A música suave preenchia o salão, um fundo elegante para o balé silencioso de olhares, sorrisos falsos e taças tilintando. Eu observava Stella, parada perto da mesa central, rodeada por um pequeno círculo de familiares e convidados curiosos. Ela sorria, ria de algo que um tio contava, segurava a taça com leveza. Mas o que me torturava era a naturalidade com que ela dominava o ambiente. Ela não sabia o poder que tinha. A forma como a luz refletia no cabelo solto, o vestido vermelho delineando cada curva, o perfume que deixava um rastro doce e provocante. A cada passo dela, um homem parava para olhar. Alguns disfarçavam, outros não se davam ao trabalho. Lucas, o ex-noivo, a devorava com os olhos, como um homem faminto à beira da ruína. Minha mandíbula doía de tanto que eu forçava os de

