CAPÍTULO 2
Entre nuvens, corpos e fantasmas, um menino aprendeu a g0zar com culpa — e a sobreviver com ela.
Me chamo Maximiliano Villani.
Mas meus amigos me chamam de Max.
Tenho 35 anos, sou formado em Psicologia — a mesma profissão da minha mãe.
Uma escolha? Talvez. Uma herança? Com certeza.
Me apaixonei pela mente humana cedo demais. Não por empatia...
Mas pelo poder que ela oferece.
A mente é uma bomba.
Se você souber onde encostar, ela explode.
Se souber como tocar, ela se entrega.
Eu sempre soube.
A primeira mente que explodi foi a minha. E ninguém percebeu os estilhaços.
O avião cortava as nuvens com a mesma tranquilidade com que eu cortava lembranças: por partes, sem pressa.
A maioria das pessoas ao meu redor dormia. Algumas com travesseiros de pescoço, outras com fones, sonhando com uma chegada mais leve do que a própria vida permitiria.
Mas eu... eu estava acordado demais.
São Paulo me esperava. Um novo começo, talvez. Ou apenas um novo palco para os mesmos jogos. Os mesmos instintos. Os mesmos erros que eu fingia controlar.
O nome muda. O idioma também. Mas a essência... às vezes, ela só se adapta ao próximo corpo.
Encostei a testa na janela gelada. Abaixo, o escuro das nuvens parecia espelhar o escuro dentro de mim. Fechei os olhos. Mas não para dormir.
Fechei porque ela voltou.
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Flashback…
Rosário, Argentina. Vinte anos antes.
Noite abafada. Luz baixa. Casa em silêncio.
Maximiliano, com treze anos, estava acordado. Sempre estava. Aprendera cedo que dormir era baixar a guarda. E, na casa dos Villani, quem baixava a guarda... sangrava.
Os passos dele, descalços, m*l faziam ruído. Chegou até a porta do quarto e a abriu só o suficiente para ver. O corredor se estendia como uma linha de guerra. E, no centro dela, dois corpos em combustão silenciosa.
Renata estava em pé, de robe preto, os cabelos presos de forma que revelava a nuca. Roberto, o pai, ainda de terno, a maleta jogada no chão.
— Você é um fantasma nessa casa — disse Renata, a voz como uma navalha bem afiada. Sem gritar. Ela nunca gritava. O mundo escutava mesmo assim.
— E você, um veneno que eu nunca deixei de beber. Infelizmente — retrucou Roberto, tirando os óculos, esfregando os olhos.
Max apertou o batente da porta. Não queria ver. Mas precisava.
Renata caminhou com elegância felina. Se aproximou do marido com o quadril sutilmente ondulando.
— Veneno? Ou vício? — sussurrou, ficando perto demais.
— Não encosta em mim.
— O Max está dormindo — ela disse, com um sorriso pequeno e perverso. Aquilo não era uma desculpa. Era permissão.
Roberto hesitou. O olhar dele caiu no chão. A respiração dele se alterou.
Foi então que ela mudou o tom.
— Olha pra mim, Roberto.
Ele olhou. Por um instante, o juiz desapareceu. Restou o homem fraturado por dentro.
— Eu sou o que te faz esquecer quem você finge ser lá fora. Aqui, não tem toga. Não tem honra. Tem corpo. E tem falta.
Ela deslizou a mão pela barba dele, desceu até o cinto. Max não respirava. Observava.
Renata sabia. Cada gesto dela era um roteiro ensaiado mil vezes. E sempre funcionava.
— Me beija. Me odeia depois. Mas agora... me usa — ela sussurrou no ouvido do marido.
E ele usou.
Roberto puxou os cabelos dela. O robe caiu. Ela estava nua por baixo. Max viu os sei0s da mãe pela primeira vez. E não desviou o olhar. A pele dela era pálida, sem marcas. Como se nada a tivesse tocado. Como se o próprio prazer não ousasse deixá-la marcada.
Não foi a nudez que me feriu. Foi o silêncio consentido. Foi o olhar que me viu.
Eles se atracaram ali mesmo, contra a parede, depois caíram no tapete do quarto Ela gemia baixo. Ele grunhia como um animal contido. E Max...
Max estava duro.
Ele não entendeu o que sentia. Era vergonha? Medo? Excitação? Tudo junto, misturado num código que ele passaria anos tentando decifrar. Mas o corpo sabia. O corpo sempre sabe.
No meio do prazer, Renata virou o rosto. Os olhos buscaram o escuro do corredor. Encontraram o filho.
Ela viu.
E sorriu.
Um sorriso lento. Côncavo. Sabendo.
Max não recuou. Não chorou. Não se mexeu.
Presente.
Foi naquela noite que entendi: o prazer pode ser um legado — mesmo que nasça envenenado.
Aquela foi a primeira vez que ele sentiu que o controle podia ser excitante.
Abri os olhos. O avião ainda voava. Mas eu já tinha pousado dentro de mim, onde guardo tudo o que nunca deveria ter acontecido.
Passei a mão devagar pela coxa, como quem afasta um incômodo qualquer.
Estava duro.
E era só o começo.
****************
Aprendi com a minha mãe que a mente humana não precisa de força bruta para ser dobrada — só de técnica.
Ela me dizia: “Uma mente fraca é uma página em branco. Escreva nela o que quiser.”
E eu aprendi a escrever.
Com gestos. Com silêncios. Com olhares.
As palavras são armas. Mas os silêncios... os silêncios são granadas.
Uma mulher tímida pode virar uma selvagem.
Ah... uma put4 deliciosa, explodindo em tesã0.
Basta conduzi-la.
Basta ensinar o corpo dela a obedecer à mente...
E a mente a obedecer ao prazer.
Quando uma criança aprende que o prazer é poder, ela vira um deus ou um monstro. Eu virei os dois.
Isso me fascina.
Essa transformação.
Esse domínio.
Já vi mulheres com traumas profundos se reconstruírem sem um comprimido.
Sem hipnose.
Sem placebo.
Só com toque.
Só com palavras certas, no tempo certo.
E, principalmente...
Com presença.
Com entrega.
Porque o corpo nunca esquece.
Ele guarda tudo — até o que a mente esconde.
A alma esquece. O corpo, nunca. É por isso que ele treme mesmo quando o nome já foi apagado da memória.
E sabe o que há de mais saboroso nisso tudo?
Eu sei onde tocar.
Eu sei quando calar.
Eu sei quando entrar.
A cura?
Às vezes, ela vem gemendo.
E implorando por mais.
Eu sei bem o que é trauma.
Já passei por vários.
Alguns físicos.
Outros... emocionais.
E um deles...
Ela.
Não vou dizer o nome dela.
Nem o que ela foi.
Nem o que ela fez.
Só posso dizer... que ela sabia.
Sabia usar palavras como lâminas.
Sabia colocar comandos nas frases... antes mesmo de eu saber o que eram comandos.
Eu era novo. Mais novo do que deveria ser pra entender o que estava acontecendo.
Mas não era novo demais pra sentir.
O corpo sente antes da consciência entender.
E foi assim que aconteceu.
Eu lembro da pele dela. Branca demais.
Os cabelos loiros caindo sobre os ombros.
Os olhos azuis... gelados... mas com um fogo sujo por trás.
O olhar de quem não pedia… só ordenava.
— Tira a camisa. — ela disse.
E eu tirei.
— Agora a calça.
E lá estava eu... ficando nu... tremendo... mas com o p4u duro.
E eu não sabia o porquê.
A respiração dela encostava em mim como se fosse fumaça quente.
Ela me sentou na cama. Montou no meu colo.
O quadril dela deslizando sobre meu p4u... sem pressa... sem culpa.
Eu respirava como um condenado a segundos da execução.
As mãos dela seguraram meu queixo.
— Se toca. — ela disse.
E eu obedeci.
Os dedos tremendo... o corpo reagindo antes da mente processar.
Ela gemia… só de me ver obedecer.
— Isso... — ela sussurrou. — Assim... pra mim.
Minha cabeça girava. Eu tentava entender.
Mas não tinha como entender.
O corpo estava à frente de tudo.
Quando ela me engoliu com a boca...
Quando ela subiu... e desceu no meu colo...
Quando ela cavalgou como uma maldita deusa que sabia o que queria...
E eu... eu só conseguia segurar os quadris dela... gemendo... dizendo que era dela.
Que era todo dela.
Ela g0zou... em cima de mim... com um grito abafado, mãos nos meus ombros.
Arranhou minhas costas. Mordeu meu pescoço.
E antes que eu pudesse g0zar... ela virou de costas.
Se colocou de quatro.
— Me f0de. — ela disse.
E eu fui.
Entrei nela com força.
Segurei a cintura dela.
Depois a garganta. Como ela me ensinou, assim que ela gostava.
Depois os cabelos.
Cada estocada era um surto dentro da minha cabeça.
Como se eu não soubesse mais quem eu era.
Ela gritava... me xingava... gemia... me ordenava...
E eu... eu fazia tudo.
Até que... quando meu corpo começou a pedir pra g0zar...
Ela virou o rosto.
Os olhos dela me fuzilaram.
— Não g0za em mim.
— Não.
— Não faz isso.
Eu travei.
O corpo inteiro congelou.
Era como se ela tivesse apertado um botão.
E eu… obedeci.
Saí de dentro dela... com o p4u latejando...
G0zei fora… com dor... com raiva... com uma vontade de chorar que eu engoli na garganta.
Ela levantou.
Me olhou de cima.
Com o corpo nu... com o sex0 ainda molhado de mim...
E disse:
— Foi bom, Max.
— Mas só foi isso.
— Nada além disso.
Ela saiu… como se eu fosse só mais um.
Como se o que aconteceu ali não tivesse significado.
E eu...
Deitado… com a mão ainda suja de mim mesmo…
Com o peito arfando...
Com a alma f0dida...
Achei...
Juro por Deus… eu achei que era amor.
Mas não era.
Era só o começo da minha programação.
O primeiro comando.
O primeiro vício.
O primeiro trauma com gosto de prazer.
E eu...
Eu nunca mais fui o mesmo depois dela.
Sabe o mais irônico disso tudo?
É que hoje... eu faço a mesma coisa que fizeram comigo.
A diferença? Eu não minto sobre isso.
Eu não finjo que é amor. Não prometo redenção. Não ofereço futuro.
O que eu ofereço... é prazer.
E uma cura que arde, que marca, que às vezes deixa cicatriz… mas que funciona.
Enquanto ela usava os comandos pra me confundir, eu aprendi a usar os mesmos comandos pra libertar.
Enquanto ela me programava pra obedecer... eu programei a minha mente pra nunca mais abaixar a cabeça pra ninguém.
Ela me fez de cobaia. Eu me tornei especialista.
Hoje... eu entro na mente de uma mulher como quem abre um cofre.
Sem pedir desculpas. Sem fazer carinho depois.
E se ela quiser romantizar? Problema dela.
Eu sou o que ela precisa.
Não o que ela sonhou.
É... a vida tem dessas ironias gostosas.
Enquanto ela me quebrou pra me ter...
Eu quebro... pra devolver.
A diferença é que... quando eu saio de dentro… o que sobra nelas... não é trauma.
É vício.
Porque eu sei fazer direito.
E isso…
Isso me diverte pra caralh0. ele com sorriso sacana enquanto toma seu uísque sem gelo.