Amélia: Boa tarde dona Sabina. – disse sorrindo simpática.
Sabina: Que dona o que minha filha, eu tenho cara de velha? – disse apontando o próprio rosto.
Amélia: De forma alguma. – prendendo o riso. – Fique à vontade, vou chamar alguém para buscar suas malas. – saiu.
Sabina: Por que meus empregados não são assim? – apontou a mulher saindo.
Any: Sua louca! – riu. – Seu pai vai ficar uma fera por que você não foi Sabina.
Sabina: Nossa, olha a minha cara de preocupada. – apontou sua careta. – Vou me esconder embaixo da sua cama, pois o medo me domina. – rolou os olhos. – Agora me conta que história é essa daquela malcomida da Joalin te arrastar pelos cabelos Any?
Any: Fala baixo... – apontou João, que as olhava curioso.
João: Quem te arrastou maninha? – curioso.
Sabina: Não é nada pirralho. – bateu na b***a dele. – É uma história de terror. – arregalou os olhos e o pequeno se encolheu. – E a vaca assassina chamada Joalin, pegou a Any pelos cabelos e... – ele a interrompeu.
João: Não, eu não gosto de história de terror. – balançando a cabeça em negação. – Vou brincar com o Oscar! – saiu correndo.
Sabina: Viu? – riu o observando correr. – Se quer expulsar uma criança e só contar uma história de terror. Mas quem é Oscar? – indagou confusa.
Sina: O cachorrinho que a Any deu pra ele, a cachorrinha está com a Lili e ele ficou com o machinho.
Sabina: Ah sim... Agora me contem logo!
Any: A Joalin me pegou pelos cabelos e me arrastou durante todo o percurso desde a cantina até a piscina, e depois me jogou lá dentro. – disse rolando os olhos. Queria esquecer aquela história.
Sabina: E ninguém te ajudou? – berrou indignada. Any negou com a cabeça. – Filhos de uma p**a! E você onde estava? – encarou Sina.
Sina: Estava no banheiro, acha que se eu estivesse perto isso rolaria? Podia até rolar, mas quem seria arrastada seria a loira aguada e por mim!
Sabina: Muito certo, mas deixe-a comigo, amanhã eu quero ver se ela é tão valentona assim. – batendo o punho fechado na palma da mão.
Any: Eu acho que amanhã ela não vai estar lá, acho que tomou suspensão.
Sina: Ou foi expulsa. – abrindo um sorriso de orelha a orelha.
Any: Você acha Sina? – olhando Sina desconfiada.
Sina: Any, a Joalin é bolsista, ela não tem as nossas regalias ali dentro, hello ! – disse estalando os dedos.
Sabina: Sina tem razão e se ela foi, já foi tarde! – disse levantando as mãos aos céus.
Sina: E você nem sabe da maior. – riu encarando Sabina, que parou de agradecer a Deus e a mirou, desconfiada. – Parece que o Beauchamp bateu na Joalin!
Sabina: COMO ASSIM JOSÉ?! – se levantou. – Meteu a mão na cara da v***a?
Any: Foi o que ela disse. – roendo as unhas.
Sabina: Me lembre quando eu ver o Beauchamp, para dar um beijo nele! – começando a rir. – Que f**a cara!
Sina: Vai beijar o amor da Any? – disse debochada.
Any: Parem de gracinhas. – disse levantando. – Vamos subir?
As duas riram e a acompanharam. Passaram o resto da tarde inteira se divertindo e vendo TV, ou melhor, Sina e Sabina se divertiram, Any dormiu quase a tarde inteira, acordou já estava escuro.
Olhou para os lados e não encontrou as amigas, decidiu descer e ouviu risadas vindas da sala de TV, foi até lá e encontrou as amigas rindo de algo junto com Shivani, que também estava esparramada no sofá.
Any: nem me chamaram não é? – sorriu de leve sentando ao lado da irmã. – Oi Shiva! – abraçando de lado.
Sabina: Você dorme pra p***a Any. – rolou os olhos, enchendo a boca de pipoca.
Shivani: Como você está hein? Fiquei sabendo o que aquela loira burra do jantar fez com você. – acariciando a barriga da irmã.
Any encarou Sabina e Sina com um sorrisinho falso.
Shivani: E nem adianta ficar irritada pelo fato das meninas terem me contado, não foi elas, Lamar me contou.
Sina: Já ia nos apedrejar não é? – deu língua.
Any: Desculpem amores. – meio sem graça. – Eu estou bem Shiva, não foi nada grave.
Shivani: Não foi nada grave? – disse irônica. – Essa i****a quase matou você e a minha sobrinha!
Any: Olha, por favor, não vamos mais falar sobre esse assunto sim? – mordeu o lábio e ela assentiu. – Estava com saudades de você.
Shivani: Onw eu também! – a abraçando.
Any: Que filme é esse? – ela perguntou, olhando a TV.
Sabina: Arraste-me para o inferno! – deu uma gargalhada macabra.
Any: Eu hein! – fez o sinal da cruz.
Sabina: Hunf Any, nem dá medo! Você é muito cagona mesmo. – todas riram.
Any rolou os olhos se acomodando no sofá. As quatro ficaram assistindo o tal filme que na opinião de Any era horrível, a cacheada sentiu seu estômago roncar e decidiu comer algo.
Any: Sina vem comigo na cozinha? – chamou, abrindo um sorrisinho.
Sina: Ah Any, não me diga que você tá com medo desse filme? – rolou os olhos. – Pelo amor não é? – gargalhou.
Any: E não é para estar? – disse com os olhos arregalados. – Só o nome desse filme me dá arrepios. – abraçando o próprio corpo.
Sabina espocou em uma gargalhada.
Sabina: Any se toca, isso é gravado, criado por um bando de velhos desocupados, isso não é real. Não precisa ter medo dessas merdas. – piscou.
Any: Não sei Sabina, de qualquer forma eu tenho medo. – disse com um sorrisinho de lado. – Por favor, meninas!
Sina: Tudo bem, eu vou com você sua mala. – riu divertida, enquanto se levantava. – Vamos! – dando a mão a ela que agarrou.
As duas foram em direção à cozinha, ligaram a luz e Any foi em direção à geladeira.
Sina: Não tem nenhum empregado por aqui? – disse sentando no enorme balcão de mármore, que pegava quase a cozinha inteira.
Any: Não, eu dei folga a todos! – disse sorrindo enquanto colocava em cima do balcão os ingredientes do sanduíche. – Não tinha necessidade, sabemos nos cuidar sozinhas não é?
Sina: Oh, sim claro. – piscou. – Vai fazer sanduíche com doce de leite? – arregalou os olhos.
Any deu um sorrisinho amarelo, como explicar a vontade de comer coisas esquisitas de uma hora para outra? Doce de leite com queijo, presunto e alface. Ai que delícia. Era o que ela queria comer e iria comer.
Any: Estou grávida Sina. – disse passando o doce de leite no pão.
Sina: Any você está comendo cada coisa. – ela riu incrédula. – O que foi aquilo semana passada? Batata frita com pasta de dente, fora as outras coisas bizarras que você inventa, se a sua médica souber disso é capaz de ela ter uma síncope.
Any: Que exagero. – rolou os olhou montando seu sanduíche. – A doutora disse que é super normal as mulheres grávidas sentirem desejo de comer coisas pouco comuns. – suspirou. – Enfim, estou morrendo de fome. – olhando seu sanduíche pronto. – Quer Sina?
Sina: Não obrigada! – a olhando com um sorrisinho falso. – Prefiro vomitar.
Any: Você quem sabe. – deu de ombros dando uma mordida no lanche. – Hm... – fechou os olhos. – Que gostoso. – disse de boca cheia mesmo, enquanto voltava a pôr o sanduíche no prato e voltando até a geladeira. – Eu preciso tomar coca-cola ! – ela disse capturando a garrafa.
Sina: Ei! – deu um pulo. – Pode parar! Coca-cola nem em sonho. – tirando a garrafa da mão dela.
Any: Sina, por favor! – ela chocou as mãos com uma expressão chorosa. – Isso é um exagero, eu nunca vi ninguém morrer por tomar coca-cola ! Muitas mulheres tomam durante a gravidez e não acontece nada!
Sina: Não é por que não acontece nada com elas, que eu vou deixar você correr o risco. É cafeína pura Any, sem chances!
Any: Por favor, Sina, eu preciso tomar! – com os olhos brilhando e um bico de choro. – Eu juro que não peço mais nada.
Sina: Já disse que não. – levantando a coca-cola para o alto, se aproveitando por Any ser baixinha.
A cacheada desistiu e sentou no banco com a cabeça baixa, tristonha, Sina a encarou e ficou com pena.
Sina: Ai, tudo bem! – rolou os olhos e Any sorriu iluminada. – Mas só um pouquinho! – disse abrindo a garrafa e enchendo o copo dela até a metade.
Any: Coloca mais um pouco Sina! – ela reclamou ao ver a miséria de refrigerante que Sina lhe deu.
Sina: É isso ou nada. – disse voltando a tampar a garrafa e levando-a de volta para a geladeira.
Any rolou os olhos e se calou, melhor do que nada, pelo menos daria para matar sua sede de coca-cola. Sabina e Shivani chegam à cozinha e se juntam a elas.
Sabina: Que p***a é essa que você está comendo Any? – fez careta ao ver o monte de doce caindo pelas beiradas do pão, com queijo e presunto.
Any: Estou comendo um sanduíche. – falando de boca cheia, todas riram. – Qual é a graça?
Sabina: Que nojo, doce de leite com queijo e alface? – perguntou incrédula.
Any: Eu estava com vontade de comer, ué. – deu de ombros. – Onde está o João, Shiva?
Shivani: Está jogando vídeo game no quarto dele. – riu enquanto sentava. – Está gostoso mesmo? – se sentou ao lado de Any.
Any: Muito. – sorriu. – Quer provar?
Shivani: Deixa eu provar. – ela se encorajou, prendendo o riso.
Sina e Sabina se entreolharam com cara de nojo, aquelas duas eram loucas. Shivani pegou o sanduíche e deu uma mordida. Any a olhava com euforia, Shiva levantou depressa e foi até o lixo cuspindo tudo.
Shivani: p**a merda Any! – disse abrindo a torneira pra lavar a boca. – Você é louca, isso é horrível. – enchendo a boca de água para enxaguá-la.
Any: Não é verdade. – dando outra mordida. – É ótimo!
Shivani cuspiu a água e voltou para o seu lugar.
Sina: Acabou o filme?
Sabina: Pela graça de Deus sim. – sentando no balcão. – Não se fazem mais filmes como antigamente. – rolou os olhos, nostálgica. – Chucky, como você faz falta meu amor, ainda me casarei com você! – ela dizia pra si mesma.
Any: Credo Sabina! – fez o sinal da cruz. – Aquele boneco feio não faz falta em nada.
Sabina: Ah é, o único filme que você não sente medo é Aquamarine. E ainda ficou com medo quando viu que a garota era uma sereia, então...
Any: Chega! – dando a última mordida em seu lanche. – Hoje em dia tudo é perigoso! – dizia de boca cheia.
Sabina: O que importa é que aquele filme era muito fraco, podre.
Sina: Acho que o único filme de terror que realmente me fez tremer na base foi o Atividade Paranormal, o primeiro da franquia.
Sabina: Que nada, aquilo é outra bosta. – deu de ombros enquanto continuaram o debate de qual era o melhor filme.
Any apenas ria, era um pior que o outro. De repente sentiu uma pontada forte, rápida e extremamente dolorida nas costas. Fechou os olhos, levando a mão até as costas depressa.
Sina: O que foi Any? – perguntou ao notar o rosto de Any torcido.
A cacheada tirou a careta na hora.
Any: Nada Sina. – forçou um sorriso.
Sabina: Certeza? – disse desconfiada.
Any: Claro, não é nada, eu só estou achando engraçada a conversa. – murmurou.
As meninas a encararam e voltaram a discutir.
Sina: Eu estou dizendo que atividade paranormal dá de dez a zero no Chucky, você querendo ou não Sabina.
Sabina: Meu ovo esquerdo!
Any sentiu outra pontada dessa vez mais intensa que a outra, curvou a cabeça no balcão começando a ficar assustada.
Sina: Any? – se aproximou dela. – Fala logo o que você tem!
Any: Nada, acho que são gazes. – mordeu o lábio.
Shivani: Gazes? – arregalou os olhos. – Como assim, o que está sentindo?
Any já ia negar ou tentar escapar, mas sentiu outra pior ainda que a anterior.
Any: Ai! – gemeu se levantando. – Eu... Eu preciso ir ao banheiro! – gaguejou apavorada.
Sabina: Any! – correu até ela que estava se contorcendo. – Você não vai para lugar nenhum, o que foi?
Any: Ai me ajuda Sabina... – se apoiando no balcão. – Está doendo muito! – tocando a barriga e olhando com o olhar desesperado.
Sina: Oh meu Deus! – pôs a mão na boca. – Se acalma Any, fica tranquila. Respira e inspira.
Any relaxou assim que a contração foi embora.
Shivani: Any você precisa ir para o hospital.
Any: Não, vai ver não foi nada, passou. – espalmou a mão na barriga. Luna estava se mexendo muito. – Eu estou bem meninas, é sério! – saiu da cozinha, sendo perseguida pelas amigas.
Subiu as escadas com rapidez e se trancou no banheiro de seu quarto. E lá vinha ela outra vez... A maldita dor. Por que estava sentindo? Não era a hora. Que merda! Doía tanto.
Any: Ai, ai, ai... – disse começando a chorar, enquanto se contorcia.
Sabina: Any abre essa porta agora! – ouviu Sabina berrar.
Any: Eu estou bem Sabina! – ela sussurrou.
Sabina: Que bem p***a nenhuma! – disse esquentada. – Você está chorando c****e! Any você tem que ir para o hospital, saí daí agora!
Any: Não grita comigo! – soluçando. – Ain doí muito.
Sina: Pega leve Sabina. – pediu preocupada. – Nossa, a gente precisa fazê-la abrir, ela está entrando em trabalho de parto!
Shivani: Any abre a porta! – bateu.
Sina: Eu vou ligar para o Josh. – disse saindo voada do quarto de Any, em busca de seu celular.