Entrando na toca

321 Words
Conversamos sobre a sua casa _ É uma linda casa _ comentei. _ É da minha mãe _ você não gostava de ter que morar na casa da sua mãe, a sua expressão parecia frustrada. _ Isso é um problema? _ Não exatamente. Ela quer o melhor para mim. _ E você não? Você riu descontraída _ Eu quero coisas diferentes. Talvez não seja bom para mim. Mas é o que eu quero. A minha mãe não interfere, mas me obriga a conciliar as nossas vontades na minha vida. É uma condição para que eu possa morar nesta casa e manter a minha mesada. _ O que você quer é muito diferente do que o que a sua mãe quer? _ Eu quero ser atriz e a minha mãe quer que eu estude medicina. _ Uau! Isso é que é divergência de opinião. Você riu daquele jeito gostoso de novo _ Talvez eu devesse fazer letras e me tornar escritora. Acho que isso conciliaria a vontade das duas. _ É uma boa ideia _ reconheci mais por ser fácil fazê-lo. Mas, na boa, acho que a sua mãe não concordaria com isso _ Em que ano você está, na faculdade? _ Segundo semestre. _ Ser médico precisa ser uma vocação. _ Eu sei. Gosto da ideia de ajudar as pessoas. Talvez eu me torne psicóloga. Veria os meus pacientes se dividindo entre razão e emoção o tempo todo. Seria perfeito. Como ler um bom livro. Você é profunda, Madu. Sua visão sempre me surpreende. _ Mas e a sua carreira de atriz? _ Posso atuar nos finais de semana. _ Vou assistir todas as suas peças. Sorriu _ Daniel, você acredita em destino? _ Sim e não. _ Como assim? _ Acredito que há um caminho para você seguir, mas que é você quem escolhe como vai seguir. _ Está falando sobre ir acompanhando ou sozinho? _ Estou falando sobre tudo. _ Estávamos destinados a nos conhecer? _ Os iguais se encontram. Tomamos um banho juntos. Fizemos amor na banheira. Só depois deitamos na sua cama. _ Você não faz faculdade? _ Estou bem com a minha vida. Adoro livros e vivo da minha paixão. _ Sem maiores ambições? _ Isso me desclassifica para um bom marido, imagino. _ Marido? Você é rápido. _ Desculpa. _ Eu gosto disso em você. E você gosta do que faz. Continua, está indo bem. Sorri sem saber como me expressar. Já te disse que você me surpreende? Pois é assim neste momento. Em meio a minha falta de palavras, você me beijou a boca com um breve chupão seguido de outros e deslizou as mãos pela minha barriga. Você é fogosa, Madu. Sei que eu não consigo negar fogo a você, pois já estava em ponto de bala. Começou a me cavalgar assim que sentou no meu pênis. Você rebola tão gostoso. Acariciando os seus s***s eu suguei um mamilo após o outro, me demorando um pouco, neste carinho. Controlei os seus movimentos nos seus orgasmos para prolongar o seu prazer. Quando você parecia cansada eu te deitei na cama, ficando por cima e te dei mais um orgasmo antes do meu. Você virou de costas, satisfeita e, eu te abracei cheirando os seus cabelos. Você adormeceu logo, mas eu ainda fiz um balanço de tudo o que aconteceu desde que te conheci, nos meus pensamentos. E o meu veredito é, que eu faço qualquer coisa por você. O dia seguinte, era sábado. Você não precisava acordar cedo e, eu decidi que, eu também não. Julho se viraria sozinho hoje. Ficamos na cama até bem tarde. Te observei dormir, um pouco antes de você acordar e me flagrar te olhando. Me achou fofo. Depois do chuveiro com sexo. Saímos para tomar café e fizemos umas compras para que eu preparasse o nosso almoço. Você é tão divertida. Fez piada do espaguete e me contou uma fake news sobre molho de tomates. Algo sobre conter ratos nele. _ Que bom que eu faço o meu próprio molho _ isso mesmo, eu me segurei para não te dizer que os rumores eram sobre pêlos de ratos. Infelizmente os nossos deliciosos alimentos prontos não são nada higiênicos. _ Como você faz o seu próprio molho? _ E bem fácil. Tenho várias formas de fazer molhos de tomate, depende do tipo de molho que você gosta. Como eu gosto de molho ao sugo, italiano, eu demoro um pouco mais no fogão. Mas é ótimo. Dá para guardar em conserva por um bom tempo. _ Uau! Você realmente sabe cozinhar _ impressionei você. _ Tive uma ideia. Por que não almoçamos na minha casa? _ Vou adorar conhecer a sua casa. Fomos para a minha casa, então. Você ficou impressionada por ser um sobrado, notei. Deve ter achado que eu morava em dois cômodos de aluguel. Seria até pior, se eu não tivesse sorte. Depois de estacionar o carro na garagem, fechei o portão automático e entramos na minha cozinha pela porta interna da garagem lateral. Você viu minha grande e bem planejada cozinha e pareceu amar. Caminhou para perto do balcão e se maravilhou com tudo ao seu redor. Eu coloquei as coisas para o almoço sobre o balcão, atrás de você e esperei que me dissesse algo. _ É perfeita a sua cozinha. Você deve ser maníaco por limpeza. Eu nunca conseguiria manter um lugar tão limpo e organizado. _ Culpado _ brinquei _ Vamos conhecer o resto da casa. Te mostrei tudo, menos o porão. _ Não parece ser uma casa de aluguel. Reparou que eu decorei a casa toda nos mínimos detalhes. _ A casa é minha. Eu trabalho naquela livraria desde os doze anos. _ Como você pode ter sido empregado tão cedo? _ O dono da livraria me adotou. Direto das ruas para a casa dele. Foi corajoso o velho Morris. _ Ele estava certo. Você é uma boa pessoa. Voltamos para a cozinha, onde eu preparei um bom almoço com massa e, abri um bom vinho tinto para acompanhar. _ Onde está o Morris? _ Ele mora mais ao centro. Perto da livraria. Como você. Você ficou bem a vontade na minha casa. Imaginei você vivendo aqui comigo. A garota bangunçeira que você é, me dando um trabalho que eu não preciso, mas quero. Você é uma bagunça, Madu! E quando digo isso, falo de tudo. Dos seus amigos, das suas dúvidas, do mundo que te rodeia. Das pessoas que atrai. Garota você está perdida. Mas eu estou aqui e, quero tomar conta de você. _ Delicioso _ gostou da minha comida na primeira garfada. _ Posso casar? Já escolhi a noiva. _ Pode pegar a noiva _ declarou séria e sorriu de lado. Isso foi um rendimento a minha vontade. Eu te ganhei para mim, tão fácil... Nada é tão fácil. Sinto que terei que passar por uma prova todos os dias, para te manter comigo. Só assim essa facilidade tem sentido. Você escolheu o cara certo. Você me ajudou a limpar a cozinha. Está tentando me impressionar? Não precisa, mas fico lisonjeado. Gostei do seu esforço e principalmente da sua companhia de sorrisos e gentilezas. Quando terminei de lavar a louça, te segurei pela cintura e você se rendeu largando o pano. Me inclinei para um beijo e você completou a distância impaciente. Impaciente te define bem, Madu. Você me puxou com volúpia contra o seu corpo. Entendi o seu recado e te sentei sobre o balcão, tirando a sua calcinha com a sua ajuda. Você libertou o meu pênis da roupa com uma rapidez espantosa e, me puxando para entre as suas pernas, você mesma guiou a minha penetração. Impaciente te define realmente bem. Seu orgasmo veio em poucas investidas. Só então, você ficou carinhosa. Suas mãos passeavam pelo meu corpo, os seus lábios nos meus. Eu pude te despir e tocar a sua pele antes sob a camisa, tocar nas suas coxas levantando a sua saia. Você está sem sutiã. Isso me perturbou até este momento. Me deixei levar no fim dos seus gemidos sugestivos e deliciosos. Parece que não temos limites. O sábado se resumiu a sexo, comer e tentar assistir um filme que, foi interrompido por mais sexo. Sei que isso vai mudar em algumas semanas, motivo mais que justificado para aproveitar. Estou adorando, mas sinto que, é uma forma de você suprir a falta de atenção do seu pai. Onde será que está o seu pai, na sua vida? Na manhã de domingo, o seu celular tocou te acordando. Fechei os olhos para que você pensasse que eu dormia. _ Alô? Você ouviu a resposta e se levantou da cama para não me acordar. _ No próximo sábado? Claro que eu vou. Vi você ajeitar o cabelo atrás da orelha no corredor a frente do meu quarto, através da porta. _ Eu te amo. Você desligou o aparelho, pondo sobre o criado-mudo e foi para o banheiro. Olhei quem te ligou. Dizia: Sr Perfeito. A sua despedida ficou ecoando na minha memória. "Eu te amo"? Por que você diria isso? Quem era esse cara? O Sr Perfeito conseguiu tirar a minha paz. Foi a semana mais longa de que eu me lembro em toda a minha vida. Eu não ganhei um eu te amo ainda, porquê você disse isso para ele? Fiquei vigiando a sua casa no carro do Julho. Era bem cedo quando eu cheguei. Você saiu por volta das sete de Uber. Segui você até uma cidade pequena do interior de São Paulo. Você desceu do carro e caminhou por uma praça enfeitada e decorada. Haviam barracas e pessoas fantasiadas. Não entendi muito bem o que era, até identificar personagens de livros, mangás e HQs. Barracas ofereciam adesivos, camisetas, posters e etc. Segui você de longe. Você foi abordada por um senhor que te comprimentou com um beijo no rosto e conversou com você de perto. A minha pergunta continuava. Se este era o Sr. Perfeito, quem era ele para você? Durante o dia, vocês almoçaram juntos e, vi nitidamente quando ele te entregou dinheiro vivo em uma certa quantia. Vocês conversaram longamente. Você sorria muito e lhe lançava um olhar arrependido que me lembrou o soar dos seus pedidos de desculpa. Havia um passado entre vocês. Algo profundo a ponto de merecer um eu te amo. Fiquei constrangido em estar assistindo. Como se eu fosse um intruso. Como se eu não fosse o suficiente para estar na sua vida e, muito menos de estar aqui. Voltei para casa dizendo a mim mesmo que eu me enganei. Você não podia ser minha. Você já tinha alguém. Cheguei em casa desolado. Chorei feito uma criança no trajeto inteiro. Deitei no sofá do jeito que eu estava e, adormeci em tristeza. Haviam muitas mensagens suas em meu celular, quando eu acordei. Você chegou na capital as cinco da tarde. Queria me ver. Um misto de tristeza e raiva me fez lançar o celular sobre o sofá. Fui tomar uma ducha. Fortes batidas na porta interrompendo o meu banho me irritou o bastante para eu querer xingar quem quer que fosse. Mas dei de cara com você. Você entrou sem ser convidada. Fechei a porta e te dei atenção. Estava com uma toalha na cintura e o meu corpo estava todo molhado. _ Você não responde as minhas mensagens. O que aconteceu com você, Daniel? _ Acordei agora. Eu não li. Pensei que o seu sábado estivesse ocupado. Você me olhou em silêncio por um segundo antes dos seus olhos encherem d'água. Droga! Falei em meus pensamentos, antes de abrir os braços para te consolar. O que aconteceu comigo? De namorado a consolo para o seu ex. Que decadência! Você chorou copiosamente por uns quinze minutos até se acalmar. _ Quer falar sobre isso? _ ofereci. Você negou olhando para as próprias mãos. Respirei fundo contendo a minha irritação quanto a isso _ Eu estava tomando banho quando você chegou. Pode me esperar? Você afirmou. Tomei o banho tentando exorcizar os meus demônios. Como tocar no assunto sem dizer que eu te vi? Desci as escadas vestido para sair. Sentei a sua frente no sofá com as mãos nos bolsos da blusa. Você me encarou. _ Quem é ele, Madu? _ tentei. _ O que? _ Nenhuma mulher chora deste jeito se não for por causa de um cara _ fingi jogar verde. Você suspirou e se ajeitou no sofá _ O meu pai. Gargalhei aliviado inconvenientemente _ Desculpa _ pedi. Fui para o seu lado e te abracei te ouvindo enquanto me lembrava do que vi. _ Sinto que nunca mais terei o meu pai de volta. Desde que ele se casou de novo, eu fico deslocada, tentando me encaixar. _ Meu amor, sei que você compreende que ele ainda é o seu pai. Vocês apenas não estão mais tão ligados. Não podem mais e não precisam. Mas ele te ama. Você me abraçou mais apertado e deitou no meu peito _ Senti tanto a sua falta. Eu precisava te ver, ficar assim dentro do seu abraço. Sentir a sua proteção. _ Me Desculpa, amor. Eu deveria estar aqui para você. Estou aqui agora. Está tudo bem.
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