CAPITULO DOIS.

837 Words
Minha noite poderia ter acabado de uma forma melhor se eu poupasse um atropelamento. Ao invés disso estou ouvindo Thalia me dar uma lição de moral que já até decorei. Enquanto encaro as estrelas penso se você iria querer que eu ficasse aqui? Sabe, há tão pouco azul na cidade e ninguém, todos na cidade estão vivendo sem perceber os prédios se erguendo na volta e engolindo nossa capacidade de reparar nos detalhes. E eu sou mais um deles desde de que você se foi, mãe.  ‘’ Vai ficar com a casa do lago?’’ Mônica vem até mim com uma sapatilha que gruda fazendo barulho até no chão de porcelana.  Eu revirei os olhos e encarei as duas então, Thalia posou o cotovelo no vidro da mesa, assim como os meus. Entortou o nariz fazendo aquela cara ''Vou te irritar, imitando você.'' Eu levantei minhas sobrancelhas, sabia que ela não conseguia fazer, ela rio e eu dei meio sorriso.  ‘’Não quero ficar com nada da Coreia, apenas me deixem ir, não me importo com testamento.’’ Dei de ombros.  ‘’Mônica, deixe ele ir!’’ Thalia parecia irritada já, enfim eu consegui meu passe livre.  Mônica bocejou e me olhou entre os cílios carregados de uma cor vermelha, sempre me perguntei por que ela  gosta tanto de maquiagens extravagantes e coloridas, acho que ela compensa o medo de envelhecer que ela tem. ‘’Giovani ninguém gosta de inventários, muito menos dessa burocracia toda!’’ Sua mão cheia de anéis pousa no meu ombro. ‘’Ainda bem em momentos como esse estamos todos juntos com vocês.’’ Eu olho fundo nos olhos dela e parece que ela me entendeu, respirou fundo segurando a pasta rente ao peito, me senti enjoado.  ‘’Eu não me importo com os bens materiais, olhem ao redor ela morreu cheia deles, e onde ele estava? Mas, amanhã ele virá para o enterro e bancar o marido preocupado quando nem o número do quarto dela ele sabia.’’ Me exalto e sinto um peso no meu coração, preciso de whisky ou vodka, não um copo, uma garrafa. ‘’Eu estava lá para ela todos os dias, e agora que ela se foi, não quero ter que repartir os bens dessa forma, ela queria que a casa do lago você da senhora Tia, para que continuasse na família. E todas as roupas doadas em brechós americanos, a casa em Paris para nossa prima Hilda’’ Em cada palavra que saia da minha voz embargada uma lágrima fria passeava pelo meu rosto, enquanto minha tia anotava o que eu dizia. Lembrei da conversa que tivemos antes dela morrer em de como minha prima Penelope seria perfeita para herdar a Vinícola na Espanha e sua irmã de Paris. Me lembro de ter pego sua mão e ter dito para ela parar, ela iria vencer aquele câncer. Não precisava designar seus bens para ninguém, ela não iria morrer. Nunca fui um cara de fé, acredito por que que por ter sido criado pelo meu pai fiquei cético como ele, o que é de admirar por que como italiano o lado dele era o mais religioso possivel me lembro de minha avó materna arrastando Thalia aos gritos enquanto eu apenas ria e entrava no carro.  Mamãe sorria e falava para obedecermos a vovó, mas quase sempre fugimos e ficamos subindo e descendo as escadarias das igrejas que vovó gostava de visitar. Às vezes encenam a cena em que a Sofia coppola morre em poderoso chefão três, o que obviamente não era um filme de criança. Mas, nosso pai assistia na sala e nós vimos algumas cenas escondidas debaixo da coberta, lembranças de antes o papai não havia assumindo os negócios da família quando ele ainda dedicava tempo para nós e não para sua outra família.  Me lembro do incidente, me lembro da morte. Fecho meu punho e enxugo as lágrimas, meu rosto está frio com o ar-condicionado e eu só quero encerrar aquela reunião, elas não tem culpa, elas não sabem do que eu sei. ‘’Realmente preciso ir’’ Pigarro e me levanto da cadeira, beijo a testa de minha tia e dou um tchau para Thalia que retribui dando língua de forma caricata.  A cada passo que dou para longe dali mas aumenta a vontade de voltar e gritar o que descobre, meu pai tem outra família na Coreia. Tem um filho de cinco anos o qual não sabe da nossa existência. E Manteve tudo isso com minha mãe meses no hospital. Tudo em mim arder de raiva e ódio, o único momento que esqueci foi quando olhei nos olhos daquela moça que se jogou em frente ao meu carro, quem em sã consciência atravessa as ruas de Roma sem olhar.  Flora! Que nome mais incomum mas sem dúvida combina com ela, ela me lembra a primavera sem dúvidas, mais o que estou fazendo? Provavelmente nunca mais a verei novamente. Agora eu preciso resolver essa situação, sinto nojo só de pensar, preciso pensar em como resolver isso de uma vez por todas…
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