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Amanda Narrando Tinha coisa que a gente começava achando que era só curtição. Um fogo, uma fuga, um perigo que fazia o coração bater mais forte. E quando percebia, já tava fundo demais. Já não era mais só desejo. Já tinha sentimento no meio. Já tinha medo. Terminei mais uma aula na academia com aquele sorriso falso no rosto. Passei pano no colchonete, guardei os halteres, dei tchau pras alunas e fingi que tava tudo certo. Mas por dentro? Eu tava um caco. A vontade era de sentar no canto e chorar. Chorar de raiva. Chorar de frustração. Chorar porque, dessa vez, eu realmente queria. Mas querer, no meu caso, podia custar a minha vida. Ou pior, a vida da minha irmã. Entrei no carro com a toalha no pescoço, o cabelo preso ainda suado. O celular vibrou no banco do passageiro. Era ele. Neno.

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