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Linhagem de Sangue

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Blurb

Liliana Leblanc é uma lesgista forense que trabalha para o FBI. Com seus 24 anos de idade e sendo a melhor em sua área, ela apenas acredita no poder da ciência ou no que seus olhos podem comprovar por si mesmos, considerando as histórias que escutava em seu tempo de universitária como lendas e mitos para assustar calouros. Mas quando um homem é achado morto em um depósito abandonado, com ferimentos duvidosos que só poderiam ter sido causados por algo fora do comum, ela começa a se perguntar se tudo que já escutou é apenas lenda ou é verdade. E tudo se transforma em um caos, quando o bendito cadáver acorda de sua "morte" em meio a autópsia, enquanto ela via com seus próprios olhos eles se regenerar como nunca antes alguém havia feito.

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Prologue: Death Comes For All
Eram apenas seis horas da manhã, quando Lily foi acordada com o barulho insistente de seu celular tocando. Com os olhos ainda fechados, e sentindo o próprio bafo ao acordar — bem fedorento por sinal —, a mulher deu uma última bocejada antes de atender a ligação. Primeiro, antes que fosse devidamente dada a atenção, escutou várias pessoas gritando, barulhos constantes de câmeras de fotografia e ordens sendo dadas para todos os lugares possíveis, até que chegou sua vez. Era Brian, o chefe do departamento de Especialistas de Investigação do FBI e um dos melhores peritos em investigação criminal que ela já conheceu. — Bom dia, chefia — anunciou, antes que ele falasse. Sentando-se em seguida e abrindo os olhos, para se espreguiçar. — Bom dia?, só se for para você. Estamos em plena às seis da manhã, fora do nosso turno oficial porque nesse momento estamos em uma cena de assassinato. E enquanto você está esparramada na cama, sendo que deveria estar aqui desde as cinco. — ditou, enquanto falava com outras pessoas. — Houve mais assassinatos? — se levantou de supetão, já caminhando até o banheiro para escovar os dentes — No mesmo estilo que o da semana passada? Ou esse é normal? — Bem… — ele parecia estar analisando a cena à sua frente — Com toda a certeza não é o mesmo criminoso, a não ser que ele tenha mudado a tática, o que eu acho pouco provável devido ao último corpo. Mas também não é uma cena muito normal, os outros auxiliares criminais já fizeram um resumo básico da vítima e parece ter sido um animal. Mas vou esperar você. — Por que? Tem algo que não seja referente a um animal? — perguntou, com sua voz um pouco estranha pela escova e creme dental na boca. — Bom. A não ser que nas ruas de Nova York esteja perambulando lobos ou felinos, acho que é melhor esperar por você. — murmurou, provavelmente enrugando a testa — Vê se chega rápido Leblanc, ou você só vai poder ver o cadáver na autópsia. — Eu já estou chegando — ditou, entrando na ducha fria logo depois de enxaguar a boca e jogar as roupas para qualquer lugar, enquanto escutava uma risada sem humor vindo do telefone — O que? — Eu sei que você acabou de entrar no banho, então pare de mentir para um homem da lei e se apresse, você tem exatamente — olhou algo, provavelmente o relógio de pulso — Dez minutos, a começar por agora. — Ei, esper… — gritou, indo alertar que ele não passou o endereço, porém logo escutou o barulho de SMS. Revirou os olhos — Claro. Tratou de lavar os fios platinados e se lavar com o sabonete líquido com cheiro de rosas, terminando rapidamente sua higiene pessoal e capturando a toalha pendurada nos vidros do box. Sua sorte foi ter tomado um banho relaxante antes de dormir, então estava bem limpa. Correu pelo quarto todo, antes de chegar em seu guarda-roupa e pegar as primeiras peças que viu pela frente, que estavam organizadas por cores e conjuntos. Era uma calça preta social que chegava até seu tornozelo, uma blusa também preta sem detalhes e um terninho da mesma cor, sapatos de salto simples. Recorreu a um coque no alto da cabeça e sem nenhum tipo de cosméticos. Em seguida, pegando as chaves do seu precioso Impala e saindo às pressas do cômodo, ela ao menos pensou em comer algo. Brian fora bem claro, e se ele falou aquilo, ela realmente só teria dez minutos. Trancou tudo antes de sair e checou o horário, vendo que faltavam apenas cinco minutos. Arregalou os olhos e correu até o carro, abrindo a porta de uma vez e cegamente colocando a chave no encaixe, enquanto acelerava e fechava a porta ao mesmo tempo. Aquela vida nunca fora fácil, ainda se arrependia de sua decisão acadêmica, mas eles pagavam um bom salário. Pisando fundo sem nem olhar para onde ia, olhou de relance para o celular jogado no banco do passageiro e colocou as coordenadas no GPS. Então, começou a acelerar ainda mais, estava em sessenta numa pista de quarenta. Era provável que fosse presa naquela bela manhã, mas antes tinha que fazer uma autópsia. Mas quando passou pela estrada principal para chegar a Staten Island, não viu nenhum guarda nas rodovias, o que era bem estranho. Resolveu manter a velocidade a sessenta, e demorou apenas mais sete minutos para que chegasse ao seu destino. Saindo do veículo antigo rapidamente, ela viu uma multidão de pessoas de todos os departamentos. Alguns eram os auxiliares que às vezes lhe ajudavam nas autópsias, e outros eram os investigadores criminais que estavam à procura de pistas sobre o possível animal que havia matado a vítima. Mas pelas caras que todos faziam, nenhum progresso havia sido feito até o momento. Passando por um de seus ajudantes e pegando a prancheta com as informações da vítima, ela foi até Brian, que estava parado olhando para o chão. Cutucando-o com o cotovelo, mas mesmo assim não recebendo atenção, ela bufou. — E então, qual a situação? — perguntou. — A vítima é um homem, por volta de vinte e sete a vinte e nove anos. Ainda com a identidade desconhecida, e também sem nem ideia do que o matou. — murmurou, parecia frustrado e zangado com o rumo daquela investigação. Era algo que não acontecia todos os dias. — E o animal? — perguntou, enquanto se abaixava a altura da vítima para verificar os ferimentos. Abriu o saco preto e encontrou lá dentro um homem com as mesmas descrições que o ruivo havia dado — Esqueceu de mencionar que ele era bonito. — Ah, me desculpe se esqueci de olhar o rosto de um cadáver para apreciação — revirou os olhos azuis, cruzando os braços e suspirando quando viu Liliana franzir o cenho — Desculpe, é que isso realmente está muito estranho. — Nem me diga. Quando passei pela Pista de Atletismo no Thompson Park, não encontrei nenhum guarda. E olha que eu estava a sessenta em uma pista de quarenta. Se não fosse presa, receberia uma multa de pelo menos dois mil dólares — murmurou, vendo o ruivo a seu lado praguejar — O que foi? — Eles não te multaram ou prenderam porque estão todos mortos, Lily — explicou, vendo-a tremer levemente. — Está dizendo que temos mais de uma vítima com a mesma forma de assassinato? Em uma única noite? — sua surpresa e hororização era visível. — Quantas? — Não sabemos ainda ao todo, mas já foi comunicado que pelo menos dois guardas de rodovias, um carro com três policiais e uma mulher de quarenta anos. Não sabemos o motivo e nem mesmo foi deixado qualquer pista, parece que são inexistentes. — fechou as pálpebras. — Então temos sete vítimas, no total...— tocou o peito gélido do homem morto, vendo as marcas de garras, mas acabou se arrepiando e afastando-se rapidamente demais — E o animal? — Não há vestígios de animais, nenhum. E pelo amor de Deus, isso nem é possível. Estamos em Nova York, uma cidade lotada de pessoas e uma floresta fica a quilômetros de distância. — relembrou, olhando para o corpo. — Mas também não há sinais de que foi uma coisa normal, como se pode ver. — Devemos nos comunicar com o departamento da Insígnia Negra? Eles talvez tenham alguma ideia do que fez isso isso e matou as outras vítimas — comentou, em um tom mais baixo. A Insígnia Negra era algo que já mudava totalmente de figura. Mas o ruivo apenas negou a proposta. — Pode ter sido uma arma. Veja bem — apontou para as marcas no peitoral — Parecem ter sido feitas mecanicamente, tem ponta de metal que foi achada na cena, talvez ele tenha tentado se defender e o assassino acabou acertando uma barra de ferro antes de o matar. Tipos as garras do… — Liliana o cortou. — Freddy Krueger? Ou o Wolverine? — sua pergunta não era nada irônica, ela estava realmente curiosa. — Pelo tamanho dos cortes, seriam bem mais grossas do que a do "Freddy Krueger" — fez aspas, e a mulher concordou. Se levantando e voltando a estarem lado a lado. — Olha só, quando eu acordo cansada demais para raciocinar direito, meu grande amigo toma a minha posição como Legista inteligente. — passou o braço pela cintura alheia — E sobre a Insígnia Negra, você me conhece. Eu não acredito nessas coisas sobrenaturais ou paranormais. — E no que você acredita? — elevou a voz levemente. — Na lógica. Ela é a única coisa que comprova a verdade por trás de um assassinato bem articulado como esse. — murmurou, ainda encarando o rosto inexpressivo do homem morto. — Nossa, realmente lindo. — Mas você é católica, não? — agora ele parecia em certa confusão. — Religião não tem absolutamente nada haver com lógica ou ciências, não para mim. Ela se mantém separada das outras coisas, Deus existe. Eu sinto — piscou, se desvencilhando dele. — Mas vampiros ou lobisomens são apenas para filmes e histórias. Falando nisso, você gosta do Stefan ou do Damon? — Prefiro o Klaus — concordou com a cabeça, começando a se afastar, mas não deixando de avisá-la — Em algum momento da sua vida, descobrirá que as coisas que você menos acredita que existem, na verdade estão por toda parte e talvez bem próximas. Cuidado. — Babaca — sussurrou, revirando os olhos e se abaixando para fechar o saco preto. Encarou o rosto bonito, mas inexpressivo que já havia partido dessa para melhor — É, todos temos nosso momento. Se levantou novamente, chamando os paramédicos, que levaram-no para longe e o colocaram direto na ambulância, partindo para o departamento, enquanto os outros peritos já juntavam suas coisas de volta e também começavam a entrar nos carros para voltar. Liliana foi a última a ficar, observando o local marcado onde o corpo foi encontrado. Se aproximou lentamente, até estar de frente para o local e conseguir visualizar a marcação no chão em giz branco. Seja quem fosse o homem que estava sendo levado para autópsia, era um homem bem grande. Sua estatura era de pelo menos um metro e noventa, no máximo. Era normal homens com aquele tamanho, óbvio, tinha até muito maiores, porém o que ela não conseguia entender era como um homem daquele tamanho e com um corpo tão bem trabalhado — como havia visto quando tocou sua pele —, não conseguira lutar contra seu assassino, ou pelo menos correr. Homens tinham mais resistência do que mulheres quando se tratava de força física, porém aquele caso estava claro que ele não conseguiu se defender, ou se tentou… acabou como estava agora, partindo para um necrotério. A não ser que…, lembrou bem das garras que perfuraram todo o tórax e abdômen, o que provavelmente levou à morte por hemorragia interna aos órgãos serem estraçalhados. Eles eram feitos de maneiras distintas. Ergueu a mão no ar e fez movimentos de ataque como um lobo ou leão faria, se fosse apenas um, bastaria apenas atacar uma vez e ele já morreria caso não conseguisse estancar o sangramento, porém, aquilo mais estava parecendo uma vingança do quê um assassinato comum. O abdômen foi totalmente destruído, então já que foi feito por pessoas com garras de aço ou então com uma prótese de tato, só bastaria um único golpe. Mas resolveram acabar com todos os órgãos que faziam um ser humano conseguir sobreviver, causando não apenas uma hemorragia interna, mas também uma convulsão, talvez pelo choque após receber o primeiro ataque. Se abaixou perante a pintura no chão, passando uma das mãos no mesmo. Ele não havia morrido na hora, estava claro pelo tanto de sangue que continuou a sair dele e também pelas fotos que foram tiradas quando ele foi encontrado, ainda tentava estancar o sangue com sua jaqueta, mas de nada adiantou. E ele também não havia sido rápido o suficiente para pegar qualquer coisa que pudesse identificar o assassino, então parecia que aquilo daria trabalho. Ou talvez, ainda tivessem uma pequena chance. Observou algo brilhar mas ao longe, algo… branco? Ergueu-se de vez e praticamente correu até aquele objeto desconhecido, capturando entre os dedos um fio de cabelo. Era branco, puramente como algodão. Riu bem humorada, se sua cor de cabelo já era deveras incomum dentro da sede, imagine quando colocasse uma das provas nas mãos dos peritos criminalistas. Não sabia como aquele desconhecido havia conseguido arrancar um fio de cabelo de seu carcereiro, mas tinha que agradecer intensamente a seus dedos silenciosos e ágeis antes de sua morte horrível.

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