CAPÍTULO 45 Quando o passado geme no ouvido e o amor atrapalha o gatilho O carro preto estacionou devagar em frente ao galpão de ferro envelhecido na Avenida Marechal Rondon, 9030. A madrugada era densa, e o breu envolvia o local como um casulo podre. Max desligou o motor. Silêncio absoluto. Nem latido. Nem passos. Nem vida. — Tá tudo muito quieto — disse Matheus, olhando ao redor. — Será que tiraram elas daqui? Max permaneceu imóvel, os olhos fixos na porta lateral do galpão. — Não vamos agir no escuro. Vamos esperar. O silêncio voltou, tenso, preenchido só pelo som da respiração dos dois homens. Matheus ligou o rádio devagar. Uma música instrumental suave começou a tocar — um solo de piano que mais parecia um sussurro de arrependimento. Max fechou os olhos. A imagem de Anjelina

