Sonhar

1852 Words
—Se vocês vão ficar tendo essa conversa de menininha, poderiam esperar eu terminar meu almoço? —Cristiano falou antes que eu pudesse responder —Ou ter essa conversa em outro lugar? —Vai dizer que não está interessado? —perguntou Rosa sugestiva e a encarei surpresa. Por que ela disse isso? —Na vida amorosa da sua amiga? Não poderia me importar menos —o descaso em sua voz me irritou. Ele parecia se importar muito há pouco tempo atrás. —Sei —deu de ombros, então o olhou interessado —Você fez alguma sobremesa? —Tá na geladeira —disse ele e ela se levantou. Seus olhos encontraram os meus, mas ele desviou. Estava irritado. Mais do que antes. Podia ver isso em seu rosto —Depois lembra de lavar a louça. Hoje é a sua vez. —Eu vou ajudar —ofereci e Rosa sorriu para mim, pegando um pote fechado da geladeira. —Você é visita —disse ele e sua frase parecia querer dizer mais do que dizia. —Ela é quase da família —discordou Rosa enquanto pegava copo e colheres para nós, ignorando nossa troca de olhares mortal. —Não, ela não é —discordou ele me olhando sério. O que dizia não era nada demais, mas me machucaram —Nunca vai ser. A última parte ele disse muito baixo e não tenho certeza que Rosa ouviu, mas eu escutei e não sabia exatamente o que ele queria dizer com aquilo, mas, mesmo assim, me deixou triste. O significado não parecia bom. —Delícia de abacaxi —exclamou Rosa quebrando o clima estranho entre nós dois —A sobremesa favorita de Anna —sorriu sugestiva para nós dois —É impressão minha ou você tem feito muitas comidas favoritas da Anna? Cristiano desviou o olhar. —Só fiz porque eu também gosto. —Você odeia abacaxi, Cristiano —falou ela tentando segurar o riso. Enquanto eu não sabia o que dizer. Aquela situação toda estava estranha. —Não enche, Rosângela —disse ele. Se levantou da mesa e levou seu prato para pia, então se retirou da cozinha. Ele só a chamava pelo nome completo quando estava realmente irritado. E saber disso só fez Rosa sorrir mais largo; ela adorava tirar seu irmão do sério. Em sua opinião, era o melhor lado de se ter um irmão e ainda mais gêmeo. —Agora que o chato saiu, vamos atacar —colocou um pedaço generoso de delícia para si mesma e empurrou o pote para mim —E agora pode fala o que tá rolando entre você e o André. —Não tá rolando nada —deveria ter falando isso antes de Cristiano sair, para ele não ficar pensando besteira. Eu sou tão covarde, às vezes —Somos só amigos. Sério. —E não quer mais pegar? —seu olhar estava estranho. Parecia me analisar —Não faz uns três anos que você suspira por ele? —É, faz —fiz uma pausa, desconfortável —Mas não sei. Não estou mais gostando dele. —É? —me olhou curiosa —Algum motivo específico? —sugeriu enquanto levava uma colher cheia a boca —Talvez uma nova paixão? A encarei, o frio tomando conta do meu estômago. Ela segurou meu olhar, com um sorriso de canto. Me olhava como se me desafiasse e eu não conseguir segurar seu olhar, acabei desviando. —Meio que é isso, mas podemos não falar sobre isso agora? —pedi olhando para meu copo vazio. Estava realmente sendo covarde. Não tinha coragem de falar sobre isso com ela. Por quê? Nem mesmo eu sei a resposta. —Claro, como preferi —respondeu ela dando de ombros e apontou o meu copo —Não vai querer? O Cris fez especificamente para você. Ela piscou para mim e sorriu, enquanto sentia minhas bochechas esquentarem. Não consegui a encarar enquanto colocava um pouco do doce para mim. Realmente era o meu favorito. —Isso está divino —suspirei em deleite. —Se meu irmão tem uma qualidade, é seu talento na cozinha —disse ela sorrindo orgulhosa. —Não posso discordar —falei sorrindo, então resolvi mudar de assunto —Como está as coisas com David? O seu rosto se iluminou ao mencionar o nome de seu namorado e pelas horas seguintes foi sobre o que falamos. Eu ficava feliz em só ouvir a felicidade da minha amiga ao falar de seu namorado. Ele realmente a fazia feliz e isso era o que importava. Sem contar que ele sempre servia como uma desculpa quando não queria falar de alguma coisa e precisava distrair minha amiga. Sempre funcionava. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Está acordado? Escrevi a mensagem e hesitei um pouco antes de enviar. Estava nervosa. E se ele não respondesse? Ele já estaria dormindo? Será que ainda está irritado? Mas, de qualquer jeito, precisamos conversar, certo? Não trocamos nenhuma palavra desde o almoço, já que ele saiu logo após e até as 22:00 horas, não tinha retornado. Quando chegou já era quase 23:00 horas e eu sabia disso porque escutei sua voz quando falou com sua mãe no quarto ao lado. Agora, estava perto da meia noite e ainda não tinha conseguido pregar o olho. A ansiedade não permitia. Eu queria muito ir falar com ele, mas não conseguia a coragem, nem conseguia deixar para amanhã, por isso estava enrolando na cama, enquanto olhava a mensagem que escrevi, decidindo se enviava ou não. Provavelmente ele já estava dormindo e só veria a mensagem amanhã, então para que enviar? Apaguei a mensagem, então me levantei da cama. Só iria fazer uma tentativa, já que não conseguiria dormi até o ver e se ele estiver mesmo dormindo, só volto para o meu quarto em silêncio. Não tem nada de errado nisso, certo? Olhei para minha amiga que dormia profundamente e suspirei. Parece que estou fazendo tudo errado ultimamente, mas não consigo me parar. Sair do quarto o mais silenciosa que consegui e fui até o quarto dele, que ficava ao lado do de Edna. Quando cheguei ao seu quarto, bati duas vezes de leve antes de empurrar a porta que estava aberta. Ele realmente estava dormindo. Serenamente. Muito injusto, já que eu não conseguia dormi e ele ali, dormindo tranquilamente. Não resistir ao impulso de entrar em seu quarto. Já tinha estado ali algumas vezes para jogar videogame com Rosa, mesmo assim, aquela parecia ser a primeira vez. Seu quarto era muito ele, todo organizado e não tinha nada fora do lugar. Ele gostava das coisas arrumadas. Me aproximei de sua cama e toquei seu rosto suavemente, deslizando o dedo por sua bochecha. Ver alguém dormi parecia algo tão íntimo. Sua face tão serena e calma, vulnerável. Ele ficava lindo assim. Pena que não poderíamos conversar agora. Teria que deixar para outro momento. Me virei para sair, mas fui impedida quando sentir minha mão ser segurada. —Já vai tão cedo? —sua voz estava sonolenta —Você pode fazer melhor que isso. —Te acordei? —me voltei para ele, envergonhada por ter sido pega —Desculpa. Não era a intenção. —Não, não vou te desculpa —me puxou em sua direção, me derrubando em sua cama e antes que pensasse no que estava acontecendo, ele estava sobre mim —Vai ter que me recompensar. —Cristiano, estamos na casa da sua mãe —o avisei colocando a mão em seu peito. —Você foi a única que invadiu o meu quarto —beijou meu pescoço —No meio da noite —mordeu de leve —Diga que não me quer. Levei minhas mãos até os seus cabelos, o passando entre os fios e não resisti quando ele beijou meus lábios. Não vou mentir; estava querendo isso desde cedo, então me deixei levar pelos seus toques. De novo. E nada importava mais. Nem o que aconteceu mais cedo, Rosa ou estarmos na casa da mãe dele; eu apenas queria o sentir, queria o tocar e foi o que fiz. Quando terminamos, Cristiano me puxou para seus braços e deitei minha cabeça em seu peito, escutando seu coração bater, enquanto ele passava a mão em meus cabelos. Precisamos conversar, mas não queria estragar aquele momento tão calmo, então apenas aproveitei por mais um tempo. Passei minha mão por seu peito, sentindo sua pele macia. Eu amava o tocar e o sentir. Ele é tão lindo. Sempre que o vejo assim, sem roupas e vejo quão bonito é cada pedacinho dele, me pergunto mais o porquê ele estar comigo. —O que está pensando? —ele perguntou. Levantei a cabeça para o olhar. —Que você é lindo —disse séria e sorri ao ver suas bochechas ficarem vermelhas. —São seus olhos, meu amor —beijou a ponta do meu nariz —Linda é você. Todo o seu corpo —passou a mão por minhas costas e parou na b***a —Eu amo o seu corpo, linda. —Só o meu corpo? —fiz um bico. —Não, não —nos virou na cama, me deixando por baixo dele —Amo cada pedacinho seu —beijou meus lábios —Até as parte que você não gosta. Eu amo você, Anna. —É mesmo? —o olhei séria —Porque, pelo que eu soube, não sou da família. Nunca vou ser. —Tem um jeito de resolver isso —sugeriu ele com um brilho no olhar. —Qual? —Casa comigo. —Você está brincando —sorri, mas ele continuou sério —Cristiano, está falando sério? —Obviamente —seus olhos fixaram nos meus —Quero uma vida ao seu lado, Anna. Para sempre. —Eu... Nem sei o que dizer. —Só diga que sim —sorriu largamente —Imagina só; eu, você, uma Anna pequenina e não estou falando de você —revirei os olhos —um cachorro... —Prefiro gatos —o interrompi. —Só você mesmo —balançou a cabeça e o encarei séria —Ok, ok, um gato e um cachorro, mas depois não reclame se eles colocarem a casa abaixo —beijou minha bochecha —Não seria perfeito? Conseguia imaginar tal situação e parecia realmente perfeito. Será que estava sendo muito ingênua ao me permitir sonhar com tal coisa? —Mas também vamos ter um Cristiano pequenino, não é? —Melhor ainda —continuou ele —Um casal de gêmeos. Como eu e Rosa. —E você que vai cozinhar —finalizei sorrindo. —Só se você lavar a louça. —Fechado —concordei o olhando admirada. Eu estava realmente ferrada —Amo você, Cristiano. —Eu te amo mais —ele me beijou silenciando minha discordância —Então vamos começar a tentativa dos nossos gêmeos? —Não, somos jovens demais para isso —falei séria e ele sorriu, malicioso. —Mas isso não significa que não podemos treinar até lá não é? Revirei os olhos, mas não o rejeitei quando me beijou e afastei as pernas para o acomodar melhor. Estava feliz, ele me fazia feliz, me fazia sonhar com coisas que nem sabia que queria e isso era assustador, mas também maravilhoso.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD