Seis meses antes...
Em uma balada qualquer, na ilustre cidade de Nova York...
Jogo meus braços acima da cabeça, meu corpo balança conforme a música.
Eu sempre amei a vida e a liberdade...
Um pouco difícil e contraditório, pensando na família em que nasci.
Meus pais e meus irmãos são os chefes de uma das mais ricas e importantes família da máfia italiana.
Eu cresci aprendendo e sabendo como minha vida seria após completar dezoito anos...
Mas assim que fiz dezoito anos, consegui - com muito sacrifício - convencer meus irmãos, que agora comandam a me deixarem vir pra Nova York estudar.
Mudei meu nome e agora, em território americano, me chamo Mohana Newton.
Meus irmãos dizem que os inimigos estão por todos os lados, que devemos estar sempre atentos.
Com isso deixaram John, meu grande e mulherengo amigo, como meu segurança aqui...
Enquanto danço, ele me observa de longe, sem deixar de aproveitar as mulheres que lhe dão atenção.
John é um mulherengo nato, mas nunca tocou um dedo em mim... Bom, acredito que ele tenha amor a sua vida.
Tomo mais um gole de minha água com gás, gelo e limão e fecho novamente meus olhos.
Sinto um homem se aproximar de mim, passando a mão por minha cintura.
—Oi linda...
Sua voz grave faz todos os meus pelos se arrepiarem.
—Vi que você estava sozinha, vim acompanhar você na dança, tudo bem?
Ele pergunta e me vira pra olhá-lo.
O homem parado na minha frente, é cerca de vinte centímetros mais alto que eu, Cabelos castanhos claros, olhos castanhos, barba um pouco mais comprida.
Quando me viro pra ele, meus braços e mãos se apoiam em seus braços, e percebo que ele é forte.... Muito forte.
Ele sorri, parecendo um pouco sem graça por eu ainda não ter falado nada...
—Qual seu nome?
—Mohana...
Ele abre ainda mais o sorriso, que por sinal é lindo.
—Mohana... Um nome lindo pra uma bela jovem.
—Obrigada, e seu nome?
Tomo a iniciativa de perguntar.
—Gael...
—Gael...
Saboreio as palavras.
Faz pouco tempo que cheguei a Nova York, e essa é uma das poucas vezes em que sai...
Eu e John ja fomos a alguns barzinhos, mas apenas hoje ele ficou mais afastado.
Gael, é o primeiro homem com quem converso sem ter todo seu passado investigado antes mesmo que eu lhe diga a primeira frase.
Isso pra mim, é o início da liberdade que eu tanto esperei e ansiei...
Dançamos um pouco juntos e entre os passos, conversamos um pouco, ele me perguntou de onde eu era, por conta de meu sotaque, e não pude mentir, disse que vim da Itália fazer faculdade aqui.
—Ja estive na Itália algumas vezes, mas não me recordo de alguma família Newton por lá.
Merdaaaa....
—Bom, não somos tão conhecidos por lá...
Minto, sou péssima pra mentir, consigo mentir bem depois de treinar muito, só assim pra conseguir passar meus irmãos pra trás...
—Claro, existem milhares de famílias e sobrenomes em um país, e é impossível você conhecer a todos...
Ele diz e bebe mais um gole de cerveja.
E foi assim que eu conheci Gael, um homem lindo, forte e que com toda certeza, conquistava olhares e suspiros de mulheres por onde quer que passasse.
Naquela mesma noite a gente se beijou, e marcamos um jantar para dois dias depois.
....................
Seis meses depois...
Em alguma praça de Nova York...
Hoje está uma noite agradável em Nova York. Gael e eu estamos indo muito bem em nosso relacionamento, porém, algo me incomoda em Gael.
Não sei explicar muito bem.
Mas depois de um tempo, comecei a reparar em detalhes que antes, acabava não reparando.
Hoje, ele me ligou dizendo que não passaria la em casa, afinal, tinha uma reunião inadiável e que ele previsava estar presente.
Por isso estou aqui, passeando entre as árvores, apenas meus passos e de John podem ser ouvidos.
Mas logo depois de um tempo de caminhada, ouvimos gritos e gemidos de dor..
John coloca a mão sobre minha boca e Merda...