A vida seguiu boa. Sabendo qual era a fonte da sua carência, ficou muito mais fácil de te agradar. Eu podia ser mais carinhoso e atencioso. Você gostava disso. Foi um mês no qual nós não passamos uma só noite separados. Eu amei cada segundo. Sei que você também, Madu.
A visita repentina da sua mãe naquela manhã, no entanto, não foi boa. Ela estava na sala em pé como uma estátua, quando eu de cueca box fazia cócegas em você de shorts doll. Uma brincadeira inocente que começou no quarto. Mas que recebeu uma reprovação severa da expressão da senhora que me olhou como se eu fosse uma barata.
Você ainda tentou me apresentar, muito sem jeito. Mas ela dispensou.
_ Tenha a paciência, Maria Eduarda. Dispensa o seu amiguinho que, nós precisamos conversar _ decretou mantendo o olhar firme sobre você que, pareceu diminuir de tamanho.
Eu me apressei em me vestir e, sair sem demora. Queria ficar e te defender, mas eu perderia a briga. Embora eu não saiba direito o conceito de mãe, sei que é poderoso. Uma mãe tem uma influência muito poderosa, eu sairia perdendo. Eu perderia você.
O dia foi pesado, pois eu sabia que aquela mulher te obrigava a fazer o que você não queria. Imaginava ela quebrando o seu ego em milhões de pedacinhos para que eu colasse. O seu olhar inseguro não saía da minha mente.
A noite, entrei na minha sala sentindo-me o mais inútil ser da face da Terra. Porquê eu não podia fazer nada. Visualizei no visor do celular e não tinha nenhuma mensagem sua, quando algo me ocorreu.
E se a sua adorável mãe, proibisse o nosso relacionamento? Você teria força contra ela? Você me queria o suficiente? Eu sei que sim. Você estava feliz comigo. Mas será que o que eu despertei em você te fortaleceu o suficiente para se impor?
Eu te liguei no mesmo instante. Você atendeu.
_ ALÔ! _ disse com a língua enrolada e caiu na risada por algum motivo.
Você estava bebeda. O som de fundo denunciava música alta.
_ Onde você está, Madu?
_ Eu sei o nome, mas não me lembro... É eu não me lembro _ riu descontrolada.
Eu sabia que essa conversa não ia dar em nada. Peguei o celular que eu roubei de você, para ver as suas mensagens e, tentar entender o que estava acontecendo.
_ Tenta lembrar, amor?
Busquei nas conversas com os seus amigos, enquanto falava com você. Encontrei um diálogo onde vocês marcaram naquele bar. Mas vocês deviam ter ido para um clube de lá. Tinha que ser perto.
Cheguei perto do bar e perguntei sobre um clube pelas redondezas para um comerciante. Ele me indicou dois. Fui para o mais próximo.
A essa altura, você desligou o celular, e não atendia mais. Eu estava sozinho. Lembrei de usar as localizações do celular. Caminhei dentro do clube desviando dos corpos dançantes até chegar no banheiro feminino. Você estava lá dentro.
Tentei te ligar e ouvi o sonido insistente. Segui o som, apesar do protesto de algumas garotas se maquiando.
_ Desculpa _ pedi.
O som do celular veio de uma porta fechada. Arrombei a porta com o meu corpo e te vi desmaiada sobre o vaso tampado. Você se drogou, Madu. Eu realmente não consigo acreditar nisso.
Peguei a sua bolsa e apoiei o seu corpo sobre o meu ombro. Por causa do pouco espaço para andar alí, isso era o mais confortável. Você estava totalmente apagada. Chegamos ao meu carro, onde tentei te acordar, em vão.
Nem sombra dos seus amigos inúteis.
Te levei para a minha casa e te deitei no sofá com um balde no chão ao lado.
A sua atitude não vai passar em branco. Você vai me explicar por que fez isso. Tenha certeza de que nós vamos conversar.
Duas horas depois, você acordou vomitando. Segurei os seus cabelos até você colocar um dia inteiro de alimentos e as bebidas para fora. Te entreguei o meu lenço para limpar a boca. Você me olhou arrependida.
_ Você está bem?
Você afirmou evitando me olhar.
_ O que aconteceu?
_ Eu fui no clube com os meus amigos do teatro.
_ Eles não estavam lá quando eu cheguei.
Você pareceu confusa e desconcertada _ Foram embora ou estavam ocupados.
_ Ocupados demais para te ajudar? Eles não são seus amigos, Madu.
_ Como você me encontrou?
_ Segui o meu coração e, o localizador do seu celular ligado ao meu.
Você sorriu _ Desculpa te dar trabalho. Obrigada.
_ O que é isso? Essa formalidade?
_ Minha mãe não gostou de você.
_ É sério isso?
_ Eu dependo dela.
_ Mas não precisa. Mora comigo?
_ Mas e... _ você pensou a respeito _ Não tem problema mesmo?
Sorri agrado _ Te ajudo com a sua mudança.
Você sorriu com gratidão _ Obrigada, Daniel. Preciso de um banho _ percebeu o cheiro forte de bebida na própria roupa.
_ Fica a vontade.
Deixei você se recompor, arrumei a bagunça e, preparei macarrão com queijo para nós dois. Quando você veio até a cozinha, seguindo o cheiro da comida, usando uma roupa que deixou aqui, estava presa na minha armadilha.
Sentamos para jantar.
_ Você estava apagada quando eu te encontrei. O que você tomou?
_ Eu não sei. A galera compartilhou um comprimido com bebida.
_ Você sempre coloca a sua vida na mão dos seus amigos assim? Não sabe o que tomou? _ acusei sem dó, desculpa, mas eu precisei.
_ Eu estava desolada depois da tarde inteira com a minha mãe. Ela me faz sentir tão pequena, errada, insuficiente. Ela me proibiu de ficar com você. Eu não sei o que acontece comigo. Ela tem aquela imponência que me domina. Precisava apagar ela em mim para conseguir me ver.
_ Não vai conseguir isso se destruindo, Madu _ segurei a sua mão sobre a mesa _ Você não é insegura. Você sabe bem o que quer. Mostra isso para ela.
_ Mas é a minha mãe.
_ Isso não a torna sua dona.
Você sorriu e pareceu mais confiante _ Me ajuda a encontrar um emprego?
_ Com todo prazer. Aliás, tem uma vaga na livraria.
_ Fico com a vaga.
_ Perfeito. Tenho mourse de chocolate para a sobremesa _ peguei na geladeira e servi sobre a mesa.
_ Hum! Chocolate _ gargalhou divertida pegando uma taça.
Como você mudou de repente! Nem parece a garota que se drogou para esquecer o quanto é fraca diante da mãe. Só um pouco de independência e, você já tem um lindo sorrir. Você está feliz novamente. Como hoje de manhã.
Quero te ver feliz, Madu. Sempre sorrindo despreocupada. Eu farei tudo o que eu puder por isso.
Nos beijamos com gosto de chocolate e, eu te amei em cima da mesa. Depois na nossa cama. Pois agora, ela também é sua. A minha casa e vida é sua e, você é minha.
Trouxemos as suas coisas para a nossa casa. Foram poucas caixas e duas malas de roupas. Antes do almoço já estava tudo no seu novo lugar. Tomamos um banho e fomos almoçar fora.
Acho que a sua mãe ainda nos causará problemas, mas agora, ela é problema meu.