CAPÍTULO 5

629 Words
Ana passou a noite em claro, deitada em sua cama, encarando o teto enquanto a adrenalina ainda pulsava em suas veias. Tentar fugir fora um erro. Victor Moretti a pegara antes mesmo que ela cruzasse a esquina. Ele era rápido. Ele era perigoso. E, pior ainda, ele a queria em sua órbita. Mas isso não a impediria. Ela ainda tinha uma missão. Na manhã seguinte, Ana se vestiu com cautela. Optou por algo discreto, mas prático, jeans escuros e uma blusa justa o suficiente para não chamar atenção no clube. Se Victor não permitiria que ela saísse, então ela faria o que deveria fazer: investigar por dentro. O Dono da Noite não era apenas um clube noturno. Haviam rumores de que transações ilegais aconteciam em seus bastidores dinheiro sujo, negociações clandestinas, segredos sussurrados entre taças de champanhe e olhares furtivos. E ela precisava de provas. Aproveitando que os funcionários começaram a chegar para a noite de trabalho, Ana desceu silenciosamente para os corredores inferiores do clube, onde o acesso era restrito. Era agora ou nunca. Ela deslizou por um dos corredores escuros, os saltos baixos abafando o som de seus passos. Seu coração batia forte no peito quando encontrou uma porta entreaberta. Dentro, havia prateleiras repletas de pastas, arquivos e caixas. Parecia um escritório administrativo ou algo mais secreto. Entrou sem fazer barulho, seus dedos deslizando sobre uma das pastas. Ao abri-la, viu números, nomes e transações dinheiro movimentado de forma suspeita. Era isso. A prova que precisava. Mas antes que pudesse pegar mais informações, um arrepio percorreu sua espinha. Alguém estava atrás dela. — Eu sabia que você era curiosa mas não sabia que também era imprudente. A voz de Victor soou baixa e perigosa atrás dela, fazendo sua respiração travar. Antes que pudesse reagir, ele fechou a porta atrás de si, trancando-os juntos naquele espaço apertado. Ana virou-se devagar, encontrando o olhar sombrio dele. — Eu estava apenas. — Invadindo um lugar onde não deveria estar. — Ele a interrompeu, dando um passo à frente, forçando-a a recuar até suas costas tocarem a estante. Os olhos de Victor brilharam com algo além da raiva. Era desejo. Mas também era controle. — O que exatamente está procurando, Ana? — Ele murmurou, sua voz soando como veludo áspero. Ela engoliu em seco, tentando manter a compostura. — Talvez eu só quisesse te conhecer melhor. Victor sorriu, mas não havia gentileza ali. — Não precisa mexer onde não deve para isso. Basta perguntar… mas eu não garanto que vá gostar das respostas. Ele ergueu a mão e traçou um caminho lento pelo braço dela, seus dedos quentes contra sua pele fria. Ana sentiu um arrepio, mas não recuou. — E se eu não quiser respostas… e sim segredos? Victor inclinou a cabeça, avaliando-a como um caçador, avalia sua presa. — Então terá que pagar o preço por eles. A tensão entre eles era sufocante. Ana sabia que estava jogando com fogo, mas não poderia recuar agora. Antes que pudesse responder, Victor inclinou-se, seu rosto, a centímetros do dela. — Eu deveria te punir por isso, sabia? — A voz dele soou baixa, quase um sussurro. Ana ergueu o queixo, desafiando-o. — E por que não faz? Victor segurou seu rosto com firmeza, seus dedos segurando sua mandíbula, como se quisesse mostrar que poderia. Mas então… ele apenas sorriu. — Porque gosto de ver até onde você vai antes de se queimar. E, com isso, ele soltou-a e deu um passo atrás, como se a libertasse. — Mas não cometa o erro de entrar aqui de novo, Ana. — Ele avisou, sua voz carregada de perigo. Ela o encarou, sabendo que essa não seria a última vez. A investigação estava longe de acabar. E o jogo entre eles… estava apenas começando.
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