De volta pra casa
Casa. Como era estranho pensar naquele lugar como casa, mas era assim que se sentia naquele momento. Sentado no lounge VIP, ele observava a pista de dança através da parede envidraçada. Na pista, a música eletrônica rugia envolvendo os presentes nos movimentos frenéticos da dança; no lounge a música dava lugar ao som de conversas e copos com gelo tilintando.
O bom filho à casa torna! - uma mão pesada cai sobre seu ombro. Sim, aquele lugar era sua casa - Como foi a viagem?
Longa. - Cristian encara o primo e sorri. Os olhos cor de mel brilham refletindo as luzes da pista de dança filtradas pelo vidro espelhado da parede.
Foram 3 meses longe de casa. Seu pai havia o mandado para a Itália, para visitar parentes, fazer contatos e acalmar os ânimos de alguns mafiosos muito irritados com a demora de algumas transações.
Certo. - Enzo o conhecia bem demais e sabia respeitar suas respostas evasivas. Observador, ele segue os olhos de Cristian para um ponto especifico da pista, uma plataforma mais elevada ao lado do DJ onde uma dançarina se move de forma hipnotizante. - O que você quer beber? - ele chama uma garçonete para atende-los
Cristian encara a garota e tenta se lembrar o nome dela, Ana? Alice? Alguma coisa com A? Elas eram todas iguais. Trabalhavam na boate como garçonetes e dançarinas, depois faziam um segundo turno no stripclub; quase todas acabavam cedo ou tarde conhecendo o escritório particular dele no terceiro pavimento.
Vodka . - Cristian responde se dirigindo a garota. Ele pensou em chama-la para o escritório, mas rapidamente se lembrou. Andrea! Ela tinha quebrado algumas garrafas de vodka no escritório quando ele a dispensou depois algumas noites.
Cê tá legal, cara? - Enzo dispensou a garota depois de pedir por um whisky com gelo
Cansado pra c*****o… - Cristian se levanta e apoia a testa contra o vidro. Quem é aquela garota? - 14 horas numa p***a de um avião pra chegar e ir direto jantar com os meus pais…e o Giovani!
Imagino. - Enzo ergue o copo para brindar com o amigo - A vida perfeita do Gio! - ele ri
Cristian ri e vira a dose de vodka de uma só vez antes de bater o copo sobre uma mesa de apoio lateral.
Bora, a gente ainda tem que trabalhar. - Cristian encara o amigo que se levanta preguiçosamente - Quem é aquela morena?
Não.
Como assim “não”? Quem é ela?
Protegida da Judy, você não quer chegar perto, não quer saber nem o nome. - Enzo conhece bem os hábitos do amigo e sabe que mexer com a protegida da gerente daquele lugar não é boa coisa.
Protegida da Judy? - ele sorri maliciosamente mais interessado - E desde quando a Judy protege alguém? Quando ela começou aqui?
Faz uns dois meses.
Os dois descem as escadas para o pavimento inferior onde ficam os escritórios e o vestiário das dançarinas. Um homem algo franzino e de cabelos pretos passa por eles e Cristian o segura pelo colarinho contra a parede.
Bem vindo de volta, patrão. - o homem encara Cristian erguendo as mãos em rendição
A morena nova, eu quero ela.
A Judy não vai gostar…
Jhony, f**a-se o que a Judy gosta.
Enzo vira os olhos e vai para o escritório enquanto Cristian tenta convencer Jhony a lhe dar informações. Depois de alguns momentos conversando no corredor, Cristian parece propositalmente se posicionar no corredor de acesso ao vestiário, impedindo a passagem, na mesma hora em que a tal morena desce as escadas de acesso a funcionários.
Hey, Baby, quer fazer uma hora extra hoje, sala VIP? - Jhony a segura pela cintura quando ela passa
Sem chances, Jhony, tem aula amanhã cedo! - ela diz ainda um pouco ofegante o encarando com um sorriso desafiador.
100 dólares mais gorjetas.
Educação é um troço caro, você sabe, nè?
200 e eu quero você no pole.
200 mais gorjetas e eu folgo na quinta à noite. Eu tenho prova na sexta. - ela sorri enquanto ele pega a carteira separando duas notas para lhe entregar.
Baby coloca as notas dentro do s***ã encarando o chefe da segurança do lugar e se assusta quando ao se virar para o vestiário Cristian a segura pela cintura. Os grandes olhos cor de mel faiscam ao encará-la e ela respira fundo sem reação ao se perceber envolvida por aquele homem alto e forte, com uma presença tão imponente.
Gatinha medrosa… - ele sussurra no ouvido dela percebendo que ela treme sob as suas mãos sem conseguir desviar o olhar - Seu nome?
Tira as mãos dela! - uma mulher pequena e magra parece descer voando as escadas e puxa Cristian pelo colarinho do blazer.
Baby rapidamente se afasta dele e corre para dentro do vestiário enquanto Cristian visivelmente incomodado encara Judy, sua gerente. Judy tem os olhos pequenos e pretos, muito vivos e perspicazes. Há anos trabalha para aquela família e sabe exatamente o que cada um deles é capaz.
É assim que você me recepciona? - Cristian pergunta e a abraça a erguendo do chão - Eu senti sua falta! São tão poucas pessoas malucas suficientes pra pular em cima de mim!
Fica longe da minha garota! - Judy o intima
Sua? - ele pergunta fazendo simulando um gesto obsceno com a língua entre os dedos da mão
Judy dá um t**a na mão dele enquanto ele ri e vai para o seu escritório.