— Está bem, senhorita? — Sou o primeiro a romper o silêncio.
— Sim, eu... — Ela olha para si mesma percebendo a situação em que está – com as mãos apalpando meus braços e os olhos brandos, antes de dar um salto do lugar e se afastar bruscamente. — Perdoe-me pelo infortúnio, eu não o vi chegar.
— Não foi infortúnio algum, deu para perceber que estava apressada. — Sorrio para ela, apenas movimentando os lábios e mantendo contato visual.
Contato visual as vezes intimida as mulheres em geral, em especial se as olha com firmeza e deixando claro sua atração. Essa é uma tentativa de mexer com a mente do alvo, mas para minha surpresa, Lavínia não desvia timidamente seus olhos dos meus, ela me encara de volta como se fosse uma leoa me chamando para a disputa.
Admito que isso me instiga a usá-la para aumentar o meu ego quando finalmente cedesse. Mas por outro lado isso me deixa furioso, pois é difícil aceitar que uma mulher consegue sair dos meus braços assim e ainda me enfrentar como uma oponente digna – isso porque eu sei que causo um efeito grande nelas.
— Um desajeitado derrubou bebida em mim, eu estava indo ao banheiro para limpar o estrago. — Explica.
Eu até poderia me esforçar em não olhar, mas não faço questão. Desço o olhar para a mancha que marca o decote dela que é em “v”. Os s***s não são muito grandes por isso ela tem a condição de usar um vestido com uma a******a assim para o trabalho sem ficar “vulgar” para a profissão dela. Eles parecem duas maçãs, suculentas, a pele branca e visivelmente macia aparecendo pelo tecido.
— Deu para perceber bem, a mancha é... chamativa. — Subo o olhar até o dela novamente, que apenas engole seco e entende o meu olhar de luxúria.
Não deixo de dar a ela um sorriso sem vergonha, mas sempre sem mostrar os dentes para não aparentar desespero ou muita vontade logo de primeira. É tudo planejado.
— Eu irei continuar o meu caminho, o horário de almoço vai acabar em breve. — Desconversa, fingindo não perceber meu olhar para seus s***s, mas aos mesmo tempo sua linguagem corporal mostra que ela entendeu sim.
Lavínia tenta esconder as reações do seu corpo mas começa a tentar fugir, a pele visível do seu corpo fica vermelha, sua respiração muda e o pior são as mãos que ela leva ao decote para tentar cobrir os s***s. Aceno com a cabeça apenas, fazendo ela precisar decidir se vai mesmo embora – e para minha surpresa, a juíza realmente dá a volta no meu corpo e começa a caminhar em direção ao banheiro.
Droga!
— Só mais uma coisa. — Quando percebo que ela não irá correr atrás de mim como eu pretendia, não posso deixa-la se afastar e por isso, a impeço antes mesmo dela se distanciar. O alvo para e vira o olhar até o meu. — Nós não nos apresentamos, mas você... — Faço uma pausa como se eu a estivesse reconhecendo. — Você é a juíza Lavínia Milani?
— Sim, eu mesma. — Franze o cenho. Não falei como se eu fosse um fã enlouquecido.
— Eu sou um admirador do seu trabalho. É sempre bom ver alguém disposta a tornar o mundo melhor para nossas crianças. Não sei se nos veremos novamente por isso devo aproveitar a oportunidade, parabéns, excelência. — Estendo a mão para ela, que pensativa, acaba trazendo a mão pequena até a minha. — Ethan Bowman.
— Prazer, Ethan. Mas não precisa me chamar de excelência aqui.
— Eu sei, mas eu gosto. — Acaricio os dedos pequenos dentro da minha mão e sorrio.
Lavínia tem a mão macia, os dedos finos, e eu sei que qualquer movimento brusco podia machuca-la. A pele branca marcaria fácil com uma palmadas nesse traseiro grande e também com a minha mão em seu pescoço, é impossível não imaginar como seria doma-la na cama ou ter a juíza ajoelhada a meus pés com essa boquinha no meu p*u.
— Não há problema também então. Gosta de crianças, Sr. Bowman? — Isso! Um ponto.
— Sou psicólogo, preciso me interessar pelas pessoas em geral mas como tenho muitos pacientes que são crianças é normal me preocupar. — Afasto minha mão para não ser preso por assédio. O rosto da juíza muda de feições, agora sim abrindo mais a guarda e sorrindo em aprovação.
— Essa é realmente uma linda profissão também, cuidar da saúde mental dos outros é elogiável. — Sorri. — Se precisar de ajuda em alguma coisa e eu puder ajudar, sabe onde me encontrar.
— Na verdade seria ótimo conhecer melhor como funciona o fórum, eu sempre fui um curioso e quem sabe eu traga um dos pacientes aqui se for possível. — Agora as coisas se complicaram ainda mais para o meu lado, vou precisar de uma criança para entrar no fórum e me aproximar da juíza. Sorrio amarelo.
— Estarei disponível. — Acena para mim, sorridente. — Mas agora eu realmente preciso ir, Sr. Bowman.
— Pode ser apenas Ethan. — Eu a corrijo.
— Eu sei, mas eu gosto. — Curva os lábios e se afasta, me deixando parado assistindo-a caminhar para longe.
Não. Lavínia nem mesmo olha para trás, fico esperando, mas na verdade sou eu que fico paralisado olhando a forma perfeita do seu corpo por trás nesse vestido e os cabelos batendo na cintura fina. A mulher é simplesmente magnífica, em sua beleza, na forma que sabe instigar um homem, no mistério que envolve seu olhar e nunca te deixa ter certeza sobre o que está pensando.
Eu sei que estou lascado!
Acerto meu terno no lugar e viro novamente, encontrando os colegas dela me encarando e aceno para eles sem muita vontade antes de continuar meu caminho para a saída. Vou para o meu carro e a primeira coisa que faço é ligar para Marcel, sabendo que precisarei de novos “materias” para prosseguir com o plano.
Ligação on ~
— Finalmente! — Ele parece curioso como uma viciada em novelas. — Como foi com a juíza?
— O alvo é difícil. — Respondo. — Nós vamos precisar de uma criança.
— O que? — Engasga. — Ficou louco, Ethan? O que há com uma pobre criança? Nós nunca matamos crian...
— Nós já matamos mulheres grávidas, só para lembrar a sua consciência tão sensível. Mas não, não vamos matar criança alguma nem machuca-la por enquanto. — O tranquilizo, respondendo sério e começando a dirigir de volta para casa a fim de acertar meus pensamentos. — Como sabe, esse caso precisa ser um suicídio feito na casa dela. Preciso ganhar a p***a da confiança de uma mulher impenetrável e essa criança será o meu bilhete de entrada no fórum e espero que para o coração da juíza também.
— Espero que tudo que queira penetrar seja a mente e o coração da mulher. Você claramente já percebeu que Lavínia Milani é gostosa para um c*****o.
— Lavínia Milani é um nome e ela é apenas o alvo. — Retruco sem muita emoção. Eu nunca deixei um r**o de saia me impedir de completar a minha missão. — Concentre-se no que eu mandei, consiga uma criança para nós. Precisa ser esperto ou esperta, não importa o sexo, basta que precise de dinheiro e saiba conversar. Melhor que seja entre nove e onze anos de idade, não mais que isso. Se possível, uma mãe viciada ou prostituta que aceitará dinheiro para emprestar a cria.
— Eu quero morrer seu parceiro.
— Nos falamos em breve, Marcel. — Ignoro seu comentário que por sinal é bem pertinente, pois não é muito inteligente pensar o contrário.
Ligação off ~
O caminho para casa só me deixa mais pensativo, eu sempre soube que seria um caso complicado e como sempre penso bem antes de aceitar qualquer um, não costumo me arrepender por já ter pensado em todas as possibilidades. Nesse eu me sinto diferente, não estou convencido que se eu fiz a coisa certa.
Tudo pode dar tão errado depois que eu matar essa mulher que... eu posso perder tudo que construí até agora.
Posso ser preso pelo resto dos meus dias, ou até ser condenado a morte. Não temo a morte, admito que seria até melhor que passar meus dias mofando dentro das grades com um bando de macho fedorento. Mas nenhuma das duas opções me parece vantagem.
Para completar, Lavínia está muito mais do que deveria em meus pensamentos. Eu preciso me lembrar que ela não é “Lavínia”, “a juíza”, ela e apenas o “alvo”. É assim que eu devo chama-la, droga! Só devo pensar nela se for para resolver algum detalhe do plano de como mata-la.
Apesar disso, meus pensamentos insistem em me trair e pensar naqueles malditos olhos negros, naqueles cabelos, na pele macia, na boquinha carnuda em especial quando ela passa a língua nos lábios para lubrifica-la, naquele corpo escultural que a maldita foi privilegiada em ter.
Era ela que deveria estar pensando em mim, nos meus braços, cheiro, sorriso, nas minhas mãos a segurando com firmeza quando quase caiu e eu impedi. Esse era a p***a do plano!
Uma mulher bonita não pode mudar tudo, c*****o!
E eu preciso arrumar uma maneira de trazer meus pensamentos para onde devem estar e manter o foco – preciso me lembrar que Lavínia Milani é só mais uma pobre alma que o destino sentenciou a mim.