O quarto estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pelas luzes suaves que vinham da varanda. A cidade lá fora parecia adormecida, mas aqui dentro tudo vibrava com uma expectativa surda, tensa, como se o próprio ar soubesse o que estava por vir. Salvatore fechou a porta com um clique baixo e trancou. O som da chave girando soou mais íntimo do que qualquer palavra dita naquela noite. Eu já estava deitada na cama, vestindo uma camisola de seda fina, preta, como ele gostava. Os lençóis estavam frios. O lado dele vazio. Mas não por muito tempo. Ele caminhou até mim devagar, como se estivesse escolhendo cada passo. A camisa social já estava desabotoada, a gravata solta. Os olhos escuros, ainda mais profundos naquela meia-luz. — Você não disse uma palavra desde o fim da reunião — murmu

