Estico meu corpo sob os lençóis macios da cama, abrindo meus olhos lentamente e me acostumando com a claridade que entrava pelas portas da varanda. Sento na cama e pego meu celular na mesinha de cabeceira, vendo que eram 07:00 da manhã.
Com tudo que estava acontecendo, meu chefe decidiu em consenso com os investigadores que o melhor para mim naquele momento era trabalhar em casa, ou melhor, na casa do Alex. Ou seja, meu trabalho passou a ser complemente de casa, para minha segurança.
Em outros dias, acharia isso ótimo. Afinal, quem não gostaria de trabalhar na sua própria casa, cumprindo seus horários? Mas nesse momento, moro em outra casa, com alguém totalmente desconhecido. Sinto-me desconfortável, como um peixe fora d'água.
Não consegui dormir pela noite, me senti desconfortável. Não pela cama, ou pelos lençóis. Tudo está perfeito. O problema é que sinto falta da minha casa. Gostaria de que tudo isso fosse resolvido o mais rápido possível, para que eu possa voltar para casa.
É estranho ter que morar com alguém que eu nem conheço, e que pelas suas atitudes, não tem nenhuma vontade de me conhecer. É estranho ter que se adaptar a uma casa e rotina totalmente diferentes.
Alex é muito bonito, isso não posso negar. Mas ele parece querer afastar todos ao seu redor, a única pessoa que ele parece confiar é Jared. Não consigo o entender, uma hora ele é simpático e gentil comigo mas de repente muda, se tornando frio e arrogante.
Escuto algumas batidas na porta e saio dos meus devaneios, murmurando para que a pessoa, que creio ser Alex, entre. E acertei. Ele passa pela porta com Hades nos braços, o que me deixa feliz.
Alex está muito bonito. Vestindo um terno preto, como de costume. Seu perfume domina o quarto e sua barba por fazer o deixa mais sexy do que já é
Ao perceber que o encarava, ele sorri para mim e sinto minhas bochechas queimando, de vergonha. Desvio o olhar dele rapidamente. Alex solta o gato, que de imediato sobe na cama e vem ao meu colo, esfregando seu corpo peludo em mim. Levo a mão aos seus pêlos, o acariciando.
— Jared veio trazê-lo aqui hoje de manhã, junto com as coisas dele, sua amiga que mandou. — fala e se encosta na soleira da porta, encarando ' corpo, coberto por uma fina camisola de seda, branca.
Não demora muito no meu corpo. Seu olhar sobe para meu rosto, avaliando cada detalhe. Como se, com um olhar, pudesse ler-me por inteiro. Avalia cada parte de mim, me deixando envergonhada.
Eu acabei de acordar, como estarei bonita?
Fico corada no mesmo momento. Ele percebe que vi sua análise e desvia o olhar rapidamente.
— O café está pronto, caso esteja com fome. — prossegue. — A governanta está disponível para te ajudar. Volto mais tarde, fique à vontade.
— Obrigada. — ele sorri, simpático, saindo do quarto em seguida. Olho para Hades que me encara, deitado tranquilamente sob meus lençóis. — Ah, Hades... O que tem de bonito, tem de complicado.
×
Ao terminar meu banho e vestir minha roupa, saio do quarto, com Hades ao meu lado. Passo pelos corredores e desço as escadas, dessa vez, observando a casa de Alex atentamente.
Percebi que não há um toque pessoal aqui. Toda a decoração é em tons escuros, sem muitos detalhes. É, combina com o dono.
Vou até a cozinha e sento-me em uma dos banquinhos da ilha. Ali, havia uma senhora, distraída com alguns legumes.
— Oi. — cumprimento, atraindo sua atenção.
— Olá, você deve ser a Valentina.
A senhora é baixinha, com apaixonadamente 50 anos. Seus olhos são escuros, seus cabelos grisalhos estão presos em um coque perfeitamente alinhado e ela veste uma saia longa e blusa, cobertos por um avental branco. Sorri simpática, e retribuo.
— Eu sou Margot, a governanta da casa. — apresenta-se.
— Olá dona Margot, é um prazer conhecê-la. — estendo a mão para ela, que ignora, caminhando até mim e me puxando para um abraço.
— Esse gatinho lindo é seu? — pergunta, se afastando de mim.
— Sim, esse é o Hades.
— Imagino que você está com fome, arrumei a mesa com o café da manhã. Meu menino não come antes de sair. Quando você terminar, posso te mostrar a casa e te ajudar com suas coisas.
— Eu adoraria. — sorrio. — Obrigada, Margot.
— Bom, venha comigo.
Me ergo dali e a sigo, com Hades atrás de mim. Margot me guia até a sala de jantar, onde há uma mesa grande com vários bolos, frutas, sucos e café, perfeitamente organizados por ela. Sento em uma das cadeiras e pego uma xícara de café.
— Margot, senta e toma café comigo, por favor. — peço. Ainda sinto-me envergonhada aqui, estar com ela me deixará mais tranquila.
— Senhorita... — lanço um olhar de reprovação para ela, que sorri e se corrige. — Valentina, eu tenho que fazer algumas coisas.
— Por favor. — insisto.
— Certo, eu fico. — senta-se à minha frente e pega um café, assim como eu. — Como foi sua primeira noite aqui?
— Foi um pouco estranho. Outra casa, outra rotina, novas pessoas. — dou de ombros. — É difícil me acostumar, minha rotina sempre foi a mesma.
— Tenho certeza que você vai se acostumar, minha menina. — pega na minha mão por cima da mesa e aperta, dando um sorriso gentil. — Soube do caso, menina. Como você está lidando com tudo isso?
— Estou bastante assustada. — confesso. — Nunca imaginei que isso aconteceria comigo, entende? — assente.
— É assustador, de verdade.
— E não entendo o motivo. Tentei pensar em algum nome, que poderia fazer tal atrocidade, mas não consigo imaginar. — suspiro.
— Como foi para você saber que teria que vir morar aqui?
— Um choque. Cogitei não aceitar, mas não tive escolha. É isso ou me arriscar, e muito provavelmente, morrer.
— Sei que tudo irá se resolver, minha menina. — me conforta. — Tenha fé.
— Margot, quanto tempo faz que você trabalha com o Alex? — mudo de assunto. Falar sobre todo esse caos ainda é difícil para mim.
Desde que descobri, não há uma noite em que eu não chore ou me sinta culpada pelos acontecimetos — o que é reforçado pelos comentários maldosos dos blogs e das pessoas —, não há uma noite em que eu consiga dormir tranquila, sem pensar naquelas fotos ou em como aquelas garotas sofreram.
Além disso, o medo grande que me atinge sempre que penso que esse maníaco está por aí, podendo me atacar a qualquer momento. A próxima garota, encontrada morta, pode ser eu.
— Bom, eu trabalho para a família dele desde antes dele nascer, vi aquele garoto crescer. Quando se mudou para cá, para trabalhar, eu vim junto dele.
— Os pais dele moram longe? — n**a.
— Em São Francisco. Moravam aqui, mas quando os filhos se mudaram para fazer faculdade, foram embora.
— E você foi com eles, certo? — assente.
— E quando meu garoto veio para cá, me mudei também. Sempre gostei daqui e tive a oportunidade de voltar, para trabalhar com meu menino.
— Você se mudaria para outro lugar, caso ele fosse?
— Nunca pensei nisso. — suspira, tentando encontrar uma resposta para isso. — É, eu não sei. — rimos.
— Como ele é com você? Porque as vezes tenho a impressão de que não me suporta, é arrogante... — m*l termino minha fala quando escuto aquela voz rouca soar no ambiente.
— É assim que você me vê, Valentina?