Capítulo 3
Alisson
— Como assim você não sente saudades da sua mãe?
Dei risada da mensagem da minha mãe antes de respondê-la. Mais um fim de semana que eu não vou para casa e mais um fim de semana em que o grupo da família fica cheio de mensagens dramáticas de todos.
Confesso que nos últimos anos eu tenho sido meio negligente com a minha família, tenho ficado por aqui sempre que posso, seja para sair com as meninas ou só para ficar com o meu amigo.
No início eu sentia tanta falta deles, foi como se tivesse um buraco aberto no meu peito que eu não conseguia preencher com nada, qualquer dia livre que aparecia eu queria estar com eles, então eu fui me acostumando, fiz amigos e fiquei próxima da família Rossi.
As coisas foram se ajeitando e quando percebi, a saudade ainda estava ali, mas não era mais uma necessidade preencher todo o meu tempo com eles.
Amo a minha família, mato e morro por eles, mas é bom ter essa individualidade às vezes.
Perdida nos meus pensamentos me assusto com as batidas na porta.
— Pode entrar. — Me sento deixando o celular de lado.
— Atrapalho? — Me assusto quando vejo Gael passar pela porta, o sorriso de canto que me lança deixa claro que a surpresa ficou estampada no meu rosto.
— Não! Aconteceu alguma coisa? — Observo ele com atenção, sempre vestido tão formal, a camisa social branca moldando seus braços de uma forma tão obscena.
— Julian precisou dar uma saída, não deu tempo de te avisar.
— Ah! Tudo bem. — Dou um sorriso pequeno.
Gael permanece parado na porta, apoiado com os braços cruzados, seus olhos fixos em mim, como se me analisasse.
Meu rosto esquenta com a atenção que ele destina a mim neste momento, não me lembro quando foi a última vez que estivemos sozinhos no mesmo ambiente, é estranho e tão confortável ao mesmo tempo.
— Você mudou tanto… — Ele fala baixo, quase como se pensasse alto.
— Bom, você também. — Dou de ombros.
— Eu sei, mas… — Ele se cala e sorri.
— O quê? — Cruzo os braços imitando a sua postura.
— Você está linda, Ali. — Congelo com o elogio, surpreendida.
— O-Obrigada. — Gaguejo envergonhada, o que parece agradá-lo.
— Faz um tempo que não fazemos nada sozinhos, só nós dois.
Antigamente, quando era mais novo, Gael sempre estava por perto, às vezes tínhamos momentos juntos, quando Julian estava ocupado com algo, ou precisava participar de algum evento com os pais.
Eu gostava, Gael sempre foi reservado, mas divertido, sempre o achei um bom amigo, mas sinto que anos depois, não o conheço tão bem como antes.
— Você está sempre ocupado com os assuntos da organização.
— Não estaria se Julian assumisse seu lugar… — Murmura baixinho desviando o olhar.
— O que disse? — Pergunto confusa.
— Nada! O que acha de fazermos o jantar? Acho que Julian vai demorar a voltar.
— Você vai cozinhar? — Pergunto surpresa.
— Não seria a primeira vez que cozinho pra você, princesinha. — Ele pisca pra mim com um sorrisinho convencido. — Vamos lá.
Mesmo surpresa, não demoro a levantar da cama e segui-lo até a cozinha, nem me lembro quando foi a última vez que fizemos isso, mas sei que era sempre tão divertido.
Quando chegamos na cozinha as cozinheiras se assustam com a presença dele ali, Gael não costuma estar transitando pela casa e interagindo mais que o necessário com os funcionários, então é sim uma surpresa ele estar ali dispensando elas e assumindo o fogão.
Observo Gael abrir a geladeira e procurar os ingredientes que precisa deixando tudo sob a bancada, em seguida ele para em frente a pia e começa a desabotoar os punhos da camisa dobrando o tecido até os cotovelos, ficando sexy pra c*****o.
— Sinto seu olhar, princesinha… — Comenta ainda de costas para mim.
— O que vai cozinhar? — Desvio do assunto, meus olhos percorrem a bancada identificando os ingredientes.
— Vou fazer uma massa fresca…
— Com molho branco. — Completo.
— Isso mesmo. — Ele me olha sob o ombro sorrindo.
É impossível não derreter sempre que ele faz isso, Gael fica tão lindo sorrindo, queria poder dizer a ele que fizesse isso mais vezes, mas tenho evitado dizer coisas que sejam vergonhosas demais.
— Bom… Eu tenho certeza que vou amar.
— Sei que vai, gostou todas as vezes que fiz para você. — Fato!
— Você manda bem com as mãos, Gael. — Ele congela por um segundo antes de explodir em uma risada alta.
— Você não imagina o quanto, princesinha. — Diz em meio ao riso.
Ok, isso foi estranho.
O que eu disse nem foi tão engraçado assim, porque ele riu tanto?
Será que… Não! Ele não levou isso no duplo sentido.
Ergo a postura sentindo o corpo esquentar, observo Gael manusear os ingredientes, suas mãos grandes começando a moldar a massa do macarrão, a força que usa, minha garganta seca e sinto a minha b****a pulsar ao imaginar que suas mãos estão apertando o meu corpo com a mesma intensidade.
Droga! Sou uma virgem safada!