Ana
A música pulsava no clube como um coração vivo grave, lenta, envolvente.
Luzes vermelhas e violetas cortavam a escuridão, desenhando sombras perigosas nas paredes.
Ana sentia aquilo na pele.
O clube era o reino de Victor, e naquela noite ele a fez entrar nele não como visitante mas como provocação.
Victor a conduziu até uma área reservada, afastada da multidão, onde o som era abafado e os olhares não alcançavam.
O sofá de couro n***o parecia absorver a luz, assim como ele absorvia o espaço ao redor.
— Você continua aqui — disse ele, a voz baixa, carregada de intenção.
— Mesmo depois de tudo.
Ana manteve o queixo erguido, mas o corpo traía sua tensão.
— Eu não fujo fácil.
Um canto do sorriso de Victor se ergueu. Lento. Predador.
— Não — ele murmurou.
— Você fica.
Ele se aproximou, sem tocá-la de imediato.
A presença dele era um toque invisível, esmagador.
Ana sentiu o perfume masculino dele, quente e marcante territorial.
— Admita — Victor continuou, inclinando-se até falar junto ao ouvido dela que você não está aqui por causa da investigação.
Ela engoliu em seco.
— Estou aqui porque preciso de respostas.
A mão dele deslizou pelo encosto do sofá, tão perto de sua cintura que o simples movimento fez o corpo dela reagir.
Era um toque que não tocava, e ainda assim queimava.
— Mentira — ele disse com calma c***l.
— Se fosse só isso, você teria ido embora há muito tempo.
Victor finalmente deixou os dedos roçarem sua pele. Um toque leve, quase casual, no braço nu. Ana prendeu a respiração. O gesto não era indecente, nem explícito era calculado, feito para desestabilizar.
— Você sente — ele sussurrou.
— O perigo. O desejo. A tentação de cruzar uma linha que sabe ser proibida.
Ana fechou os olhos por um segundo, lutando contra o próprio corpo.
— Você acha que pode me controlar assim?
Victor sorriu de novo, mas agora havia algo mais sombrio naquele olhar.
— Eu não preciso controlar. — Os dedos dele subiram lentamente até o pulso dela, apertando de leve, marcando presença.
— Você já está aqui por vontade própria.
Ele se afastou apenas o suficiente para encará-la.
— Diga. — A voz dele saiu firme.
— Diga que não quer estar aqui comigo agora.
O silêncio entre eles era ensurdecedor. A música distante, o calor, o olhar intenso dele conspirava contra sua resistência.
Ana abriu os olhos. O coração batia forte demais.
— Eu — a palavra morreu em seus lábios.
Victor inclinou a cabeça, satisfeito.
— Viu? — disse em tom baixo.
— Eu não preciso forçar nada. Só revelar o que você tenta esconder.
Ele se afastou então, abruptamente, quebrando o feitiço.
— Mas não se engane, Ana — completou, frio outra vez.
— Desejo não é liberdade. E aqui tudo tem um preço.
Ela ficou ali, o corpo em chamas, a mente em conflito.
Victor tinha vencido aquela noite não com força, mas com tentação.
E o mais perigoso de tudo era admitir, mesmo que em silêncio, ela queria continuar jogando.
*******
A cobertura de Victor estava mergulhada em penumbra.
As janelas enormes exibiam a cidade aos seus pés, luzes distantes pulsando como testemunhas silenciosas do que estava a acontecer.
O silêncio ali dentro não era vazio era carregado, denso, quase sufocante.
Ana permaneceu parada no centro da sala, sentindo o próprio coração bater nos ouvidos.
Ela sabia, Desde o momento em que aceitara subir com ele, algo dentro dela já tinha cedido.
Victor fechou a porta atrás deles com um clique suave, definitivo.
— Ainda pode ir embora — disse, sem se virar.
Ana não se moveu.
Ele se virou devagar, os olhos escuros percorrendo cada centímetro dela, como se estivesse gravando aquela imagem na memória.
Não havia pressa em seus gestos.
Victor nunca tinha pressa quando sabia que a presa já estava encurralada.
— Olhe para mim — ordenou, a voz baixa, firme.
Ela obedeceu.
O olhar dele a atravessou. Não havia gentileza ali, mas havia algo pior, era a posse declarada.
Victor aproximou-se, parando a poucos centímetros.
Não tocou nela de imediato. Queria que o desejo amadurecesse, que ela sentisse o peso da decisão.
— Diga que quer — murmurou.
Ana fechou os olhos por um instante. A jornalista racional, a mulher que entrou naquele mundo para investigar, gritava para que ela fugisse.
Mas o corpo, o corpo já tinha feito sua escolha.
— Eu quero — disse, quase num sussurro.
Foi o suficiente.
Victor segurou seu rosto com as duas mãos, firme, como se estivesse marcando um território invisível.
O beijo que veio não foi suave nem apressado foi intenso, profundo, carregado de tudo o que vinha sendo reprimido desde o primeiro olhar no clube.
Ana respondeu sem reservas.
Cada barreira que ela erguera ao longo dos dias caiu uma a uma.
O mundo lá fora desapareceu. Não havia certo ou errado, apenas aquela sensação avassaladora de pertencer àquele momento.
Victor a conduziu pelo espaço como se sempre soubesse onde ela deveria estar.
Cada toque dele era uma confirmação silenciosa: você cruzou a linha.
Não havia delicadeza excessiva, mas havia controle.
Ele dominava a situação com uma segurança quase assustadora e, ainda assim, Ana não se sentia fraca.
Sentia-se entregue.
A noite se estendeu em sombras, respirações entrecortadas e promessas não ditas.
Quando finalmente o silêncio voltou a se instalar, Ana permaneceu deitada, encarando o teto, o corpo ainda reagindo ao que tinha acontecido.
Victor estava ao lado dela, apoiado em um cotovelo, observando-a em silêncio.
— Isso muda tudo — ela disse, sem olhá-lo.
— Não — ele respondeu.
— Isso apenas confirma.
Ela virou o rosto então.
— O quê?
Victor passou os dedos lentamente pelo braço dela, um gesto quase íntimo quase perigoso.
— Que você nunca mais vai fingir que não me quer. E que, a partir de agora, nada entre nós será simples.
Ana engoliu em seco. Ela sabia. Aquela noite não fora apenas uma rendição ao desejo fora um ponto de não retorno.
Enquanto fechava os olhos, uma certeza se formava em sua mente, ela tinha acabado de se entregar ao homem mais perigoso que já conhecera.
E, no fundo, tinha medo de descobrir que não queria ser salva.