Isabela
Depois que a rotina da faculdade se firmou, nós também nos firmamos de um jeito diferente.
Não havia mais aquela contenção cuidadosa de antes. Não era mais sobre “ir devagar”. Era sobre nos querer, simples assim. O sexo passou a fazer parte da nossa relação como algo natural, quase urgente. Jovem, intenso, repetido.
Eu gostava de quem eu era com Lucas.
Gostava da forma como meu corpo respondia sem medo, como eu reconhecia os sinais antes mesmo de pensar: o calor que surgia rápido, o pulsar baixo que se espalhava quando ele me encostava do jeito certo, o arrepio imediato quando a mão dele subia com intenção clara.
Eu tinha aprendido a gostar de provocar.
E ele percebia.
Às vezes bastava um olhar mais demorado, um roçar “sem querer” quando estávamos sozinhos, para o corpo dele reagir. A rigidez vinha rápido, evidente, e isso me dava uma sensação nova de poder — não sobre ele, mas sobre mim mesma.
— Você faz isso de propósito — ele murmurava, com a voz baixa.
— Faço — eu respondia, sem culpa.
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Lucas
Era impossível fingir que aquilo não me afetava.
Isabela tinha mudado. Não de forma artificial, mas desperta. Sabia exatamente como me desarmar. Um sorriso sustentado. Um toque leve que subia pelo meu braço. Um beijo que começava inocente e virava incêndio em segundos.
O sexo entre nós era quente. Frequente. Às vezes rápido demais, outras lento, explorado. Mas sempre intenso. Sempre nosso.
E eu gostava disso. Muito.
Mas comecei a perceber que outros também percebiam.
Na sala, nos corredores, nas áreas comuns do campus. Olhares demorados demais. Sorrisos que não eram inocentes. Comentários que eu fingia não ouvir, mas que ficavam ecoando.
— Sua namorada chama atenção — um cara comentou certa vez, em tom de brincadeira.
Eu ri, mas não gostei.
— Ela sempre chamou — respondi, seco.
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Isabela
Eu percebia o ciúme de Lucas antes mesmo de ele dizer qualquer coisa.
Não era agressivo. Não era controlador. Mas era presente. Um aperto no maxilar quando alguém me olhava. Um silêncio estranho depois de algum comentário. Um braço em volta da minha cintura em situações em que antes ele não sentiria necessidade.
— Você tá bem? — perguntei uma tarde, depois de uma aula cheia.
— Tô — ele respondeu rápido demais.
Encostei nele, baixando a voz.
— Lucas… você tá diferente.
Ele respirou fundo.
— É só… eu não tô acostumado com isso. Com as pessoas te olhando desse jeito.
Sorri, sem ironia.
— Elas olham. Mas não entram comigo no quarto. Não sabem como eu sou com você.
Isso pareceu acalmá-lo por alguns minutos.
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Lucas
Ela não fazia ideia do quanto aquela frase mexeu comigo.
Saber que Isabela era minha, que aquele lado provocativo, quente, vivo, era algo que ela escolhia dividir comigo, me dava segurança. Mas também criava medo. Medo de perder.
Em uma noite qualquer, depois de estudarmos juntos, fomos para o meu quarto. A casa estava silenciosa. A porta fechada. O clima… inevitável.
Ela se aproximou sem pressa, sentou no meu colo, e eu senti o corpo reagir na mesma hora. A pressão contida, a tensão evidente, o desejo pedindo passagem.
— Você já tá assim? — ela provocou, rindo baixo.
— Você sabe o efeito que tem — respondi, puxando-a para mais perto.
O beijo foi intenso. As mãos se perderam. O corpo dela se alinhou ao meu, e o atrito fez tudo pulsar de uma vez.
O sexo veio rápido, quente, quase urgente. Não havia mais nervosismo, apenas vontade. Quando terminamos, ficamos deitados, suados, respirando fundo.
Eu passei a mão pelos cabelos dela.
— Às vezes eu penso… — comecei, hesitante.
— Pensa o quê? — ela perguntou, ainda com a respiração descompassada.
— Se você percebe o quanto chama atenção.
Ela virou o rosto para mim.
— Percebo. Mas isso não muda nada.
Eu assenti. Mas o pensamento ficou ali.
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Isabela
Eu não queria que Lucas se sentisse inseguro por minha causa.
Mas também não queria diminuir quem eu estava me tornando.
Contei para minha mãe numa noite tranquila, sentadas no sofá.
— Ele anda um pouco mais ciumento — falei, sem drama.
Minha mãe me olhou com atenção.
— Ciúme existe. O problema é o que se faz com ele.
— Ele não me controla. Só… sente.
— Então observa — ela respondeu. — Amor bom não apaga ninguém.
Guardei aquilo comigo.
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Lucas
Os dias passaram, e a rotina da faculdade começou a incluir festas, encontros, convites.
— Vai ter uma social sexta — um colega comentou. — Leva tua namorada.
Isabela ouviu e sorriu.
— A gente vai? — ela perguntou.
Meu primeiro impulso foi dizer não.
Mas engoli.
— Vai ser bom — respondi. — A gente vai.
Por dentro, eu já sabia: aquilo ia me testar.
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Isabela
Na festa, eu me sentia bem. Confiante. Bonita. Viva.
Eu dançava com Lucas, ria, conversava com pessoas novas. Não havia flerte da minha parte. Só presença. Mas os olhares vinham mesmo assim.
Um cara puxou conversa.
— Você é do primeiro ano, né?
— Sou — respondi educadamente.
Lucas apareceu ao meu lado quase instantaneamente.
— Ela tá comigo.
O tom não foi rude, mas foi firme.
O cara levantou as mãos, rindo.
— Tranquilo, irmão.
Depois, Lucas ficou mais quieto.
— Você não precisava ter feito isso — eu disse, já fora da festa.
— Eu sei — ele respondeu. — Desculpa.
Encostei nele.
— Só não deixa isso virar algo maior do que é.
Ele assentiu.
— Eu vou tentar.
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Lucas
Mas, naquele momento, eu percebi algo que me assustou um pouco.
Eu não estava com medo de perder Isabela para outro cara.
Eu estava com medo de não ser suficiente para a versão nova dela.
E esse medo… eu ainda não sabia lidar.