Capítulo 4

863 Words
O dia transcorre monótono. Após preencher alguns relatórios sobre a investigação de Los Angeles que fracassou, assumindo em uma carta que não segui o protocolo e coloquei tudo a perder. Tive que esconder a frustração ao entrar a papelada para Jack que, no mínimo talvez esperava uma reação diferente. - Está calada - diz Sara, atraindo minha atenção na hora do almoço - Tem certeza de que está tudo bem? Olho novamente o aplicativo de mensagens no celular, esperando uma mensagem dele. - Ficamos meses fora, estou tentando voltar para a rotina - Forço um sorriso, ela ergue uma sobrancelha. Digito uma mensagem hesitante. Enquanto Sara falava sobre algo, completamente alheia. Toda vez que tentava entrar em contato com ele, sentia estar diante de algo desconhecido, já que ele só permitia que eu soubesse o que quisesse da sua vida, evitando de contar fatos íntimos. Após encarar a mensagem enviada, espero ser visualizada, até que depois de algum tempo, a resposta chega. Fria e distante. Oi, estou de volta, pensei em ver você. Eu não sei. Por favor. Kathléia, sabe como gosto das coisas. No lugar de sempre? Tá. Tudo bem. Depois do expediente. Obrigada. Digito rapidamente sob o olhar de Sara, encerrando a conversa. - Planos para mais tarde? - Ela pergunta por fim, terminando o café que havia pedido alguns minutos. Inspiro profundamente. - É. Eu tenho. - Kathléia - Seu tom de voz é de advertência, pressiono os lábios já sabendo o que viria em seguida. - Poupe suas palavras – digo séria. Ela ergue às sobrancelhas surpresa com a expressão incrédula. - Você sabe muito bem o que irá acontecer se não parar com isto – Ela vocifera irritada – Ele não ama você. Não quer nada sério com você. - Pode estar errada - digo no mesmo tom, fazendo-a franzir o cenho - Você nem o conhece. Sara pega a bolsa ao lado, pegando de seu interior o dinheiro da sua conta. - Sinceramente espero que sim. Odiaria ter que pegar os cacos do seu coração do chão - Sara levanta deixando o restaurante. Uma pequena parte de mim, sabia que Sara tinha razão e até havia criado uma dúvida na minha cabeça. Mas mesmo com tudo isto, ainda tinha em mente que precisava tentar, argumentando comigo mesma que poderíamos estar erradas. Nas horas seguintes, Sara fez questão de me ignorar, uma consequência da nossa breve discursão. Faltando minutos para o fim do expediente, meu coração já estava batendo acelerado e me sentia novamente uma adolescente com borboletas no estômago, ansiosa para seu primeiro encontro. Não era nosso primeiro encontro, mas nos encontrávamos tão pouco, que todos os encontros pareciam ser o primeiro. Vicent, um asiático, se aproxima no momento em que bato meu cartão, encerrado meu expediente. - Kathléia - diz sorrindo - Estávamos pensando em sair para beber e pensei que seria legal se fosse com a gente. Ergo às sobrancelhas forçando um leve sorriso. - Queria muito ir, mas já tenho compromisso – Olho para Sara um pouco distante com mais alguns colegas de trabalho. - Entendo – Vicent afaga meu ombro – Deixa pra próxima. Os observo sair conversando animadamente, inspirando profundamente antes de fazer o mesmo. Havia um pequeno apartamento no Upper West Side , no qual havia alugado, no intuito de ter privacidade, longe dos olhos da minha mãe. Estaciono o carro na garagem subterrânea, caminhando em passos largos após ligar o alarme do carro. Entro no elevador checando meu celular em busca de alguma mensagem, não havia nada, o que me fez solta o ar dos pulmões. Quatro andares depois, a porta do elevador abre, procuro a porta no corredor bem iluminado, desejando por uma fração de segundo que já estivesse me esperando, entretanto, ao abrir a porta do apartamento 435, me deparo com o escuro. Ascendo todas as luzes, deixando minha bolsa de lado, em seguida indo até a geladeira, me servindo de água. Sob a mesinha de centro havia uísque e conhaque, mas a ansiedade impedia que usasse o álcool para me acalmar. Espero impaciente por quase uma hora, até que ouço passos pelo corredor e em seguida a porta se abre. - Pensei que não viria – digo com um leve sorriso nos lábios, sentada diante da porta. Bruce fecha a porta atrás de si. - Acabei me ocupando um pouco além da conta – Ele se senta ao meu lado, após tirar o paletó. Fixo meu olhar em Bruce, apoiando a cabeça em minha mão. Havíamos nos conhecido graças a uma amiga em comum, Valerie, no dia de seu aniversário. De princípio nunca o vi com outros olhos, era amigo da minha colega de trabalho e respeitava a relação dos dois. Entretanto, após algumas desavenças entre ambos e breves términos, acabei por acidente me aproximando de Bruce e me vi presa em sua teia. Ficamos pela primeira vez e incrível que pareça, mesmo não fazendo meu tipo, gostei de sua performe na cama. Era inovador e com muito custo às vezes, ele me dava a atenção que almejava. Gostava do modo em que nos conectávamos na cama, algo que nunca havia sentido com nenhum outro homem.
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