De volta para casa

829 Words
Julia Tendo em vista que reconheci grande parte dos meus parentes e antigos amigos, o médico liberou que eles me visitassem. Logo, no dia seguinte, fui bombardeada com visitantes. A minha mãe não mudou nada do que me lembro. Assim que os seus olhos repousaram sobre mim, ela se desfez em lágrimas, correu para me abraçar, murando as palavras “o meu bebê”, “ a minha menina” sempre acompanhado de “olha o seu estado”. Logo, após isto ela começou o seu sermão sobre a minha irresponsabilidade. O que não estendi nada. Então fiz uma nota mental de questionar o Thiago sobre isto mais tarde. O meu pai também continua o mesmo. Um homem de poucas palavras. Ainda assim, o seu amor e preocupação é evidente no seu olhar e gestos. As minhas amigas, bem, não vieram todas. Thiago explicou que ao longo dos anos perdi contato com várias das pessoas que me lembrava. Apesar disso, tranquilizou-me dizendo que tenho várias amigas, mas a maioria delas eu não conhecia a 5 anos atrás. Isto se deve a minha vida ter mudado bastante nesse meio tempo. Após gastar toda a minha bateria social não conseguia mais ser gentil com ninguém. O meu rosto chegava a doer de tanto que sorri naquele dia. Afinal tinha que convencer a todos que estava bem apesar da circunstância. No dia seguinte, o Dr. Sampaio me liberou. Afinal a única coisa que faltava para minha alta era um sinal que eu estava progredindo. Honestamente, sinto-me muito melhor. Apesar de ainda não me lembrar de tudo. Coloco sobre a cama a roupa de hospital que estava usando durante o tempo internada. Não sentiria falta de usar esse treco. — Está pronta para ir? — A minha mãe pergunta do batente da porta. — Acho que sim — digo concordando com a cabeça e pegando a mala onde anteriormente estavam as roupas que visto. Percebo Anastasia ao canto. — Obrigada por tudo — digo sinceramente grata. — Não precisa me agradecer. Só fiz o meu trabalho — ela responde corada. Acho que não é comum para as enfermeiras serem agradecidas. As pessoas devem sempre dar os louros aos médicos. — Você fez mais que isso — rebati. Até porque ela não precisava me ouvir, ou me julgar bem. Podia ser como as outras. Que andam me criticando pelos corredores. — Querida? — Thiago chama. Foi decidido que eu deveria ficar em casa. O que significa a casa onde morava com Thiago. Aquela de que não me lembro. No carro todos estavam animados. Os meus pais resolveram nos acompanhar, para me deixar mais confortável com tudo. Apesar de que eu não me sinto que tenha feito grande diferença. No fim do dia, eles vão embora e ficarei sozinha com um desconhecido. Tudo bem, com um homem praticamente desconhecido. — Julia? — escuto a mamãe me chamar. Percebo então que chegamos, ou pelo menos o carro está parando. Olho pela janela novamente avistando uma grande construção. Parece ter três andares. O prédio tem muitas janelas. É um lugar imponente. Ao mesmo tempo, parece-se ser abraçado pela natureza ao seu redor. Um jardim projetado, com luzes nos lugares adequados e um caminho de pedras. Como é possível que esta seja a minha casa? Quer dizer, a casa do Thiago. Provavelmente o lugar é mais dele do que o meu. A questão é ... O hospital em que fiquei era de primeira. Está casa é enorme. Questiono-me o que ele faz da vida afinal. — Vamos entrar? — papai questiona abrindo a porta para mim. — Você está bem, querida? Parece meio aérea — mamãe comenta. — Ah, estou. Claro! Só não me ...lembrava — disse desconfortável descendo do carro e seguindo os três para dentro. — É bem...bonita — ela disse analisando a mansão. Parecia encantada com a vista. Espera! Isso quer dizer que eles nunca nos visitaram? — Mamãe, você nunca veio aqui antes? — Pergunto. Quero ter certeza. — Ah — ela me encara surpresa. Parece procurando as palavras certas. — Bem...Olha! Que flores lindas. Orquídeas as suas favoritas — ela diz. Ela está tentando mudar de assunto? O meu olhar vai de encontro com Thiago. Ele vem estado tão quieto. Nos observando em silencio. Definitivamente sabe de algo que eu não sei...Ou talvez esteja apenas chateado porque me lembro de tantas pessoas, mas não dele. Eu com certeza ficaria chateada se fosse o contrário. O amor da minha vida não se lembra de mim. Realmente péssimo. — Aqui fora não está frio demais? — papai questiona. — Vamos entrar — Thaigo incentiva. Abrindo a porta principal. O sigo curiosa. Tenho um choque assim que me deparo com o interior da casa. É ainda mais grandiosa por dentro. Como isso é possível? — Bem-vinda de volta — Thiago diz gentil me dando um sorriso tímido. — Acredito que está na hora de ir — a minha mãe diz enquanto caminho avaliando o ambiente.
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