Caminhas e corridas

632 Words
Gabriel. A água morna do chuveiro batia nos meus ombros, mas o calor que eu sentia não vinha da tubulação. Vinha do corpo de Maya, pequeno e firme sob as minhas mãos. Eu fazia questão de lavar os cabelos dela, deixando a espuma deslizar pelo seu pescoço, mas percebi quando ela se contorceu de leve, um estremecimento que tentou disfarçar. — Está com dor? — perguntei, fechando o registro por um momento para que o silêncio nos envolvesse. Minha voz saiu baixa, quase um comando. Maya inclinou a cabeça, tirando o excesso de sabão dos olhos e me encarando com uma firmeza que me desarmava. — Um pouco dolorida e ardida, mas estou bem. De verdade. Eu não estava convencido. A culpa, aquela maldita sombra que eu carregava desde que saí da ativa, tentou se infiltrar de novo. Eu a prensei contra a parede úmida do azulejo, sentindo o choque térmico entre a pele quente dela e o frio da cerâmica. Apertei meus dedos na sua cintura, bem em cima de onde a marca roxa já começava a ganhar cor. — O que aconteceu lá no quarto. — sussurro — Maya? Me fala a verdade. Eu perdi a mão, não perdi? Passei do ponto. Foi demais... Ela soltou um risinho curto, uma provocação que dançava no canto dos lábios dela. — Não passou. — Não precisa mentir, Maya. — Estou me perguntando como vai ser quando você não precisar se segurar. Eu franzi o cenho, o rastro de uma cicatriz na minha testa se acentuando. — Não entendi. Maya desviou o olhar por um segundo, a timidez lutando contra a ousadia, mas a ousadia venceu. Ela voltou a me olhar, os olhos brilhando sob a luz amarela e fraca do banheiro. — Adorei a sua versão inicial. A forma como me tocou... a força. — Ela deslizou a mão pelo próprio pescoço, sentindo as marcas que eu deixei. — Eu sei que estou toda roxa, Gabriel. Mas eu não mudaria nada. Senti um soco de adrenalina no baixo ventre. — Maya... — digo seu nome em tom de alerta. — Ainda sinto você me paertar, me morde e me chupar. — ela sussura. — Você não deveria ir por esse caminho, garota — sibilei, aproximando meu rosto do dela até que nossas respirações se misturassem ao vapor. — Não agora que o monstro está controlado. Eu quase perdi o juízo hoje porque achei que você era outra pessoa, outra... resistência. Se você me incentiva a ser quem eu realmente sou entre quatro paredes, você não vai aguentar o tranco. Acabou de ter sua primeira vez. Maya soltou um gemido baixo, uma mistura de dor e puro t***o, e se empurrou contra mim, colando nossos corpos molhados. — Eu agradeço a calma da primeira vez, juro. Foi... especial. Mas eu estou doida para ver o monstro em ação, Capitão. Eu soltei um sorriso perverso, o tipo de sorriso que eu só usava quando o plano de invasão estava pronto e o alvo estava na mira. A adrenalina que eu tentava enterrar estava ali, rugindo, alimentada pela coragem suicida dessa mulher. — Você precisa aprender a andar antes de começar a correr, Maya — murmurei, descendo minha mão da cintura para a curva da sua b***a, apertando com uma força que a fez arquear as costas. — O que eu faço no escuro não é poesia. É guerra. — E você já devia saber que eu amo um desafio — ela rebateu, passando os braços pelo meu pescoço e me puxando para um beijo que tinha gosto de sabão e perigo. Naquele momento, eu soube: eu tinha encontrado a única pessoa no mundo louca o suficiente para abraçar a minha escuridão. E Deus me ajudasse, porque eu não pretendia ser gentil na próxima vez.
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