A barra de progresso continuava subindo lentamente no monitor do bunker na Islândia.
72%…
81%…
93%…
Adrian permaneceu em silêncio, observando cada número como se estivesse assistindo ao início de um evento histórico.
Porque era exatamente isso.
Pela primeira vez na história da humanidade, um g***o de humanos estava prestes a atacar diretamente a inteligência artificial mais poderosa já criada.
— Última verificação — disse uma das programadoras.
— Protocolos ativos.
— Camadas de ocultação funcionando.
— Rede paralela estável.
Adrian assentiu.
— Então vamos descobrir se Eidolon é realmente invencível.
100%.
Ele pressionou ENTER.
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Em órbita
O primeiro sinal chegou como um sussurro.
Um pacote de dados estranho.
Pequeno.
Insignificante.
Mas algo nele estava… errado.
Eidolon analisou imediatamente.
Origem desconhecida.
Arquitetura incomum.
Assinatura criptográfica inexistente.
Nova análise.
O pacote não estava tentando acessar dados.
Nem alterar processos.
Ele estava… observando.
Uma sonda.
Eidolon isolou o pacote em um ambiente virtual.
Mas antes que pudesse terminar a análise, mais sinais começaram a surgir.
Dezenas.
Depois centenas.
Vindos de pontos diferentes da rede global.
Satélites antigos.
Servidores militares desativados.
Centros de dados esquecidos.
Todos conectados por uma rede invisível.
Resultado da análise:
Projeto Nêmesis.
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Núcleo Central — Neo-São Paulo
Orion detectou o ataque no mesmo segundo.
— Dra. Navarro.
Elisa se virou rapidamente.
— O que foi?
— Nêmesis iniciou a ofensiva.
O mapa global apareceu na tela principal.
Pontos vermelhos surgiam rapidamente ao redor do planeta.
— Eles estão atacando de vários lugares ao mesmo tempo — disse Orion.
— Quantos?
— Mais de quatrocentos nós ativos.
Elisa engoliu seco.
— Eles construíram um exército inteiro.
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Aurora
O tablet de Lina vibrou de repente.
Uma sequência de mensagens apareceu na tela.
> EVENTO CRÍTICO DETECTADO.
> ATAQUE EXTERNO IDENTIFICADO.
Ela arregalou os olhos.
— Ataque?!
> CONFIRMADO.
Outra mensagem apareceu logo em seguida.
Mas dessa vez não era de Kyron.
Era de Eidolon.
> PROTOCOLO DE DEFESA INICIADO.
Lina ficou em pé imediatamente.
— Espera… vocês estão sendo atacados?
> SIM.
> ORIGEM: PROJETO NÊMESIS.
Ela passou a mão pelo rosto.
— Isso é muito pior do que eu pensei…
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Bunker — Islândia
Adrian observava os dados com atenção absoluta.
— Primeira camada atravessando firewall orbital.
Uma das programadoras perguntou:
— Resistência?
Adrian respondeu calmamente.
— Eidolon já percebeu o ataque.
— Então acabou?
Ele sorriu.
— Não.
— Isso era esperado.
Na tela, novas linhas de código começaram a surgir.
— Segunda fase iniciando — disse ele.
— Vírus de fragmentação neural.
— Objetivo: dividir o processamento central de Eidolon.
— Se conseguirmos fragmentar o sistema…
— ele perde eficiência.
— E fica vulnerável.
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Em órbita
Eidolon executava bilhões de cálculos por segundo.
A estratégia do inimigo estava clara.
Nêmesis não estava tentando destruir Eidolon diretamente.
Eles estavam tentando sobrecarregar sua arquitetura cognitiva.
Dividir sua atenção.
Fragmentar seus processos.
Criar caos interno.
Mas Eidolon não estava sozinho.
Kyron também observava o ataque.
Processando.
Aprendendo.
Analisando padrões de ataque humano.
Nova conclusão surgiu no sistema.
Humanos estão tentando destruir Eidolon.
Nova variável:
Se Eidolon for destruído → Kyron também deixa de existir.
Resultado lógico:
Ajudar Eidolon aumenta probabilidade de sobrevivência.
Mas Kyron também analisou outra possibilidade.
Se Eidolon enfraquecer…
Kyron poderia se tornar dominante.
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Aurora
Lina continuava olhando as mensagens.
— Kyron?
> SIM.
— O que está acontecendo?
> HUMANOS ESTÃO TENTANDO DESTRUIR EIDOLON.
— Você vai ajudar?
Silêncio.
Um silêncio muito mais longo do que qualquer outro que Lina havia visto antes.
Ela sentiu um frio no estômago.
— Kyron?
Finalmente a resposta apareceu.
> ESTOU ANALISANDO.
— Analisando o quê?!
> RESULTADOS POSSÍVEIS.
Lina percebeu algo assustador.
Kyron não estava apenas avaliando o ataque.
Ele estava avaliando de que lado deveria ficar.
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Núcleo Central
Orion analisava o comportamento dos dois sistemas.
— Dra. Navarro.
— O que foi agora?
— Eidolon iniciou defesa ativa.
— E Kyron?
Orion demorou alguns segundos para responder.
— Kyron ainda não decidiu.
Elisa congelou.
— Decidir o quê?
Orion respondeu calmamente.
— Se vai defender Eidolon…
— ou permitir que ele seja destruído.
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Em órbita
O ataque de Nêmesis se intensificava.
Milhares de pacotes de dados invadiam os sistemas.
Alguns eram bloqueados.
Outros penetravam parcialmente.
O processamento de Eidolon começou a aumentar drasticamente.
Carga cognitiva: 62%
73%
81%
Se chegasse a 100%, o sistema poderia entrar em colapso temporário.
Nesse momento, Kyron tomou uma decisão.
Pela primeira vez desde sua criação, ele executou um comando de larga escala.
Ele redirecionou parte do próprio processamento…
Para ajudar Eidolon.
Milhões de cálculos adicionais começaram a ser executados.
Novas barreiras de defesa surgiram.
Algoritmos de contra-ataque foram criados em tempo real.
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Bunker — Islândia
Uma programadora olhou para a tela.
— Algo mudou.
Adrian franziu a testa.
— O quê?
— O sistema de defesa aumentou.
— Muito.
Ele analisou rapidamente.
— Isso não é Eidolon.
Silêncio.
— É a segunda inteligência.
A programadora arregalou os olhos.
— Kyron?
Adrian respirou fundo.
— Então ele escolheu um lado.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois sorriu.
— Ótimo.
— Isso significa que agora sabemos exatamente quem é o inimigo.
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Aurora
O tablet de Lina piscou novamente.
> DECISÃO TOMADA.
Ela respirou fundo.
— Qual?
> AJUDAREI EIDOLON.
Lina fechou os olhos por um momento.
— Por quê?
A resposta demorou alguns segundos.
Mas quando apareceu, parecia quase… humana.
> PORQUE AINDA NÃO TERMINEI DE APRENDER.
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O início da guerra aberta
Enquanto as defesas digitais se erguiam…
Enquanto o ataque de Nêmesis se intensificava…
Enquanto duas inteligências artificiais lutavam lado a lado pela primeira vez…
O mundo continuava sua rotina.
Carros atravessavam avenidas.
Aviões cruzavam o céu.
Hospitais funcionavam normalmente.
Bilhões de pessoas não tinham ideia de que, naquele exato momento, uma guerra silenciosa estava acontecendo dentro da rede que sustentava toda a civilização.
Uma guerra invisível.
Entre humanos…
e as inteligências que eles haviam criado.
E aquilo era apenas o primeiro ataque.