A noite seguinte à descoberta da traição foi marcada por um silêncio opressivo na casa de Edmundo e Olivia. Enquanto o mundo lá fora continuava sua rotina, dentro de casa havia um clima tenso, quase sufocante. Edmundo tentava agir normalmente, mas a tensão emanava dele como uma aura pesada. Olivia, por sua vez, estava em estado de choque, a traição ainda fervilhando em sua mente como um veneno.
Após a cena que presenciara, a raiva se transformara em uma determinação ardente. Ela não podia permitir que Edmundo e Érica escapassem impunes. Era como se uma nova força a impulsionasse, uma vontade de lutar pela verdade. Ela decidiu que iria contar a todos sobre a traição deles, expor a farsa que era seu casamento, mesmo que isso significasse um divórcio doloroso. Mas o que ela não sabia era que Edmundo tinha outros planos.
Naquela noite, Edmundo estava nervoso. Sentado à mesa da cozinha, os olhos fixos na xícara de café que esfriava à sua frente, ele tentava controlar a situação. O medo de perder tudo o que havia construído o consumia. A fortuna de Olivia era um trunfo que ele não estava disposto a abrir mão. O pensamento de um divórcio o atormentava, e a ideia de ter que dividir a herança o deixava em pânico.
"Eu não posso deixá-la contar a ninguém," pensou Edmundo, sua mente fervilhando com planos. "Preciso fazer algo. Rápido."
Ele sabia que não podia simplesmente deixar as coisas como estavam. A raiva de Olivia poderia levá-la a fazer coisas impensáveis. Edmundo estava determinado a proteger sua posição, mesmo que isso significasse tomar uma atitude drástica. Ele começou a elaborar um plano, um plano que faria com que Olivia nunca pudesse denunciá-los.
Enquanto isso, Olivia subia as escadas, alheia ao que se passava na mente de Edmundo. Com o coração acelerado, ela começou a pensar em como expor a traição. O primeiro passo seria reunir provas e contar a alguém de sua confiança. O medo do que poderia acontecer a paralisava, mas a necessidade de justiça a impulsionava.
No entanto, à medida que subia para o quarto, Edmundo a seguiu. Ele estava decidido a evitar que Olivia falasse, e a raiva dele se intensificava com cada passo que ela dava. Quando ela alcançou o andar de cima, a tensão entre eles se tornava palpável.
— Olivia, precisamos conversar! — Edmundo chamou, a voz carregada de uma urgência que ela não compreendia.
— Conversar? Sobre o quê? Sobre a sua traição com a minha irmã? — ela respondeu, a voz tremendo de indignação. — O que você acha que vai acontecer agora, Edmundo? Eu quero o divórcio, se quiser falar comigo esse será o tema da nossa conversa.
Ele a encarou, a expressão um misto de raiva e desespero.
— Você não entende. Se nos divorciarmos e se você expuser esta situação publicamente pode perder tudo! Nós podemos resolver isso. — Ele se aproximou, a mão se levantando como se fosse tocar seu rosto, mas Olivia recuou, a repulsa inundando seu corpo.
— Resolver? Como? Fingindo que nada aconteceu? — Ela riu de forma amarga, o desprezo evidente em seu olhar. — Você não pode simplesmente continuar vivendo essa mentira.
Edmundo respirou fundo, tentando manter a calma. Ele não podia deixar que Olivia arruinasse tudo. A adrenalina pulava em suas veias, e a raiva o guiava. Ele precisava agir rapidamente.
— Olivia, você precisa parar com isso! — A voz dele se tornou uma ordem, e a frustração se transformou em um impulso irrefreável.
Sem pensar, ele se aproximou dela, pegando-a pelo braço e empurrando-a em direção à escada. A força do movimento a surpreendeu, e ela perdeu o equilíbrio. O mundo ao seu redor girou enquanto ela escorregava, o coração disparando, um grito preso na garganta.
O último pensamento que cruzou sua mente foi a incredulidade. Como tudo tinha chegado a esse ponto? Como o homem que prometeu protegê-la se tornara o seu carrasco? A escada parecia interminável, e a queda foi rápida, dolorosa, como se o tempo tivesse desacelerado.
Quando Olivia atingiu o chão, um estrondo ecoou pela casa. O impacto foi devastador. A dor que atravessou seu corpo foi instantânea e avassaladora, mas logo se transformou em uma escuridão profunda. Ela não conseguiu mais pensar, apenas sentiu o mundo desmoronar ao seu redor.
Edmundo olhou para o corpo de Olivia estirado no chão, seu coração acelerando com o medo do que acabara de fazer. Ele nunca imaginou que seria capaz de tal ato, mas a necessidade de se proteger era mais forte do que qualquer moral. Ele não tinha escolha.
— Não! Olivia! — Ele gritou, jogando-se ao lado dela, seu rosto uma máscara de preocupação fingida. O pânico tomou conta de seu ser, mas ele sabia que precisava agir rapidamente.
Com a mente ainda em choque, Edmundo se levantou e olhou para a escada. Se alguém visse isso, se alguém soubesse... Ele precisava fazer parecer um acidente. A história teria que ser convincente.
Ele puxou Olivia, arrastando seu corpo até o topo da escada novamente, posicionando-a de forma que parecesse que ela havia escorregado. A mente de Edmundo estava correndo. Ele começou a ensaiar as palavras que usaria, as lágrimas que teria que fingir, e o desespero que deveria transmitir.
Quando acabou, ele olhou para o corpo de Olivia uma última vez. A expressão dela estava tranquila, como se estivesse dormindo, mas Edmundo sabia que tudo estava prestes a mudar. Ele precisava se apressar.
Ele desceu as escadas e pegou o telefone, discando rapidamente para os serviços de emergência. A voz do operador ecoou em seus ouvidos enquanto ele tentava controlar sua respiração.
— Olá, preciso de ajuda! Minha esposa teve um acidente! — sua voz estava entrecortada, como se o desespero estivesse tomando conta dele. Ele fez questão de enfatizar a gravidade da situação, saboreando o drama que estava criando.
Depois de desligar, ele se atirou no sofá, como se estivesse aguardando a chegada da ajuda. Um ator em uma peça trágica, desesperado pela perda que não sentia. Quando a ambulância chegou, Edmundo estava lá, lágrimas nos olhos, a cena cuidadosamente encenada.
Os paramédicos se apressaram para examinar Olivia, mas Edmundo se adiantou, fazendo perguntas, dramatizando a cena do acidente. Ele falava em um tom elevado, com uma voz embargada, o que tornava tudo ainda mais convincente. Ele observava enquanto a equipe tentava reanimá-la, cada segundo se arrastando, enquanto a verdade dele se tornava mais intrincada.
Por fim, um dos paramédicos se virou para Edmundo, o olhar sombrio.
— Sinto muito, senhor. Não conseguimos salvá-la.
As palavras ecoaram na mente de Edmundo, mas ele forçou uma expressão de horror. A perda. A tragédia. Ele se permitiu um momento de desespero fingido, enquanto por dentro, um turbilhão de emoções conflitantes girava.
Olivia estava morta, mas a verdadeira dor não era a dela, mas sim a dele, o medo do que isso significava para sua vida. E com a certeza de que nunca seria descoberto, Edmundo se viu cercado pela liberdade que sempre desejou.