— Cada um escolhe o seu próprio caminho e enfrenta os seus próprios desafios.
— O senhor está se sentindo muito filosófico hoje, Dr. Riotti. Continuo o jogo enquanto me viro para encará-lo. — Está tentando me seduzir com palavras bonitas?
— Talvez. Ele balança a cabeça de um lado para o outro com um sorriso provocador. — Está funcionando?
— Talvez outra hora, quando eu não estiver me sentindo um trapo e a minha amiga, a de vermelho, não estiver por perto. — Desculpe, mas não estou com vontade de beijos inocentes hoje.
— Pelo menos não é um "não" definitivo. Ele dá de ombros, olhando para a frente. Ficamos parados por alguns instantes, apreciando o vento frio e a calmaria. O inverno já está passando e logo começará a chover. — Está se sentindo melhor?
— Um pouco. Respondo hesitante. — Muito obrigada. Agora me sinto um pouco culpada por não ter caído na sua sedução inteligente.
— Não se preocupe, simplesmente não era o dia certo. Tenho certeza de que você dirá sim amanhã.
— Ou você pode encontrar outra pessoa disposta a lhe dar mais do que um beijo sem graça.
— Os seus beijos não são nada sem graça, Leah Falco, e eu poderia fazer isso, mas ainda assim gostaria de te beijar. Ele admite abertamente. — Confesso que tenho uma espécie de predileção pelos seus lábios. Você é viciante, Leah.
— Por um momento, esqueci como você é direto. Digo, sorrindo.
— Eu já sou velho, querida.
— Vamos lá. Bufo. — Você não é tão velho assim. Pelo contrário, acho que está no auge.
— Você tem razão. Então... Ele acrescenta alguns segundos depois. — Você aceita amanhã?
— Não sei. Respondo, fingindo avaliar a ideia. — Pergunte de novo e veremos.
— Você é um paqueradora adorável, sabia?
— Prefiro me chamar de carismática. Esclareço, piscando m*aliciosamente. — É por isso que todos me amam.
Exceto a mulher que me deu a vida. Acrescenta o meu subconsciente irritante.
— O intervalo para o almoço está quase acabando. Ele encerra, ainda de bom humor. — Você deveria comer alguma coisa.
— Acho que vou ao café da esquina. Explico mais alegremente. — Quero uns nachos lá de fora.
— Bom apetite, então.
Espero até que ele desapareça antes de respirar fundo e me aproximar. A mesma garçonete loira de sempre anota o meu pedido, e eu me acomodo na minha mesa favorita, contemplando a cidade. Por ser uma área hospitalar, as ruas são bastante movimentadas. deleito com cada pessoa que passa diante dos meus olhos, imaginando as suas histórias.
É meio-patético, mas sempre gostei de fazer isso.
— Aqui está. Ele me entrega o prato enorme de nachos, junto com a tigela de guacamole e um refrigerante. — A bebida é por conta da casa.
— Obrigada.
Começo devagar, mesmo estando atrasada para a sessão da tarde, sem tirar os olhos da estrada.
De repente, a minha energia renasce e tudo o que vejo me faz rir. Paro para olhar o refrigerante e percebo no rótulo que não é o que costumo pedir. Deve ser isso. A bebida é deliciosa e me deu mil anos de vida.
De agora em diante, sempre vou pedir.
Começo a caminhar de volta, em êxtase e um pouco sonolenta. Suponho que o meu estado hormonal tenha algo a ver com a mudança repentina nas minhas emoções.
Caminhando nas nuvens, esbarro em alguém e evito acabar esparramada no chão. Graças ao aperto forte da mesma pessoa com quem colidi.
— Ah, desculpe. Peço desculpas envergonhada enquanto uma sensação estranha invade o meu peito. É como uma espécie de déjà vu. — Eu não estava prestando atenção e...
Uma onda repentina de tontura me atinge, então aperto os braços que me seguram com mais força. As minhas pernas ficam instáveis enquanto o meu organismo parece querer entrar em colapso.
O meu peso fica leve demais, como se eu estivesse voando pelo ar, e então me vejo encarando o rosto mais lindo que já vi.
— Eu o conheço, sei que o conheço, só não consigo me lembrar de onde.
— Talvez nos seus sonhos eró*ticos, Leah.
— Olá, querida. A voz profunda e quente me hipnotiza a ponto de eu ter que fechar os olhos. — Sentiu a minha falta?
As minhas pálpebras estão pesadas demais, e não consigo evitar, mas desabo sobre o seu corpo robusto.
O que dia*bos havia naquele refrigerante?
Tento abrir os olhos repetidamente, mas a tarefa se torna uma tortura. As minhas pálpebras estão pesadas demais e as minhas têmporas latejam como se eu estivesse com a pior ressaca da história. Depois do que parece uma eternidade, consigo acordar apenas para ter a minha visão prejudicada pela intensidade da luz.
Consigo me sentar e então olho ao redor. Estou numa cama enorme, num quarto que provavelmente tem o tamanho do meu apartamento inteiro. O bordado dourado nas paredes, cortinas e a decoração geral machucam os meus olhos quase tanto quanto a luz.
Onde dia*bos eu estou?
Tento vasculhar a minha memória para descobrir como dia*bos fui parar neste museu da era vitoriana, enquanto ando por ali. Tudo o que me lembro é do meu dia de merda, do almoço no refeitório na esquina do hospital e... da tontura. Esbarrei em alguém... acho.
Meu Deus! Havia algo naquela bebida. Será que fui enganada?
Roubaram alguma coisa de mim? Fico pensando, notando que não estou usando as mesmas roupas e nenhum sinal dos meus pertences, embora eu só tivesse o meu celular e alguns euros comigo.
E se algum psicopata assassino me sequestrasse para me estuprar e depois me assassinasse?
Eles não tocaram nas minhas partes íntimas, isso é certo. Se sim, eu saberia.
Mas eu estava drogada.
Pelo amor de Deus! O que fizeram comigo?
E se eu fosse assaltada e resgatada por algum príncipe milionário? Talvez seja por isso que estou neste quarto luxuoso.
Pare de pensar bobagens, Leah! O meu subconsciente histérico me repreende, mas eu simplesmente não consigo evitar. Milhões de ideias se misturam na minha cabeça, me dando dor de cabeça.
Encontro um copo d'água e dois comprimidos no criado-mudo, com um bilhete que diz "Tome estes". No entanto, não tenho ideia de onde estou ou com quem estou, então não vou tomar nada. Já me enganaram com aquela refeição.
— A bebida é por conta da casa. Lembro-me com a voz doce da loira.
— Garçonete do inf*erno! Vou denunciá-la. Vou cortá-la em pedaços.
No entanto, para isso, preciso sair daqui.
Corro para a porta e não posso dizer que estou surpresa quando ela está trancada.
Definitivamente fui sequestrada.
Tento arrombá-la, mas a vaga*unda não se move. Procuro no criado-mudo algo que me ajude. É inútil! Vou até o armário enorme no canto e fico mais rígida que a Barbie ao identificar as minhas próprias roupas.
— O quê...? Paro de repente quando uma ideia ridícula me ocorre.
Penso nisso por vários minutos, mas no final decido tentar. Afinal, não tenho nada a perder.
— Tempos desesperados exigem medidas desesperadas.
Tiro o aro de metal do primeiro sutiã que vejo e corro para a porta.
— Vamos, vamos. Digo na terceira tentativa. — Você consegue, Leah, você... Congelo por um instante ao ver a maçaneta girar. Então reajo, pulando de alegria. — Eu consegui. Murmuro, olhando para o pedaço de metal. — Po*rra, eu consegui! Obrigada, Sr. Criador do sutiã com aro.
Abro a porta com as mãos trêmulas, mas então me deparo com o corpo de uma fera e olhos brilhantes, cor de fogo.
— Vai a algum lugar, garota? A voz se torna real.
Eu o conheço, já o vi antes...
— Não. Recuso-me a acreditar no que vejo. — Esta é apenas mais uma das suas fantasias.
No entanto, por mais que eu me recuse a olhar ou ouvir, ele está diante de mim, com um sorriso sinistro.
— Você se lembra de mim? Ele faz outra pergunta.
— Você é... Aponto o meu dedo indicador para ele, suspenso no ar, cheio de descrença. — Você é... o Dia*bo!
— Isso mesmo, pequena. Ele mostra os seus dentes perfeitos com um olhar feroz, como se ele fosse o caçador e eu a presa prestes a ser devorada. — E eu também serei o seu captor e o seu carrasco.
— Como...? Paro por alguns segundos para organizar a minha mente perturbada. — Onde estou? Num impulso, me jogo no seu peito para acertá-lo. — O que você fez comigo, seu filho da p*uta?!
— Você está em Oakland, nos meus domínios. Ele responde, tirando meu fôlego instantaneamente. — Os Estados Unidos... Estou em outro continente?
— E se você se acalmar, eu lhe direi o que quiser saber.