Cidade do México - México
- Obrigado por vir.
Ergo um dos cantos da boca num pequeno sorriso, os olhos fixos no copo quase vazio de Mezcal, desviando o olhar em seguida para o tabuleiro de xadrez.
Ele se senta do outro lado da mesa, olhando com curiosidade o tabuleiro com às peças postas.
A pouca iluminação da boate, impedia que visse com clareza os traços do meu acompanhante, que tirava rapidamente um gravador e um bloco de notas da maleta de couro.
- Que tal começarmos do início, Sra. Martínez?
Viro o restante do líquido do copo na boca, apoiando o queixo nas mãos, movendo uma peça preta.
- Já levou um tiro, Sr. Rodriguez?
Ele ergue às sobrancelhas surpreso pela pergunta.
- Não, senhora.
- De imediato não se sente nada, somente uma pressão, como se algo tivesse empurrado com muita força o local onde o projétil entrou. Ou seja, primeiro sente o impacto do projétil. Em seguida o sangue começa a jorrar, e sente uma dormência, causada pela falta de irrigação sanguínea no local. Só depois vem a dor, como se tivesse sido perfurado por um espeto – Pego o pequeno copo de tequila na frente dele, virando na minha boca, usando a garrafa ao lado para encher novamente o copo – A primeira vez que me deram um tiro, acreditei que iria morrer...