Ana passou a noite em claro, deitada em sua cama, encarando o teto enquanto a adrenalina ainda pulsava em suas veias.
Tentar fugir fora um erro.
Victor Moretti a pegara antes mesmo que ela cruzasse a esquina. Ele era rápido. Ele era perigoso. E, pior ainda, ele a queria em sua órbita.
Mas isso não a impediria.
Ela ainda tinha uma missão.
Na manhã seguinte, Ana se vestiu com cautela.
Optou por algo discreto, mas prático, jeans escuros e uma blusa justa o suficiente para não chamar atenção no clube.
Se Victor não permitiria que ela saísse, então ela faria o que deveria fazer: investigar por dentro.
O Dono da Noite não era apenas um clube noturno.
Haviam rumores de que transações ilegais aconteciam em seus bastidores dinheiro sujo, negociações clandestinas, segredos sussurrados entre taças de champanhe e olhares furtivos.
E ela precisava de provas.
Aproveitando que os funcionários começaram a chegar para a noite de trabalho, Ana desceu silenciosamente para os corredores inferiores do clube, onde o acesso era restrito.
Era agora ou nunca.
Ela deslizou por um dos corredores escuros, os saltos baixos abafando o som de seus passos.
Seu coração batia forte no peito quando encontrou uma porta entreaberta.
Dentro, havia prateleiras repletas de pastas, arquivos e caixas. Parecia um escritório administrativo ou algo mais secreto.
Entrou sem fazer barulho, seus dedos deslizando sobre uma das pastas.
Ao abri-la, viu números, nomes e transações dinheiro movimentado de forma suspeita.
Era isso. A prova que precisava.
Mas antes que pudesse pegar mais informações, um arrepio percorreu sua espinha. Alguém estava atrás dela.
— Eu sabia que você era curiosa mas não sabia que também era imprudente.
A voz de Victor soou baixa e perigosa atrás dela, fazendo sua respiração travar. Antes que pudesse reagir, ele fechou a porta atrás de si, trancando-os juntos naquele espaço apertado.
Ana virou-se devagar, encontrando o olhar sombrio dele.
— Eu estava apenas.
— Invadindo um lugar onde não deveria estar.
— Ele a interrompeu, dando um passo à frente, forçando-a a recuar até suas costas tocarem a estante.
Os olhos de Victor brilharam com algo além da raiva. Era desejo. Mas também era controle.
— O que exatamente está procurando, Ana? — Ele murmurou, sua voz soando como veludo áspero.
Ela engoliu em seco, tentando manter a compostura.
— Talvez eu só quisesse te conhecer melhor.
Victor sorriu, mas não havia gentileza ali.
— Não precisa mexer onde não deve para isso. Basta perguntar… mas eu não garanto que vá gostar das respostas.
Ele ergueu a mão e traçou um caminho lento pelo braço dela, seus dedos quentes contra sua pele fria.
Ana sentiu um arrepio, mas não recuou.
— E se eu não quiser respostas… e sim segredos?
Victor inclinou a cabeça, avaliando-a como um caçador, avalia sua presa.
— Então terá que pagar o preço por eles.
A tensão entre eles era sufocante.
Ana sabia que estava jogando com fogo, mas não poderia recuar agora.
Antes que pudesse responder, Victor inclinou-se, seu rosto, a centímetros do dela.
— Eu deveria te punir por isso, sabia? — A voz dele soou baixa, quase um sussurro.
Ana ergueu o queixo, desafiando-o.
— E por que não faz?
Victor segurou seu rosto com firmeza, seus dedos segurando sua mandíbula, como se quisesse mostrar que poderia.
Mas então… ele apenas sorriu.
— Porque gosto de ver até onde você vai antes de se queimar.
E, com isso, ele soltou-a e deu um passo atrás, como se a libertasse.
— Mas não cometa o erro de entrar aqui de novo, Ana.
— Ele avisou, sua voz carregada de perigo.
Ela o encarou, sabendo que essa não seria a última vez.
A investigação estava longe de acabar.
E o jogo entre eles… estava apenas começando.