Gabriel O silêncio na kitnet era tão denso que eu podia ouvir o zumbido da lâmpada nua no teto. Eu ainda segurava os pulsos de Maya, sentindo a pulsação dela martelar contra a minha palma. Eu deveria soltá-la. Deveria expulsá-la daqui e queimar aquele envelope antes que o sol nascesse. Eu devia ter forças para manter minha armadura no lugar. Forte e impentravél. Mas a forma como ela me olhava... não havia julgamento. Havia uma fome de verdade que eu não sabia como saciar sem nos destruir. Essa... garota... estava tirando eu de mim mesmo e por mais que eu não quisesse, não pude evitar. Lentamente, relaxei a pressão dos meus dedos. Meus braços caíram ao lado do corpo, pesados como chumbo. A exaustão que eu vinha empurrando para o fundo da alma nos últimos três anos subiu pela minha gar

