Entrei na boca igual uma tempestade prestes a derrubar o mundo inteiro. O clima lá dentro já mudou na hora, geral entendeu que eu não tava num dia bom, que eu não tava pra brincadeira. Passei direto pelos moleques que jogavam baralho na entrada, subi as escadas da quebrada e me joguei no sofá velho da base, largado, com o corpo pesando feito chumbo e a cabeça fervendo. Peguei o baseado que tinha largado na mesinha na noite anterior, acendi com a mão firme, dei uma tragada funda que pareceu entrar direto na alma. Soltei a fumaça devagar, olhando pro teto manchado de mofo, sentindo a tensão roer os ossos. — c*****o… — murmurei, falando pra ninguém — além da merda toda, o carro da irmã dessa capeta veio parar aqui. Dei outra tragada, deixando a brisa bater forte no cérebro, mas nem isso a

