Capítulo 24

982 Words
Capítulo 24 Marcos (Terror) narrando Joguei Maju sobre a cama e fiquei alguns segundos olhando para aquela garota completamente fora de si. Ela m*l conseguia manter os olhos abertos. Ajoelhei para tirar os tênis dela, porque daquele jeito ela provavelmente dormiria até com eles. Assim que terminei, ela abriu os olhos lentamente e me encarou com uma expressão perdida. — Os duendes falaram que esconderam um pote de ouro no final do arco-íris. Fiquei olhando para ela. — O quê? Ela sorriu. — Mas o arco-íris é rosa. Passei a mão pelo rosto. — Maju, cala a boca e dorme. Ela começou a rir. — Eles estão me oferecendo chocolate. Olhou para um canto vazio do quarto. — Fala para eles irem embora porque eu quero dormir. — Quem está oferecendo chocolate? Ela apontou para frente. — Aquele ali. — Aquele quem? — Ele é rosa. Fechei os olhos por alguns segundos. — Meu Deus do céu... Ela voltou a rir. — Você está bravo. — Estou. — Por quê? — Porque você não para de falar. Ela ficou alguns segundos em silêncio. Então colocou a mão na própria cabeça. — Eu estou passando m*l. Sentei na beirada da cama. — O que você está sentindo? Maju se ajoelhou no colchão e se aproximou de mim. Antes que eu entendesse o que ela estava fazendo, passou a mão pelo meu rosto. Segurei seus pulsos. — O que você pensa que está fazendo? Ela sorriu. — Quero te beijar. Aproximei o rosto apenas o suficiente para afastá-la. — Vai dormir. Soltei suas mãos. Ela caiu sentada na cama e começou a olhar para a janela. — Terror... — O quê? — Tem alguma coisa ali. Olhei para a janela. Não havia nada. — Não tem p***a nenhuma. Ela arregalou os olhos. — Tem sim! Levantou de repente. — O pintinho amarelo voltou. Começou a andar pelo quarto atrás de alguma coisa que só existia na cabeça dela. — Pega ele! Respirei fundo. — Maju, volta para a cama. — Ele vai fugir! — Volta para a cama. Ela começou a rir novamente. — Você não está vendo? — Não. — Ele é bonito. — Vai dormir. Consegui colocá-la novamente sobre o colchão. Peguei o rádio. — Sorriso. — Fala, chefe. — Descobre quem era aquele homem que tentou agarrar a Maju. Minha voz saiu carregada de raiva. — E desce a porrada no lelê. — Pode deixar. Desliguei o rádio e o joguei sobre a mesa. Maju continuava gargalhando. De repente, parou. O sorriso desapareceu. Ela ficou sentada olhando para o nada. — Terror... — O quê? — Eu estou passando m*l. Levantei imediatamente. — Respira. Não deu tempo. Ela se inclinou para frente e vomitou. Uma parte atingiu minha roupa. Fiquei parado por alguns segundos, completamente incrédulo. — Sua filha da puta... Ela caiu novamente sobre o colchão. Os olhos se fecharam. — Maju? Nada. Balancei seu ombro. Ela apenas resmungou. Percebi que estava apaganda. Respirei fundo e resolvi cuidar da situação antes que aquilo piorasse. Levei-a até o banheiro e deixei que tomasse um banho, ficando por perto para garantir que não caísse. Ela estava tão zonza que m*l conseguia ficar de pé. Depois de algum tempo, consegui colocá-la de volta no quarto. Vesti nela uma camiseta larga e deixei um copo de água ao lado da cama. Ela já estava praticamente dormindo. Fiquei olhando para ela por alguns segundos. Aquilo não combinava com a Maju que eu conhecia. Ela não tinha estrutura nenhuma para aquele tipo de coisa. E, pelo estado em que estava, provavelmente tinha sido a primeira vez. Puxei o cobertor sobre ela. — Dorme. Saí do quarto e fechei a porta. Antes de ir embora, tranquei. Não porque achasse que ela fosse fugir. Mas porque, daquele jeito, era capaz de levantar e se machucar. Desci para a boca. Quando cheguei, encontrei Sorriso sentado mexendo no celular. — Cadê o PH? — Deve estar atrás da Cecília. — E a Maju? — Dormiu. Ele começou a rir. — A bebida bateu bonito? Acendi um baseado. — Ela estava vendo coisa que nem existe. — Sério? — Duendes, pintinhos segundo a gente, bicho rosa... Sorriso soltou uma gargalhada. — Então foi forte mesmo. — Acho que foi a primeira vez que ela passou por isso. Meu olhar ficou sério. — E justamente por isso quero saber onde está o lelê. Sorriso assentiu. — Estamos procurando. Fiquei alguns segundos em silêncio. Depois lembrei do homem que tinha se aproximado dela. — E o cara? — Que cara? — O homem que estava com ela no baile. Sorriso deu de ombros. — Tentamos encontrar depois que você mandou parar tudo, mas ele sumiu no meio da confusão. — Puxa as câmeras. Ele me encarou. — Acha que ele estava atrás dela? — Não sei. Soltei a fumaça lentamente. — Mas ele apareceu do nada, foi direto nela e desapareceu assim que começou a confusão. Sorriso ficou pensativo. — Pode ter sido só um cara querendo ficar com uma mulher bonita. — Pode. Olhei para a entrada da boca. — Mas ultimamente está acontecendo coisa demais ao mesmo tempo. O pai da Maju desapareceu. Andrade assumiu o comando da delegacia. Agora aparece um desconhecido no baile e vai direto nela. Não gosto de coincidências. Sorriso ficou sério. — Você acha que a mãe dela falou alguma coisa? — Não sei. Passei a mão na barba. — Mas se alguém estiver tentando chegar até mim usando a Maju... Deixei a frase morrer. Não precisava terminar. Sorriso já tinha entendido. Acendi outro baseado e fiquei olhando para o movimento da boca. A imagem do pai dela passou pela minha cabeça. Aquele homem nunca foi tão simples quanto Maju acreditava. Ele escondia coisa demais. Segredos demais. E eu tinha a sensação de que, cedo ou tarde, tudo aquilo voltaria para cobrar a conta. Principalmente dela.
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