CAPÍTULO 02 — ETHAN

1800 Words
Tenho um novo caso sem m*l ter tido tempo de comemorar ou descansar do antigo, mas admito que é uma história interessante – em especial depois de saber do cheque em branco que é um ótimo incentivo. Não sei ainda muita coisa sobre o alvo e não me interessa. Tudo que preciso é saber se o homem pode ou não me dar o valor que preciso ou a vaga passará para o próximo. Por isso, eu começo a minha investigação sobre o quanto uma pessoa pode ganhar na profissão dele – não é bem uma profissão mas eu não tenho muito do que reclamar já que a minha também não é das mais éticas. — Pelo que eu sei, o homem tem grana. A juíza realmente é implacável. Você não pode compra-la nem tentar conversar com ela sobre algo do tipo, a mulher levou o cara a falência e ainda condenou o filho a prisão. Ainda vai demorar onze anos para o filho sair da cadeia e quando sair, nunca mais poderá atuar como cirurgião. — Marcel veio até mim em minha casa para tirarmos as dúvidas sobre nosso novo caso. É claro que ele quer que eu aceite, afinal, ganha sua porcentagem de lucro. A questão é que ele não é muito inteligente, ao ver dinheiro o homem perde totalmente a racionalidade, por isso não é todos os casos que ele me traz e eu aceito – fora os que nem chegam para mim. Tenho certeza que Marcel venderia a minha cabeça se for necessário para ganhar uma grande quantia em dinheiro, mas nossos negócios são apenas profissionais e não de confiança. Claro que Marcel também sabe que eu iria mata-lo facilmente se ele pensar em me trair, então se contenta com o que recebe e com manter a sua medíocre vida. Depois que ele traz os casos vantajosos para mim, eu faço uma análise mais racional e só então eu aceito. — Como ele tem tanto dinheiro a esse ponto se faliu por pagar uma mísera quantia de um milhão e trezentos mil dólares? — Raciocino. — Ele não faliu apenas por pagar essa quantia, faliu porque a filha da p**a da juíza tem muita credibilidade. Depois do julgamento e de suas palavras, ninguém mais queria frequentar esse hospital. A multa foi paga, o filho dele foi e continua preso, mas depois disso ele só seguiu perdendo sua reputação e nenhum paciente queria ser atendido no hospital, até que fechou. — Isso só me mostra que a mulher é realmente poderosa. Se ela tem uma amplitude tão grande para manipular pessoas a não fazer algo, é porque gostam muito dela. A morte da juíza que é figura pública pelo que entendi causaria grande comoção e não sei se seria uma boa para meu negócio meu ligar com ela. Sei que ao mesmo tempo haveria muitas pessoas que ficariam felizes por se ver livre de alguém que aparentemente é uma pedra no sapato de muita gente importante – era questão de tempo alguém tentar mata-la. — É um caso arriscado. — Tenho ótimos sentidos e eles estão me dizendo para não aceitar. É perigoso matar alguém que se tornaria um martim, mesmo a morte não deixando rastros os comentários durariam por anos a ponto de talvez nunca deixarem de se perguntar a causa. Mas não me parece que é apenas receio disso. — Não estou muito certo disso ainda. — Quer o nome pelo menos do contratante? Você pode usar para pesquisar e confirmar tudo que precisa antes de responder. — Sugere. — Não. Isso está fora de questão. — É claro que n**o. Isso está longe do meu método de trabalho, principalmente porque se soubesse o nome de quem está me contratando seria fácil encontrar o caso completo e o nome do alvo também antes de decidir se aceito ou não – são apenas regras para manter tudo impessoal mas eu as levo bem a sério. — Tudo bem. — Responde meio desgostoso. — Acha que realmente seremos pagos o valor que pedirmos? — Você é pago antecipadamente, Ethan. Se ele não pagar, você não resolve o problema. Mas acredite, vale a pena não desistir assim tão rápido sem pensar bem. — Insiste. Posso ver os olhos brilhando apenas por imaginar o dinheiro com certeza. — Por favor, Ethan. O que pode dar errado? ••• Depois de uma longa conversa com Marcel, tomei um banho e um café da manhã reforçado. Me visto com um terno preto e camisa da mesma cor, afinal, provavelmente estarei cercado de almofadinhas que se vestem assim e preciso me enturmar para não ser notado. Quando fico pronto, sigo o endereço junto com o meu comparsa para uma parte importante da minha aceitação ou não. Vou devagar estacionando em um restaurante próximo ao fórum, sempre bem atento ao que está a minha volta e concentrado nas pessoas. Não recebo nenhuma indicação de Marcel, então apenas saio do carro e entro no restaurante chique e como imaginei, cheio de gente que gosta de status elevado. Aqui por ser próximo ao centro do poder judiciário, atende a vários advogados, promotores, e juízes. Todos estão em suas mesas distraídos em conversas e pastas enquanto Marcel e eu somos direcionados a uma mesa – que eu faço questão de que tenha um bom ângulo de visão e ao mesmo tempo seja reservada. Faço o pedido de uma água apenas e Marcel já começa com entradas. Com o cardápio na mão, eu até olho o que tem disponível e mesmo tendo comido faz pouco tempo, até sinto vontade de experimentar algum dos pratos mas no momento esse não deve ser o meu foco principal. — Qual dessas? — Questiono a Marcel que já sabe quem é a mulher que está em analise em se vai entrar na minha lista ou não – se for bonitinha o máximo que posso fazer é dar a ela uma morte rápida e indolor. Marcel olha ao redor, buscando lentamente nas proximidades onde está a mulher que deve se tornar meu alvo. Ele demora tempo demais a ponto de me deixar impaciente e minha água chegar, aceno para o garçom e começo a beber. Estou realmente precisando beber para me acalmar um pouco, então aproveito o garçom e peço agora uma boa taça de vinho. — Ela não está aqui. — Depois de muita procura, essa é a resposta dele. — Essa mocreia m*l amada deve ser tão feia que não deve gostar em nada de estar em público mais do que o necessário. — Comento. — Por que acha que a mulher é feia? — Juíza, careta, gosta de atormentar a vida dos outros e claramente não tem vida social. Esses parecem motivos bons suficiente para mim, para você não parecem? — Apesar do meu comentário fazer muito sentido, Marcel apenas sorri. — Vai beber dirigindo? — Cale a boca, Marcel, vai me processar por isso? — Já não tive sucesso em ver de perto meu possível alvo, estou trabalhando quando gostaria de passar alguns dias de folga antes de voltar a caçar alguém para matar e ainda não posso beber? Isso parece um pesadelo para mim. Marcel acaba aceitando sem ter muita opção e fica calado até sua entrada chegar, que o cheiro e a aparência parecem tornar o prato bem apetitoso. A atenção dele se concentra na comida e então, meu vinho – que foi o que me manteve aqui apesar da mulher não estar – chega. É realmente tão delicioso que vale a pena a vinda até aqui e me faz quase esquecer os motivos que tenho para estar puto da vida – quase. — É ela, a juíza. — Quando ouço a voz de Marcel dando a boa notícia, preciso me controlar para não olhar imediatamente na mesma direção que ele. Acalmo minha ansiedade, a típica adrenalina que sinto quando estou prestes a conhecer a minha presa. Só então eu disfarçadamente viro meu rosto para quem vem da direção da entrada do restaurante, mostrando que acabou de chegar. Quando eu o faço, não podia estar mais enganado sobre a aparência dela. A mulher parece até não ser real, de tão bonita. Ela não está vestida como uma velha em um terninho, está em um jeans justo, uma blusa mais social de cor branca e um blazer por cima. Seus cabelos negros como a noite são compridos a ponto de alcançar quase a sua b***a – se ela inclinar um pouco a cabeça para trás encosta. De longe percebe-se como os fios são macios desde a raiz lisa até a ondulação natural nas pontas. A pele branca contrasta com a cor dos cabelos e o rosto dela é tão delicado que com certeza matar é um pecado menor que toca-lo. Os lábios recheados e carnudos, os traços finos, os olhos grandes e o nariz arrebitado – se ela usa maquiagem é tão leve que não dá para perceber. A juíza está acompanhada de um homem e parece se divertir na companhia dele, que não sei se é um colega ou ela tem algum relacionamento com ele – o pensamento me faz ter vontade de matar o miserável e não ela. Como eu disse, um caso perigoso, mas beleza nenhuma me impedirá de completar a minha missão, nem que ela fosse a própria deusa da beleza – não que esteja longe disso. Só preciso de alguns segundos atento a ela, seus movimentos, seu olhar, a forma que ela move sua cabeça para falar, seus gestos, os sorrisos. Tudo isso faz parte da leitura de personalidade que preciso para verificar se será muito difícil ou não terminar a missão da vez – muito, essa mulher será muito difícil. Seu rosto deixa claro que ela é problema, de longe, ela cheira problema. Deixo a quantia de dinheiro na mesa e Marcel faz o mesmo. Fico de pé, traçando uma reta com meus pés de modo a passar perto da juíza. Sinto a necessidade de vê-la mais próxima e por isso, passo ao lado de sua mesa. Ouço o som da gargalhada dela, quando o vento bate em seus cabelos o cheiro de doçura invade meus pulmões e eu só consigo pensar que talvez ela não seja tão r**m – o que me importa? Depois de passar como um furacão ao lado dela, tão rápido para não ser visto de frente pelo menos, sigo para a saída e só paro quando estou no meu carro. Sentado no banco do motorista, encaro o nada por alguns segundos. Marcel ao meu lado também resolve que é uma ideia melhor respeitar esse tempo. — Qual o nome dela? — Questiono, sem olhar para ele e m*l conseguindo piscar. Ele sabe o que isso significa. — Lavínia Milani. — Esse é o meu novo alvo.
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