A estrada costeira ficou para trás como uma memória luminosa. Depois de algumas semanas na pequena cidade à beira-mar — tempo suficiente para respirar, para tocar a rotina com as pontas dos dedos, mas ainda cedo demais para se fixar — Helena foi quem sugeriu: — Quero ver mais. Gabriel ergueu os olhos da mesa onde organizava documentos. — Mais? Ela caminhou até a janela, observando o mar que já começava a se tornar familiar demais. — Antes de criarmos raízes definitivas… quero conhecer. Quero atravessar o mundo sem medo. Quero que nosso filho tenha começado a viajar antes mesmo de nascer. Gabriel sorriu. — Ele vai nascer com milhas aéreas acumuladas. Ela retribuiu o sorriso, mas havia algo mais ali. Helena precisava disso. Precisava substituir memórias de guerra por memórias de h

