Há muito o que fazer no início de um caso, em especial um importante assim. Eu não posso simplesmente pegar uma arma e matar, mesmo que eu faça isso é preciso ter certeza que nenhuma merda vai respingar em mim. Antes eu preciso conhecer o alvo, sua rotina, os lugares que frequenta para saber o melhor lugar para resolver isso, as pessoas que ela ama, as pessoas que ela tem por perto que possam ser um problema depois – para minha insatisfação, nesse caso as pessoas ao redor do alvo são obcecadas por justiça.
Esse caso será um desafio. Matei muitas pessoas, tantas que eu só consigo contar porque tenho um caderno e eu sei que ali nem contém todos – eu comecei a contagem algum tempo depois de já estar na ativa. Mas nenhuma dessas pessoas eram como Lavínia, alguém totalmente envolvido no poder judiciário – mais que envolvido, essa mulher É o poder. Será bem difícil se aproximar dela, será difícil mata-la sem deixar rastros nem pontas soltas para investigar, será extremamente complicado. Mas tudo bem... todo homem precisa de um bom desafio.
A primeira coisa é acertar o meu pagamento. Não farei todo esse serviço para no final acabar não ganhando nada – e apesar de difícil e talvez demorado, que eu vou terminar isso de um jeito ou de outro, eu vou. Não recebo com merda de “metade agora, metade depois”. Só recebo o valor completo depositado direto na minha conta fantasma e totalmente segura, depois fazendo transferências pequenas em contas espalhadas para não levantar suspeitas. Marcel também precisa aguardar para receber o seu, mas sabe que é seguro e melhor assim.
Nesse caso tive “um cheque” em branco, o que significa mais uma carta branca para escolher o meu valor que realmente um cheque, isso porque pegar o valor assim seria arriscado – eu teria uma grande quantia para fazer a retirada e no nome de uma pessoa ligada a vítima. É claro que não sou i****a para isso, então Marcel fez contato com o contratante e informou que a transferência deveria ser feita para minha conta do valor completo.
O valor? Eu quero cem milhões de dólares pela cabeça de Lavínia Milani.
Droga, é uma cabeça muito difícil de ser arrancada e os meus serviços custam caro no geral – é claro que o maior desafio que eu já tive será ainda mais caro. Poderia ser ainda pior, mas acabei me contentando com isso. Já fiz um planejamento dos meus passos e estou sentado na frente do notebook, esperando acabar o prazo que dei para a transferência ser confirmada com o dinheiro caindo na minha conta – mais dez minutos é o que o contratante tem.
Não preciso esperar mais muito tempo, apenas cinco minutos são o suficiente para a notificação chegar. Curvo os lábios em um sorriso...
Vamos começar a brincadeira.
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Primeiro passo, é criar uma identidade para mim. Alguns casos eu posso conhecer o alvo apenas na hora de finalizar, eu consigo desvendar tudo sobre ele de longe. Mas em outros é preciso de mais esforço, são mais complexos – e admito que gosto assim. Eu deveria ter pedido mais dinheiro inclusive, pois estou prevendo um grande período concentrado apenas na Srta. Milani.
Penso em uma profissão que uma juíza iria se atrair. Não pode ser nada relacionado a justiça pois seria muito clichê e ao mesmo tempo ela teria acesso para me descobrir. Ser um professor seria bom, ensinar a outros – em especial se fossem crianças – me daria alguns pontos. Porém, eu não poderia ter tanto dinheiro sendo um professor. Acho que... um médico, coincidentemente. Não vou precisar fingir por muito tempo – eu espero – então não terei problemas.
Posso trabalhar na área de psicologia, será mais fácil esconder minha incapacidade de salvar alguém. Além disso, também pode ser explicado eu não estar em nenhum hospital. Faço o necessário no computador para comprovar caso o necessário, pesquiso um pouco sobre o assunto e também sobre Lavínia Milani. Como previsto, há muitos casos e notícias aqui.
A internet ama essa mulher, o povo ama essa mulher, as notícias a colocam como se fosse Jesus. Não há um caso onde tenham questionado sua decisão, a mulher é claramente implacável. Como diabos vou simplesmente matar uma mulher dessas sem ser pego? A arma do crime precisa ser meticulosamente escolhida, lugar, uma cena bem montada. A minha única escolha será montar um suicídio perfeito e para isso, preciso entrar na vida dela, na casa dela, ganhar sua confiança.
— Vamos conhece-la então, Srta. Milani, admito estar ansioso. — A foto dela está estampada na minha tela de computador.
A aparência da mulher não parece condizer com sua personalidade, com certeza. Olho para a foto dela alguma segundos, a boca fina, os olhos grandes, negros e profundos, os cabelos tão macios que é perceptível por uma tela e mesmo assim não chegam perto do que eu vi ontem. A pele dela parece a própria porcelana, branca, delicada, atrativa. Mas por dentro a mulher não é nada frágil e delicada, é um animal feroz que eu adoraria poder domar.
Será realmente um grande desperdício.
Fecho a tela do computador e vou me preparar para a batalha. Para hoje, tomo um bom banho, aparo a barba, coloco o perfume em áreas bem específicas e depois me visto em um terno. Não coloco gravata porque já seria demais, deixando os primeiros botões abertos e expondo o meu peito. Um relógio caro no pulso, sapatos e cabelos bem penteados, é assim que me preparo para começar o caso de Lavínia Milani.
Entro na Lamborghini e sigo em direção ao fórum, estaciono e torno a entrar no restaurante em horário de almoço. Já tenho o esquema acertado com Marcel, que geralmente não tem participação em meus assassinatos mas ajuda quando é muito necessário – como nesse caso. Enquanto aguardo pacientemente, eu aproveito para usufruir do cardápio do restaurante e pedir um almoço completo.
Pouco tempo depois de finalizar minha refeição, noto a chegada do alvo. Lavínia hoje está com um vestido justo de cor terracota que deixa suas curvas perfeitamente visíveis. As ancas, a cintura, os p****s pequenos, infelizmente há pano demais cobrindo a pele dela e eu queria muito poder ver um pouco mais. Foco, Ethan!
A juíza caminha em seus saltos finos e acompanhada do mesmo homem da última vez, porém, há uma mulher entre eles também. Ela parece em casa, bem a vontade entre seus colegas de trabalho e sorri como se não fosse o carrasco de muita gente. Mantenho a atenção neles de forma disfarçada e aguardo até Marcel cumprir a parte dele.
Meu parceiro está distante de mim, sentado na parte do bar. Eu preciso tirar Lavínia da mesa e de um encontro clichê capaz de derreter até as mais duronas das mulheres, afinal, isso faz parte da natureza delas. Quando Marcel levanta do banco, eu deixo alguns dólares na mesa, me preparo e faço o mesmo. Só preciso de um esbarrão, então ela cairá nos meus braços e será o suficiente para ficar encantada comigo – não importa sua profissão, não há mulher no mundo capaz de resistir a esses braços.
Marcel caminha com um copo de bebida na mão e claro que de forma nada intencional, faz o conteúdo cair em cima de Lavínia.
— Droga! — Ela exclama, com uma voz feminina e cheia de autoridade.
— Oh, Deus! Perdoe-me, senhora, eu não queria. Meu Deus, eu...
— Está tudo bem, tudo bem, acontece.
— Não acontece, eu fui descuidado. Deixe-me limpar isso. — Marcel coloca o copo na mesa, pegando um guardanapo e tentando tocar Lavínia para cuidar da mancha na altura do seu decote.
— Tire suas mãos! — Ela levanta agora mais nada calma e ergue sua mão para ele, antes de ajeitar o vestido em suas coxas visivelmente grossas. — Eu disse que está tudo bem, eu mesma cuido disso.
— Eu só queria ajudar. Mais um vez, eu peço desculpas. — Marcel entrega sua melhor atuação, até eu acreditaria. Permaneço parado a uma boa distância, ao lado de uma das colunas dos restaurante. — Tenham um bom almoço.
Quando ele se despede, ganhando uma cara de poucos amigos tanto da juíza quanto dos acompanhantes, é a minha deixa. Lavínia precisará ir no banheiro para cuida da mancha, então calculo o tempo certo e começo a caminhar até ela. É no cruzamento dela virando para ir ao banheiro e eu tentando aparentemente ir para a saída que ela se choca com força contra mim – tão forte que ela grita quando seu corpo pequeno encontra a parede de músculos em sua frente e eu preciso segurar sua cintura para evitar sua queda.
Bingo.
Lavínia por instinto leva as mãos aos meus braços e seus olhos crescem com o susto. Sua respiração também muda na hora ao ser pega de surpresa e nossos olhos se cruzam pela primeira vez. A áurea ao redor muda, se tenciona, eu sinto como se pegasse fogo e ela é a gasolina.