CAPÍTULO 4

856 Words
Ana ainda sentia a eletricidade no corpo enquanto subia para o andar superior do clube, onde os funcionários tinham um espaço reservado. O jogo de sedução com Victor Moretti fora intenso, mas não o suficiente para distraí-la do real motivo de estar ali. Ela precisava de respostas. Porém, antes que pudesse processar seus próximos passos, uma mão firme agarrou seu braço, puxando-a com força para um corredor mais escuro. Seu corpo colidiu contra a parede, e, antes mesmo que pudesse reagir, viu o olhar de Victor cravado no dela. Furioso. — Está brincando comigo, Ana? — A voz dele era baixa, rouca, repleta de algo sombrio que fez sua pele se arrepiar. Ela engoliu em seco, mas manteve o olhar firme. — Se não aguenta o jogo, Moretti, não deveria ter me convidado para dançar. Victor apertou os dedos ao redor de seu pulso, não o suficiente para machucar, mas o bastante para deixá-la ciente de seu domínio. Seu rosto estava próximo demais, o cheiro amadeirado e quente preenchendo seus sentidos. — Não confunda ousadia com poder. Você entrou no meu mundo, Ana, mas não significa que pode ditar as regras. Ela respirou fundo, tentando ignorar a forma como seu corpo reagia à proximidade dele. — E se eu não seguir suas regras? O que acontece? Victor sorriu de canto, mas não era um sorriso gentil. Era um aviso. Uma promessa velada. Ele deslizou os dedos pelo rosto dela, um toque suave demais para combinar com sua ameaça. — Significa que vai aprender do jeito difícil. Ana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que Victor era um homem perigoso, mas não esperava essa intensidade, essa possessividade crua que transbordava dele. — Está me ameaçando, Victor? — Sua voz saiu firme, mas algo dentro dela estremeceu. Ele se aproximou mais, a respiração quente contra sua pele. — Estou te avisando. Os olhos de Ana brilharam com desafio, mesmo quando seu coração bateu mais forte. — Eu não tenho medo de você. Victor segurou seu queixo, erguendo seu rosto para que seus olhares se prendessem. — Isso é um problema, Ana. Porque deveria ter. A tensão entre eles era sufocante. Ana queria recuar, mas ao mesmo tempo sentia um fogo crescendo dentro de si, um desejo conflitante que ameaçava consumir sua lógica. Então, tão repentinamente quanto a segurou, Victor a soltou. — Considere isso sua única advertência. E então, ele se afastou, deixando-a ali, com a respiração descompassada e a certeza de que estava brincando com fogo. Um fogo do qual talvez não conseguisse escapar. ******* O aviso de Victor ainda queimava na mente de Ana, como um eco persistente que se recusava a se dissipar. Ela sabia que estava se enfiando cada vez mais fundo no território dele, e isso não era seguro. Ela precisava sair dali. Agora. Respirando fundo, caminhou pelo corredor lateral do clube, onde poucos funcionários transitavam. O salão principal ainda pulsava com música e desejo, mas Ana manteve o foco. Seu objetivo era claro, escapar antes que Victor percebesse. Ela atravessou discretamente a porta dos fundos, sentindo o ar noturno contra sua pele quente. A rua lateral era estreita e m*l iluminada, o som abafado da cidade ao fundo misturando-se com a batida distante da música dentro do clube. Ana apressou o passo, já avistando um táxi parado na esquina. Quase lá. Mas então, uma sombra se moveu ao seu lado. Antes que pudesse reagir, uma mão forte segurou seu braço e a puxou com força, colidindo seu corpo contra uma parede fria. — Achou mesmo que poderia simplesmente fugir, dolcezza? A voz de Victor Moretti era um sussurro carregado de ameaça e algo mais algo que fez um arrepio perigoso percorrer sua espinha. Ana tentou se soltar, mas ele a segurava com firmeza, sem machucá-la, mas deixando claro que não a deixaria ir. — Me solta, Victor. — Ela cuspiu as palavras, tentando esconder a onda de adrenalina que percorreu seu corpo. Ele sorriu de canto, o brilho predador nos olhos castanhos intensificando-se sob a fraca luz do poste. — E por que eu faria isso? Você assinou um contrato, lembra? Está presa ao meu jogo. O coração de Ana disparou. Ela sabia que tentar fugir naquela noite fora um erro. Subestimar o controle de Victor sobre tudo ao seu redor. — Não sou uma prisioneira. Victor deslizou um dedo pelo rosto dela, devagar, provocando-a com um toque suave que contrastava com seu tom perigoso. — Ainda não. Ana sentiu o ar faltar por um instante. Ele não era um homem comum. Ele não apenas queria controlá-la. Ele queria possuí-la. E, pior do que isso, ela sentia o desejo crescendo dentro de si. Victor inclinou-se ligeiramente, os lábios próximos ao seu ouvido. — Da próxima vez que tentar fugir eu não serei tão gentil. Ele a soltou com um movimento calculado, deixando um espaço entre eles, mas sem quebrar o contato visual. Ana respirou fundo, tentando recuperar o autocontrole. Ela sabia que estava se perdendo naquele jogo perigoso. Mas agora, fugir não era uma opção. E, no fundo, a pergunta que a atormentava era ainda pior, Ela queria mesmo fugir?
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