Nesses últimos dias, que foram um caos, me senti mais cansado e irritado do que o normal. Afoguei-me no trabalho, em busca de alguma pista, por mínima que fosse, que nos leve ao assassino das garotas.
Infelizmente, não encontramos nada. Nenhuma pista, rastro ou até mesmo um pequeno fio de cabelo. Absolutamente nada. É como se, mesmo com todo empenho, estivéssemos no mesmo lugar. Nada aparece, nada se resolve.
Como suspeitos, dois nomes foram apontados. Pessoas óbvias, geralmente culpados em casos como esse. O primeiro nome é de Josh Bloom. Namorado de Valentina, na época da faculdade. Pelo que li, nos relatórios feitos pela nossa equipe, o término não foi tão bem aceito por ele. Após uma traição, por parte dele, o relacionamento chegou ao seu fim, mas Josh nunca conformou-se. Tentou, por várias vezes, reatar o namoro, apesar dos protestos de Valentina.
O segundo nome, que guardo apenas para mim, é Aidan Scott. Melhor amigo de Valentina. Posso estar enganado, ou até mesmo complemente louco, mas algo me diz que ele é culpado. Ciumento demais com a amiga, protetor demais. De acordo com meus relatórios, sempre afastou-a de pessoas que tentavam algo com ela. Um possível amor não correspondido.
Josh foi contatado hoje pela manhã, virá prestar seu depoimento à tarde. Com sorte, em breve, teremos mais pistas. Ou quem sabe, conseguiremos capturar o assassino.
Ontem à noite, Valentina mudou-se para minha casa. É diferente para nós dois, uma experiência nova para ambos. Dividi, por anos, a casa com meus pais e minhas irmãs, mas agora, dividir a casa com uma pessoa completamente diferente e com a qual nunca convivi, é estranho. Sei que nós dois estamos confusos com essa mudança, vi nos seus olhos, noite passada, o medo, a ansiedade e a incerteza.
Torço para que, em breve, esse assassino seja capturado. Para que as garotas tenham suas vidas poupadas, para que todos fiquem tranquilos, para que Valentina possa voltar à sua vida normal. Para tirar da cidade e da população, o medo, de viver em um local com um serial killer à solta.
Nos últimos dias, nenhum outro corpo foi achado. Talvez, para esse assassino, Valentina fosse a próxima vítima. E como agora está protegida, ele está traçando outro plano para conseguir capturá-la.
Meu desejo, nesse momento, é resolver esse caso, o mais rápido possível. Esse silêncio, por parte do assassino, é assustador. Não sabemos o que ele está planejando, ou qual será seu próximo passo. E com tal incerteza, é impossível agir, proteger a próxima vítima.
Para cuidar da segurança de Valentina, vinte seguranças estão fazendo a vigilância da minha casa. Em turnos divididos, dez em cada um. Além disso, viaturas policiais sempre ficam pela região, atentas à cada movimentação suspeita. Em alerta, para o caso de invasão à minha casa. Pode ser exagero para alguns, mas em questão de segurança, gosto de me precaver. Nunca é demais para nos manter seguros.
Leio, mais uma vez, os relatórios feitos pelo legista. Observo também os relatórios sobre os dois suspeitos, dando uma atenção maior ao relatório sobre Aidan. Sinto, no fundo, que ele é culpado. Mas não posso provar.
— Bom dia, Alex. — cumprimenta Jared, ao entrar na minha sala.
Rapidamente, fecho o relatório sobre Aidan. Por pouco, não fui visto.
— Sabe o que é uma porta? Então, você bate nela antes de entrar. — resmungo. Ele dá de ombros e rindo, volta à porta, batendo duas vezes e entrando na minha sala.
— Pelo visto você está estressado. Como sempre.
— Você veio tirar minha paciência, é sério? — questiono, com uma sobrancelha erguida.
— Também. — ri.
— Fala o que deseja e vai embora, estou ocupado. — ergue as mãos, em rendição.
— Calma, Heights. Apenas quero te avisar que o interrogatório com Josh Bloom será às 10:00. — assinto. — E por isso, vim buscar os relatórios com você.
— Estou apenas com os relatórios sobre ele. Os outros ficaram em casa. — suspiro.
— Posso pedir para algum policial ir buscar ou posso ir, caso queira. — n**o.
— Eu vou. Obrigado. — estendo para ele os relatórios sobre Josh.
— Te espero para o interrogatório.
— Certo. — pego minhas chaves e saio da delegacia, em direção ao meu carro.
Entro no veículo e sigo em direção à minha casa. Ainda são pouco mais de oito da manhã, tempo suficiente.
Dirijo pelas ruas calmas de Healdsburg até chegar em casa, estaciono em frente à entrada e cumprimento os seguranças que estão ali, entrando em casa. Sigo ao meu escritório e em cima da minha mesa, pego os papéis que Jared pediu.
Ao sair, ouço vozes, conversando no andar inferior. Desço e, da sala principal, vejo Valentina e Margot, juntas, conversando enquanto a loira toma café. Não consigo ouvir bem o que falam, mas ao me aproximar para cumprimentá-las, percebo que conversam sobre Margot e minha família.
— Os pais dele moram longe? — questiona Valentina.
— Em São Francisco. Moravam aqui, mas quando os filhos se mudaram para fazer faculdade, foram embora. — responde minha governanta.
— E você foi com eles, certo? — assente.
— E quando meu garoto veio para cá, me mudei também. Sempre gostei daqui e tive a oportunidade de voltar, para trabalhar com meu menino. — Margot sempre foi como uma mãe para mim.
Fico na sala, próximo de onde estão, ouvindo o que dizem. Nenhuma nota minha presença.
— Você se mudaria para outro lugar, caso ele fosse?
— Nunca pensei nisso. — suspira, sem uma resposta. — É, eu não sei. — dão risada.
— Como ele é com você? Porque as vezes tenho a impressão de que não me suporta, é arrogante... — espera, eu sou arrogante com ela?
Certo, as vezes fui um pouco. Mas não achei que ela se importaria com isso. Nesse momento, Margot nota minha presença. Valentina não.
Eu não sabia que meu jeito a incomoda tanto. E não é que a deteste, mas além de estar afogado no seu caso, sou fechado, não consigo ser simpático ou interagir com quase ninguém.
Sinto-me incomodado e com vontade de conversar com ela, saber o que pensa sobre mim.
No meio da sua fala, a interrompo.
— É assim que você me vê, Valentina? — questiono.
Ela fica assustada ao notar minha presença, branca como um papel. Seus olhos esverdeados estão arregalados, me encarando.
Pega no flagra.