O Sequestr8 da Sombra N3gra.

944 Words
O Interrogatório na Ilha A noite já havia caído quando o helicóptero pousou na pequena ilha isolada, cercada por uma escuridão que parecia engolir tudo ao redor. Fernando Marazano manteve o silêncio durante todo o voo, seus olhos fixos no horizonte, mas sua mente estava longe, calculando cada detalhe do que estava por vir. Valentina, com um saco de pano na cabeça, amarrada e em silêncio, também planejava seu próximo movimento, embora o cansaço e a dor tentassem vencer sua determinação. Assim que o helicóptero tocou o chão, Fernando a puxou para fora sem qualquer cuidado, os dedos dele apertando com firmeza seu braço. Valentina lutava para manter o equilíbrio enquanto era conduzida por um caminho de pedras que levava a uma casa grande, antiga, com paredes grossas e janelas fechadas. Não havia nenhum som de civilização por perto, apenas o farfalhar das folhas ao vento e o som de passos pesados sobre as pedras. Ela sabia que ali, ninguém a encontraria. Fernando a capturara, e estava claro que ele não pretendia soltá-la tão cedo. Ao entrar na casa, Fernando a levou direto para um quarto pequeno, mas sólido, com uma única janela protegida por grades grossas. O lugar exalava uma frieza que combinava com ele. Com um empurrão, ele a fez se sentar numa cadeira dura no meio do cômodo e trancou a porta atrás de si. O silêncio que se seguiu era sufocante, mas Valentina não se deixaria intimidar. Fernando foi até a cama do quarto e, sem dizer nada, colocou uma caixa de primeiros socorros ali. Ele então se aproximou dela, começando a desamarrar os nós que a prendiam, seus movimentos rápidos e precisos. Valentina sentiu os laços afrouxarem, e, por um segundo, pensou em reagir, mas sabia que, com o ombro machucado e sozinha em território inimigo, seria um erro. Ainda assim, a raiva queimava dentro dela como um incêndio incontrolável. Quando ele finalmente tirou o saco de pano da cabeça dela, Valentina encarou Fernando com olhos cheios de fúria. O rosto dela, sujo e marcado pela luta, ainda exibia uma expressão de desafio, como se estivesse pronta para uma nova batalha a qualquer momento. Fernando a observou com uma calma imperturbável, seus olhos analisando cada movimento dela, como se estivesse tentando decifrá-la. “Está livre para tomar um banho e cuidar desse ferimento,” disse ele, apontando para a porta que levava ao banheiro anexo. A voz dele era fria, quase indiferente, mas havia um tom de comando que irritava Valentina profundamente. Ela se levantou devagar, os músculos doloridos, o corpo ainda recuperando as forças da batalha anterior. Com um olhar de desprezo, passou por ele, mas, no último segundo, tentou atacá-lo com um chute rápido. Fernando se esquivou com facilidade, sem se abalar. Ele já esperava algo assim. Valentina não desistiu. Tentou socá-lo com a mão boa, mas a dor em seu ombro a fazia hesitar. Fernando bloqueava cada ataque com a mesma calma, deixando que ela descarregasse sua raiva. Ele sabia que, no estado em que estava, Valentina não teria chances contra ele. Depois de alguns segundos de luta, Fernando se cansou do jogo. Em um movimento rápido, pegou os pulsos dela, torcendo-os com firmeza, e a empurrou para a cama. Com seu peso, a imobilizou, prendendo os braços dela sobre a cabeça. Os dois estavam tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro. Valentina, ofegante e cheia de ódio, não desviou o olhar nem por um segundo, enquanto Fernando a encarava com um misto de fascínio e diversão. “Relaxa, Valentina,” ele sussurrou com um sorriso provocador. “Se cuida, que depois posso te dar um pouco mais de atenção. Quem sabe você não se diverte?” Ele riu baixo, como se estivesse gostando do controle que exercia sobre ela. Valentina, mesmo presa sob ele, não recuou. “Você está sonhando, Marazano. Eu te garanto, a única diversão que vou ter é quando te matar,” ela respondeu com desprezo, a voz carregada de rancor. Fernando deu outra risada, mas dessa vez havia respeito misturado à provocação. Ele saiu de cima dela com um movimento ágil, seus olhos ainda fixos nos dela. Valentina sentiu o calor da fúria borbulhar em seu peito, mas manteve a postura. “Não tente nada e******o,” avisou ele antes de sair do quarto. Trancou a porta com um clique pesado, deixando Valentina sozinha. Ela ficou ali por um momento, tentando controlar a respiração e acalmar a dor latejante em seu ombro. A luta não tinha sido só física. Cada segundo com Fernando era um embate mental, e Valentina sabia que não podia mostrar fraqueza. Não nesse jogo. Caminhou até o banheiro, sentindo o peso da situação em seus ombros. Quando abriu o chuveiro, a água quente escorreu sobre sua pele, lavando o sangue e a sujeira. Ela fechou os olhos por um momento, deixando o calor aliviar a dor. Ali, sozinha, Valentina se permitiu respirar fundo, reorganizar os pensamentos. Cada gota que caía sobre seu corpo parecia levar embora um pouco da tensão acumulada. Mas enquanto a água limpava seu corpo, sua mente continuava em ebulição. Ela sabia que a batalha estava longe de acabar. Fernando havia subestimado a força dela, e isso seria o erro que ele jamais esqueceria. Valentina não era uma prisioneira indefesa. Ela era uma Bratva. E, de alguma forma, ela iria virar o jogo. Quando saiu do chuveiro, seus olhos estavam mais focados, a mente mais clara. Não era só uma questão de sobreviver. Era uma questão de vencer. Fernando podia ter o controle agora, mas ela já estava planejando como reverter essa situação. A batalha entre eles não seria apenas física.
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