Capítulo quatro, por Valentina Hale.

1528 Words
Termino de colocar algumas roupas na mala, fechando em seguida, enquanto Julie arruma a outra mala, colocando meus produtos pessoais nela. — Isso tudo é uma loucura. — fala, enquanto arruma minha nécessaire. — Como será que vai ser na casa dele? — Sinceramente? Não faço ideia. — sento-me na cama e pego o celular, vendo que ainda são 19:20, Alex falou que passaria aqui às 20:00. — Ele é tão confuso, as vezes é simpático, outras vezes é arrogante, parece não me suportar. Sinto que nossa convivência não será muito boa. — Tina, vai ver ele apenas está confuso com tudo isso, afinal é uma desconhecida que irá morar com ele. — dá de ombros. — Da mesma forma que você não o conhece, ele também não sabe nada sobre você além do que deve ter nos relatórios. É uma experiência nova para ambos, tenha paciência. — Você tem razão. — Sempre tenho. — acerto um travesseiro nela. — Agressiva. — resmunga. — Estou tão nervosa. — deito na cama e encaro o teto, até que escuto um toque na campainha. — Será que ele veio mais cedo? — Provavelmente. Vai lá ver. Me levanto da cama, confusa e curiosa, e desço as escadas, em direção a sala. A campainha toca novamente e eu chego na porta, abrindo e me deparando não com Alex, mas com Aidan. — Oi Aidan. — sorri e me puxa para um abraço. — Faz tempo que não te vejo, estava meio ocupado. — Entendo. Que bom que está aqui! — suspiro. — Precisamos conversar. — É algo relacionado às notícias que vi? — seu sorriso dá lugar a uma feição confusa, quando ele olha para as escadas da minha casa. Olho também e vejo Julie, que desce com uma das malas em mãos. — Vai viajar, Tina? — É... eu... desculpa, achei que fosse o Alex. — Julie está vermelha, como uma tomate, me encarando. — Quem é Alex? Você está namorando? — Aidan pergunta, enquanto Julie sobe novamente, me pedindo desculpas. — Alex é detetive, responsável pelo caso dos homicídios das garotas. Eu irei morar na sua casa por um tempo, por conta dos assassinatos, até que o caso seja solucionado. — suspiro. — Por que não me contou, minha loira? — questiona, preocupado. — Meu Deus, é realmente grave isso tudo. — Aidan me abraça. Aconchego minha cabeça no seu pescoço e ele acaricia meus cabelos. — Eu estarei aqui com você, Tina. Somos interrompidos por uma voz familiar, com raiva. — Quem é esse, Valentina? — Alex. — sussuro e me afasto de Aidan rapidamente, enquanto ele me encara com o semblante sério. Estava magnífico, vestido em calças pretas e uma blusa preta de mangas compridas, um pouco arregaçadas, mostrando algumas das tatuagens nos seus braços. Seu perfume amadeirado adentrou minhas narinas, seu olhar me arrepiou e eu fiquei estática, admirando cada detalhe daquele homem. — Eu sou Aidan, amigo da Tina. — meu amigo quebra o silêncio, estendendo a mão para Alex em cumprimento. — Alex Heights. — responde e pega na sua mão. — Já está pronta, Valentina? — assinto. — Isso não é muito precipitado? Você nem a conhece! Ela pode ficar aqui na casa dela e... — a fala de Aidan é interrompida quando Alex se aproxima dele, o puxando pela blusa e fazendo com que Aidan olhe nos seus olhos. — Alex, para! — peço, mas sou ignorada. Tento afastá-lo de Aidan, mas é inútil. — Valentina irá comigo, você não irá contestar. Você pode ser amigo dela ou o que for, mas eu sou o detetive aqui, sei o que é melhor para ela. — solta a blusa de Aidan e o empurra. Meu amigo se recompõe e sai dali, sem nem olhar para trás. Não sei explicar o que sinto. Raiva, ódio e tristeza se misturam, me deixando confusa. — As suas malas já estão prontas? — assinto, dando espaço para que ele possa entrar. Alex passa pela sala e vai até as escadas, onde estão minhas duas malas e as pega. Cumprimenta Julie, que está parada na escada observando tudo. Ele sai pela porta e leva minhas malas para seu carro, uma BMW preta que está estacionada perto da minha casa. Me sinto nervosa pela mudança e as lágrimas ameaçam descer, mas sou amparada pelos braços de Julie. — Vai ficar tudo bem, calma. Ele só deve estar cansado ou sei lá. — nossos olhares desviam para Alex, parado na porta, nos encarando. — Vamos? — assinto. — Tchau Julie. — abraço novamente minha amiga. — Leva o Hades para mim amanhã, certo? — Assim que amanhecer irei levá-lo. — sorri, tentando me acalmar. — Irei te visitar sempre que possível. Fica bem, ok? — assinto. Saímos da minha casa e tranco a porta ao passar. Vou até o carro de Alex, que abre a porta para que eu entre. Ele dá a volta e entra ao meu lado, dando partida no carro e indo em direção a sua casa. Não falamos nada durante o caminho, ele estava concentrado na estrada enquanto eu estava perdida em pensamentos, escutando as músicas de Pink Floyd que tocavam no rádio. Depois de alguns minutos dirigindo, ele chega a um condomínio, chique por sinal. Passamos por algumas casas, luxuosas e bonitas, até estacionar em frente a uma casa — ou melhor, mansão. — branca, com uma linda fachada iluminada por luzes douradas. Alex estaciona o carro em frente à casa e descemos, enquanto admiro cada detalhe daquele lugar. Subimos os degraus da entrada, Alex com minhas malas em mãos. Ele abre a porta para nós, revelando uma casa magnífica. Na sala, uma lareira grande chama a atenção, rodeada por poltronas e um sofá, todos brancos, contrastando com o cinza da decoração e das paredes. A casa tem um conceito aberto, então daqui posso ver a cozinha e sala de jantar, apesar da pouca iluminação. Alex sobe com minhas malas para o andar superior e eu fico na sala, observando cada detalhe do ambiente. Próximo a lareira, alguns porta retratos podem ser vistos, me aproximo mais para ver as fotos. Na primeira, Alex está com Jared, aparentemente em uma viagem de férias, ambos sorriem para foto e usam vários agasalhos e roupas de frio, devido a neve do lugar onde estavam. Ao lado dessa, uma me chama atenção. Alex está abraçado a uma mulher morena, que aparentava ter minha idade, como se fossem muito próximos. Ela tinha longos cabelos castanhos escuros, encaracolados, olhos claros e sorria para foto, aparentemente feliz, assim como o homem ao seu lado. Será ela a namorada dele? Ela vai se incomodar em me ver aqui? — penso. — Ember Payton, minha ex namorada. — me assusto com a voz de Alex e solto a foto rapidamente, virando em sua direção. — Eu... — não consigo dizer nada. — Vamos, vou te mostrar o seu quarto. — se vira novamente e sobe as escadas, vou atrás dele e seguimos por um corredor com várias portas. Ele abre uma delas e entramos em um quarto, provavelmente o de hóspedes. Há uma cama enorme no centro, um criado mudo ao seu lado, com um delicado abajur sob ele. As paredes são brancas, contrastando com a decoração em tons cinza. Há uma cômoda em frente a cama, com um espelho sob ela. Perto dela, há portas de vidro, que levam à varanda. — Naquela porta — aponta para uma porta perto da cama. — fica o closet e banheiro. Pode arrumar suas coisas lá amanhã, a governanta vai te ajudar. Sinta-se à vontade. — Obrigada. — falo e dou um sorriso para ele, que curva os lábios para cima. Creio que isso é o mais próximo de um sorriso que receberei dele. — Espero que se acomode bem. Boa noite. — fala quase que de modo mecânico, por pura obrigação. — Boa noite. Dito isso ele sai do quarto, encostando a porta em seguida. Vou até minha mala e pego algumas coisas, indo para o banheiro tomar meu banho. No cômodo de tonalidades cinza, uma bancada de mármore branco abriga a pia dupla, com alguns armários embaixo, com um espelho enorme sob ela. Perto da privada, o box de vidro gigante abriga a área do chuveiro, próximo a banheira de hidromassagem. Vou até o box e tomo um banho rápido, me enxugo e me visto ali mesmo. No meu celular, uma mensagem de voz de Aidan na barra de notificações. Desbloqueio o aparelho e ouço a mensagem: — Tina? Me desculpe por ter saído dali sem me despedir. Fiquei irritado, não deveria ter feito isso. — suspira. — Espero que entenda, não o questionei por m*l. Apenas me preocupo com você, ninguém garante que morar ali irá ser seguro. Ainda acho que te tirar da cidade é o melhor, mas enfim, ele é o detetive. Te amo, até amanhã. Sei que, no fundo, eles têm razão. Além de estranho, não tenho certeza se morar aqui é a melhor solução. Mas não posso me arriscar, logo, morar aqui é necessário. É melhor ficar viva, morando com ele, do que correr o risco de morrer.
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