Entre a Fulga e o D3sejo.

1101 Words
Quem é Marazano afinal? Enquanto caminhavam, Valentina começou a sentir o cansaço da caminhada. Estava descalça, e as pedras afiadas machucavam seus pés, cada passo ficava mais doloroso. Ela tentou esconder o incômodo, mas Fernando percebeu. Sem falar nada, ele parou e se virou para ela. Antes que Valentina pudesse reclamar, ele se abaixou e a puxou para cima, carregando-a nas costas. O calor do corpo dele contra o seu a surpreendeu, e ela ficou sem palavras por um momento. "Eu consigo andar," disse ela, mas sua voz saiu mais suave, sem a firmeza de antes. "Eu sei que consegue," Fernando respondeu, com uma risada leve. "Mas não vou deixar você machucar ainda mais esses pés bonitos. E, se quiser desfilar nua depois, é melhor que esteja inteira, certo?" Valentina fechou os olhos e suspirou. Algo em Fernando a deixava desconcertada, e isso a incomodava. Mesmo assim, ela relaxou um pouco, deixando que ele a carregasse pelo resto do caminho. Quando chegaram à mansão, Fernando a colocou no chão com cuidado. Ela olhou ao redor. O lugar era luxuoso, mais do que esperava, mas ao mesmo tempo, tinha uma simplicidade que a surpreendia. Ele a guiou para dentro, e o ambiente acolhedor contrastava com a tensão que ainda pairava entre eles. "Bem-vinda ao meu refúgio," disse ele, abrindo as portas de um grande salão iluminado por luzes suaves. "Vamos aproveitar a noite, Valentina. Temos muito para conversar... e talvez, quem sabe, você decida desfilar por aqui." Valentina apenas sorriu de maneira enigmática, enquanto tentava entender melhor quem era esse homem que a intrigava cada vez mais. Ao entrarem na mansão, Fernando levou Valentina até a cozinha, onde uma senhora de cabelos grisalhos e expressão gentil preparava algo no fogão. A mulher levantou o olhar ao vê-los entrar, e um sorriso caloroso apareceu em seu rosto. Fernando se aproximou dela com a naturalidade de um filho. "Buenas tardes, mami!" disse ele, inclinando-se para beijá-la no rosto. "Buenas tardes, muchacho," respondeu ela, sorrindo de volta com carinho. "Está com fome?" "Sim!" Fernando respondeu animado, antes de olhar para Valentina, que assistia a cena sem entender muito bem. "E trouxe uma visita, um gatinho selvagem." A governanta olhou para Valentina, seus olhos brilhando com simpatia. "Bem-vinda, querida. Vou preparar um lanche para você." Valentina ficou sem saber o que dizer por um instante. O contraste entre o Fernando frio e perigoso que ela conhecia e esse Fernando doce e carinhoso a deixou confusa. Como ele conseguia mudar de atitude tão rápido? Ela ficou em silêncio, observando, tentando entender mais sobre esse lado inesperado dele. Valentina ficou sem saber o que dizer por um instante, mas a fome acabou falando mais alto. Ela pegou um bolinho e começou a comer devagar. A governanta, vendo que ela tinha aceitado, se aproximou com um sorriso caloroso. "Quer mais, querida? Parece que você não comeu direito nos últimos dias," disse a senhora, com aquele tom cuidadoso de quem já está acostumada a cuidar de todo mundo. Valentina deu um sorriso de canto, meio sem jeito. "É... faz um tempo que não como algo assim," respondeu, pegando mais uma fatia de pão. Fernando, que estava encostado na bancada, deu uma risadinha. "Você vai ver, ela cozinha como ninguém. Pode comer, porque vai precisar de energia," ele falou, sempre com aquela provocação na voz. Valentina parou de mastigar por um segundo e olhou pra ele, meio desconfiada. "Energia pra quê?" Fernando deu uma piscada, pegando uma fatia de pão e passando manteiga. "Ah, você vai ver," respondeu, mantendo aquele sorriso misterioso. A governanta balançou a cabeça e riu suavemente, parecendo acostumada com o jeito brincalhão dele. "Deixa de provocação, menino. Deixa a moça comer em paz," disse ela, enquanto terminava de preparar mais uma travessa de frutas. Valentina observava aquela cena com curiosidade. O jeito leve e descontraído de Fernando com a governanta era completamente diferente do homem que tinha a sequestrado e a levado para aquela ilha. Ela se perguntava se ele era realmente assim ou se aquilo tudo fazia parte de algum jogo que ela ainda não tinha entendido. "Como você consegue mudar tão rápido?" perguntou Valentina, sem se segurar, enquanto pegava mais um pedaço de fruta. Fernando ergueu as sobrancelhas, surpreso pela pergunta direta. "Mudar? O que você quer dizer?" Ela deu de ombros, tentando esconder o desconforto. "Isso. Você é uma pessoa fria e calculista, e agora está aí, brincando, como se fosse o cara mais relaxado do mundo." Ele ficou em silêncio por um segundo, como se pensasse na resposta. "Talvez eu seja os dois," ele disse, com um tom sério dessa vez. "Depende de quem tá comigo." Valentina franziu a testa, sem saber se ele estava falando a verdade ou apenas jogando com ela de novo. Fernando se aproximou, pegando uma cadeira e se sentando mais perto dela. "Você ainda vai entender," ele disse baixinho, os olhos fixos nos dela, como se estivesse tentando desvendar algo. A governanta, percebendo a tensão no ar, limpou as mãos no avental e sorriu para Valentina. "Querida, se precisar de mais alguma coisa, é só me chamar, tá? Vou deixar vocês à vontade," disse, antes de sair da cozinha com passos leves. O silêncio que se seguiu ficou pesado. Valentina terminou de comer o que tinha no prato, mas não tirava os olhos de Fernando. Ela sentia que ele estava tentando se aproximar de uma forma diferente, mas ainda assim, ela não confiava nele. Não podia. Fernando, por outro lado, parecia relaxado, como se estivesse gostando de provocar Valentina, mas também tentando entender algo nela que nem ele sabia o que era. Ele pegou mais um pedaço de fruta e deu uma mordida, mas seus olhos não deixavam os dela. "Por que você tá me mantendo aqui? Qual é o seu plano de verdade?" Valentina perguntou, cansada dos joguinhos. Fernando riu de novo, mas dessa vez, havia algo mais sério em seu olhar. "Meu plano? Eu quero te conhecer melhor, gatinha. Ver até onde você vai." "Isso não me responde nada," ela retrucou, cruzando os braços. "Se acha que vou ficar aqui quieta esperando você decidir o que quer fazer comigo, tá muito enganado." Ele se inclinou na cadeira, agora com um sorriso provocador, mas o tom era mais suave. "Você é esperta, Valentina. Vai acabar descobrindo. Por enquanto, come. Aproveita o descanso. Depois a gente vê o que acontece." Valentina bufou, irritada com as respostas vagas. Mas no fundo, sabia que, por mais que odiasse admitir, estava num jogo que não entendia completamente ainda. E Fernando parecia ser o mestre desse jogo, mudando as regras conforme queria.
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