água seria bom. Ela apenas assentiu e fomos andando sem falar nada. Espero que ela se acalme.
Nos sentamos e eu peguei uma água para ela. Seu olhar é de tristeza. Ela respira fundo e eu vejo que ela está muito m*l pelo ocorrido com o irmão.
- Me conte o que houve com seu irmão. Pedi vendo ela se recostar e passar as mãos no seu rosto.
- Me perdoa meu jeito descontrolado, porém eu estou sozinha nessa. Não sei mais o que faço para tirar meu irmão dessa pena maldita. Nenhum advogado foi capaz de pegar o caso dele, para ao menos ver que ele é inocente
- O que houve? Ela suspira forte.
- Ele foi acusado, julgado por matar uma amiga. Elevo minhas sobrancelhas. Ele não o fez. O erro dele foi está na casa dela, tirar a faca do peito dela e tocar na mesma. Andrew é incapaz de matar alguém. Ele pode ser cabeça dura, marrento, mas, ele é uma pessoa boa. Ele foi condenado a morte. Falta menos de três meses para isso. Eu não quero perder meu irmão. Ela fala chorando novamente desesperada.
- Calma. Fique calma. Como disse a você, eu não advogo mais, porém posso te indicar alguém para te ajudar no caso do seu irmão. Ela balança a cabeça em negação.
- Por favor, me ajude você. Nada te impede de me ajudar. Eu não posso mais falhar. Não tenho tempo para isso. Se eu falhar mais uma vez com advogados, o tempo passará e eu vou perder o único irmão que tenho. Eu não quero isso. Me ajude, por favor. Ela pede pegando na minha mão. Eu pago o que for. Respiro fundo.
- Eu preciso ler os autos e o motivo do veredito dado a ele. Só depois disso poderei confirmar se vou pegar o caso ou não, porém te digo que se pegar farei somente com que ele saia desse tormento do corredor da morte. Colocarei uma advogada para trabalhar junto comigo nesse caso, e assim ela poderá acompanhar o resto da causa .
- Eu aceito. Só não quero perder meu irmão. Assinto e dou um sorriso amigável para ela.
- Agora preciso dos dados dele. Peço pegando uma caneta e uma papel para anotar para ela o que eu preciso dele.
- Você quer que eu passe por mensagem o e-mail?
- O que você achar melhor, porém quero isso urgente.
- Te mando assim que chegar em casa.
- Ótimo. E Srta Campbell, não fique desesperada. Sei que é difícil e pode piorar se não encontrarmos uma prova concreta que o livre da prisão. Vamos tentar manter a calma e torcer para tudo dar certo.
- Eu estou esgotada. Não sei mais o que fazer para ele ficar livre. O pior é que nem meus pais acreditam nele. Eles viraram as costas para ele, e não querem saber nada do mesmo. Triste quando os pais não dão seu apoio.
- Eu lamento e como está seu irmão no presídio? Tem criado problemas? Alguma desavença lá dentro? Ela sorrir fraco.
- Não. Ele não sai da cela dele, a não ser para me receber. E também tenho certeza que não está se alimentando direito, pois está magro demais. Ele está triste e desolado. Depois de inúmeros advogados de merda, ele se resignou a morrer. Não quer mais nenhum advogado olhando o caso dele. Só me pediu para levar um advogado para fazer seu testamento.
- E você já fez isso?
- Não. Eu não vou aceitar que meu irmão morra. Posso esgotar ao máximo até o último momento, mas eu não vou permitir que ele morra. Ainda mais por algo que ele não cometeu.
- Espero conseguir tirar ele do corredor da morte, mas te digo que se conseguirmos, vamos ter um trabalho enorme para provar a inocência dele. Livrá-lo da perpétua não será fácil.
- Mas não é impossível, é? Sorrio para ela.
- Não, não é impossível. Vamos ter mais trabalho do que o normal. E vou precisar muito da sua ajuda para tirá-lo.
- Eu farei o que for preciso. Não importa. Conte comigo em tudo que precisar. Assinto sorrindo.
- Agora vamos fazer nosso trabalho. Preciso que você me mande o que te pede hoje ainda. Vou para meu escritório e aguardo você. Falo me levantando.
- Obrigada por ter aceitado.
- Não me agradeça ainda. Vamos ver o que precisamos para tirar seu irmão de lá. Ela me abraça e eu retribuo.
- Se você conseguir livrá-lo, eu vou te agradecer pelo resto da vida.
- Não precisa disso tudo. Vamos agora focar nisso. Saímos juntas e cada uma foi para seu carro. Sua noite de sono já era Kimberly. Falo para mim mesmo. Espero encontrar algo que o livre pelo menos do corredor da morte.