Maré de Desejos.

990 Words
Provocações Perigosas Depois do banho, Valentina se enrolou numa toalha e foi direto até o guarda-roupa, torcendo pra encontrar algo decente pra vestir. Ao abrir as portas, franziu a testa quando viu que a única coisa ali era uma camisa masculina, grande. Ela pegou a camisa nas mãos, sentindo o cheiro de madeira e fumaça impregnado no tecido. Com um suspiro de resignação, vestiu a camisa. Ela caía como uma enorme sobre seu corpo, mas Valentina não tinha intenção de parecer vulnerável. Sem perder tempo, pegou uma faca pequena da caixa de primeiros socorros e começou a rasgar as mangas até os ombros, transformando a camisa em algo mais prático e ajustado. Em seguida, cortou uma das mangas em tiras, usando-as para fazer um curativo improvisado no ombro. Seus movimentos eram rápidos e certeiros, fruto de anos lidando com ferimentos sozinha. Quando terminou, deu uma olhada no espelho, certificando-se de que o curativo estava firme e bem-feito. Agora, com a camisa ajustada e o ferimento tratado, Valentina voltou para o quarto. Sentou-se na beira da cama, abraçando os joelhos. Ela apoiou a cabeça nos braços, deixando os pensamentos correrem soltos. Sabia que precisava sair dali o mais rápido possível. Fernando era perigoso, mas não invencível. Havia uma chance de escapar, e ela estava determinada a encontrá-la. Enquanto o som distante das ondas batendo nas pedras invadia o silêncio do quarto, Valentina começou a traçar um plano. Precisava estar pronta quando a oportunidade aparecesse. Na manhã seguinte, a ilha estava silenciosa, exceto pelo barulho das ondas quebrando. Valentina continuava sentada na cama, seus olhos fixos na porta. Ela ainda não tinha desistido de pensar em como fugir. Foi quando a porta rangeu, e Fernando entrou no quarto, vestido apenas com uma calça de moletom cinza, o cabelo ainda molhado do banho. Ele carregava uma bandeja simples com frutas, suco e torradas. Fechou a porta com o pé e caminhou até Valentina com um sorriso quase divertido no rosto. “Desculpa, gatinha,” disse ele, colocando a bandeja na cama ao lado dela. “Não é minha casa, então não tem comida de verdade por aqui.” Valentina o encarou com puro desdém, os lábios formando uma linha fina. “Não tem coragem de me enfrentar, então vai tentar me envenenar? Que golpe baixo, Marazano.” Fernando deu uma risada curta, sem se abalar. Ele se sentou ao lado dela, observando com interesse os curativos improvisados no ombro de Valentina e a camisa rasgada que ela usava. “Rasgou minha camisa, gatinha,” ele comentou, levantando uma sobrancelha. “Tudo bem, tenho mais.” Valentina lançou um olhar afiado para ele. “Posso tirar também, se não gostou,” ela respondeu com sarcasmo. Sem esperar uma resposta, ela se levantou devagar, ainda cuidando para não piorar a dor no ombro, e começou a abrir os botões da camisa. Quando terminou, deixou o tecido escorregar dos ombros, revelando que estava completamente nua por baixo. Ficou ali, encarando Fernando, desafiando-o com os olhos, sem um pingo de vergonha. Fernando parou por um momento, sua expressão se fechando enquanto a observava. Ele se levantou lentamente, se aproximando dela. O olhar dele percorria o corpo de Valentina, mas de forma controlada, como se estivesse tentando entender algo a mais. Ele pegou um morango da bandeja, mordeu metade da fruta e depois se inclinou, colocando o restante suavemente na boca dela. Em seguida, puxou a camisa de volta sobre seus ombros e começou a abotoá-la, seus olhos nunca deixando os dela. “Não me provoca,” ele murmurou, com a voz baixa, carregada de intenções. “Ou vou acabar gostando mais do que devia.” Valentina sentiu o toque dos dedos dele enquanto abotoava a camisa, mas manteve o olhar firme e desafiador. “Me parece que quem vai gostar é só você,” respondeu com um leve sorriso, antes de se virar e caminhar até a janela, deixando-o para trás. Fernando soltou uma risada curta, apreciando a ousadia dela. Ele não estava acostumado a ser desafiado, e isso o fascinava. Enquanto Valentina se afastava, ele sabia que o jogo entre eles estava só começando, e cada atitude dela só o deixava mais intrigado. O silêncio no quarto agora estava pesado, cheio de tensão não resolvida. Fernando a observava, intrigado com a força e a determinação de Valentina, mas também com outra coisa, algo que ele ainda não conseguia identificar. Ela havia conseguido fazer com que ele a visse de um jeito diferente, não apenas como uma inimiga, mas como um desafio. “Vamos sair daqui,” disse ele, quebrando o silêncio. “Vamos pra minha casa. Quero beber algo decente e comer comida de verdade. E, se quiser, pode continuar nua lá, com mais conforto.” Valentina ergueu o olhar, surpresa com a proposta. Seus olhos buscaram os dele, tentando decifrar as intenções por trás das palavras. Ela era esperta demais pra cair em uma armadilha tão fácil. “Tá me levando como troféu?” perguntou, com ironia. “Posso desfilar nua na sua mansão luxuosa, Marazano.” Ele a interrompeu antes que pudesse continuar, a voz firme e casual, quase íntima. “Fernando.” Ela piscou, surpresa pela informalidade. “O que você disse?” Fernando sorriu e deu um passo à frente, se aproximando até que seus lábios quase encostassem no ouvido dela. “Fernando, gatinha selvagem,” ele sussurrou, com a voz carregada de uma familiaridade desconcertante. Ele se afastou levemente, ainda olhando nos olhos dela, e estendeu a mão. Valentina hesitou por um segundo, mas para sua própria surpresa, aceitou o toque dele. Os dois saíram juntos do quarto, deixando para trás aquele espaço claustrofóbico e cheio de tensão. A casa de Fernando ficava do outro lado da ilha, mais distante da construção onde estavam. Eles caminharam em silêncio por um caminho de pedras que cortava a vegetação densa. A mansão, embora imponente, era discreta, escondida entre as árvores, oferecendo total privacidade.
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