O ar dentro do escritório parecia rarefeito.
Ana sentia o calor do corpo de Victor irradiando contra sua pele, a tensão entre eles queimando como brasas prestes a incendiar.
Ele a desafiava. E, pior, ele sabia que ela não conseguia recuar.
Victor Moretti era um vórtice, ele sugava tudo para sua órbita, destruía defesas e criava novas regras.
— Eu não sou sua, Victor. — A voz de Ana saiu firme, mas não tanto quanto gostaria.
Ele sorriu de canto, ost olhos escuros brilhando com diversão.
— Ainda não, dolcezza. Mas isso não significa que eu não possa te fazer desejar ser.
O jeito como ele disse aquilo, com voz baixa e carregada de promessas, enviou um arrepio pela espinha dela.
Ana precisava recuperar o controle.
Precisava lembrar por que estava ali.
— Se quer que eu me aproxime, preciso de mais do que palavras. Quero fatos. Quero provas.
Victor arqueou uma sobrancelha, claramente intrigado.
— Você é audaciosa, Ana. Poucas pessoas ousariam negociar comigo.
Ele pegou um copo de uísque sobre a mesa e tomou um gole, analisando-a como se decidisse até onde poderia levá-la.
— Mas eu gosto disso em você.
Ana cruzou os braços, tentando ignorar o olhar intenso que ele mantinha sobre ela.
— Então?
Victor largou o copo e se aproximou. Dessa vez, ele a encurralou completamente, uma mão apoiada na mesa ao lado dela, a outra segurando sua cintura.
— Você quer respostas. Eu quero você. Estamos em um impasse.
Ela tentou não se perder na proximidade, no cheiro amadeirado e viciante dele.
— E o que sugere?
Victor inclinou-se, os lábios roçando a borda da orelha dela ao sussurrar.
— Você fica perto de mim. Sem resistências. Sem fugas. E, em troca, eu te deixo ver o que quiser.
Ana mordeu o lábio, sua mente girando com a proposta. Aquilo era um risco imenso, mas também era sua melhor chance.
— E se eu disser que ainda não confio em você?
Victor segurou seu rosto entre os dedos, os olhos queimando contra os dela.
— Isso não é um problema. Porque, no final, confiança não importa.
Mas a entrega essa sim, é inevitável.
O coração de Ana martelava dentro do peito.
Ela sabia que aceitar significava mergulhar fundo em um abismo do qual talvez nunca saísse.
Mas, naquele momento, ela percebeu algo assustador.
Parte dela queria pular.
O silêncio entre eles era carregado, denso como a noite escura lá fora.
Ana sentia o perigo e o desejo entrelaçados em um nó impossível de desatar.
O olhar de Victor era um abismo profundo, um convite silencioso para um jogo do qual ela talvez não saísse ilesa.
Mas será que queria sair?
A respiração dela estava acelerada, o coração batendo contra as costelas.
Victor não se movia, apenas a estudava, como se estivesse esperando que ela tomasse a decisão.
— Você deveria me evitar.
— Ele murmurou, a voz baixa e rouca, como um aviso final.
Ana soltou um riso curto, mas sem humor.
— E você deveria me soltar.
O sorriso dele foi lento, carregado de algo sombrio e perigoso.
— Mas eu não quero.
Então, sem aviso, Victor avançou.
Os lábios dele tomaram os dela com uma força avassaladora, como se estivesse reivindicando algo que já lhe pertencia.
O beijo não era doce nem gentil.
Era possessivo, exigente, devastador.
Ana arfou, surpresa pela intensidade, mas não recuou.
Ao contrário, ela retribuiu com igual fervor.
As mãos dele deslizaram por sua cintura, puxando-a ainda mais para si, como se quisesse fundi-los em um só corpo.
Ana sentiu a firmeza de seus músculos contra ela, o calor ardente de sua pele através do tecido fino de suas roupas.
Victor mordeu de leve o lábio inferior dela antes de aprofundar o beijo, explorando sua boca com uma fome que a fez tremer dos pés à cabeça.
Era como se estivesse imprimindo nela sua marca invisível, um aviso de que, a partir daquele momento, não havia mais escapatória.
E o pior?
Ana não queria escapar.
Suas mãos agarraram os ombros dele, os dedos cravando-se no tecido da camisa cara.
O cheiro amadeirado e másculo de Victor a envolvia, deixando-a completamente vulnerável àquele homem que deveria ser seu inimigo, mas que agora era o único que conseguia fazê-la sentir-se viva.
Quando ele finalmente afastou os lábios, a respiração pesada, os olhos escuros cravaram-se nos dela.
— Eu avisei. — Ele disse, a voz carregada de desejo contido.
Ana engoliu em seco, tentando recuperar o fôlego.
— Isso não muda nada.
Victor inclinou-se, um sorriso satisfeito brincando em seus lábios.
— Não ainda. Mas vai mudar.
E Ana sabia, no fundo, que ele estava certo.
Porque aquele beijo não era um fim.
Era apenas o começo.