O primeiro mês de Mariana na Universidade correu bem. Ela falava fluentemente italiano, mas também tinha algumas aulas em inglês. Otávio almoçava com o grupo dela de vez em quando, mas ela ainda o via como um simples amigo, apesar das confidências que trocaram, ela ainda deixava a sua mente dizer que ele era só um bom amigo e nada mais.
Numa sexta - feira, Mariana estava á caminho da biblioteca, quando uma linda jovem parou na frente dela.
- Posso te ajudar? - Ela perguntou.
- Claro que podes querida. Não sabes quem eu sou?
- Não. E também não me interessa.
- O quê? Como te atreves a falar assim comigo?
- Escuta aqui garota. Nem que fosses a rainha Victória eu teria interesse. O que você quer? Uma vénia? Sai da minha frente por favor. Eu tenho muito para fazer.
- Só depois de me ouvires. E espero que prestes muita atenção.
- Tudo bem. Então fala e desaparece ...- Alguns estudantes juntaram - se á volta delas, pois nunca ninguém tinha falado com Renata daquele jeito.
- Muito bem. Já vi que não tens medo.
- Medo? De ti? Quem é você? A torre inclinada de Pizza?
As pessoas á volta começaram a rir, e Mariana seguiu o seu caminho.
- Espera aí garota. Só tenho um aviso para ti.
- Sério?
- Fica longe do Otávio. Ele é meu..
- Então compra uma coleira e faça bom proveito.
Mariana foi embora e deixou Renata furiosa e humilhada. Ela foi procurar Marcia a sua melhor amiga e perguntou:
- Quem é aquela garota Márcia?
- O nome dela é Isabel. Está aqui fazendo alguns estágios e brevemente vai defender a sua tese.
- Sério? E o que mais sabes sobre ela?
- Apenas que é prima da Ariela e está a fazer Pediatria. Porquê?
- Nada. Eu sei que ela esconde alguma coisa, e eu vou descobrir o que é. Vou mesmo.
Mariana chegou na biblioteca e foi fazer a sua pesquisa. Estava a caminho da paragem, quando Otávio apareceu.
- Olá Isabel.
- Olá Otávio. Está tudo bem?
- Agora bem melhor. Porque estás sempre tão defensiva? Nós trocamos confidências. Mesmo assim não confias em mim?
- Me desculpe. É algo que não consigo evitar.
- Está bem. Posso te levar para casa?
- Não obrigada. Eu vou de taxí.
- Sério? Vais mesmo rejeitar a minha oferta?
- Claro que sim. Não pretendo ter outra discussão com a tua namorada louca.
- Namorada?
- Sim. Uma tal de Maria Renata.
- Ela não é mais minha namorada.
Eu terminei com ela a 3 semanas.
- Então porque ela veio me dizer para ficar longe de ti?
- O quê? Ela fez isso?
- Sim. Diante de dezenas de testemunhas.
- Me desculpa está bem? Foi por ser muito ciumenta que eu terminei com ela.
- Olha. É melhor ficares longe de mim. Não quero problemas.
Um taxí parou e ela subiu.
- Adeus Otávio.
Ele viu o taxí ir embora, e pensou que Bianca era diferente das outras jovens que ele conhecia. Ela linda, simpática, determinada e misteriosa.
* O que está a acontecer comigo?
Eu só a comheço a duas semanas.
Otávio não imaginava que tal como ele, Mariana escondia um segredo.
Será que ela o veria como amigo se soubesse a sua verdadeira identidade?
Mariana foi a primeira com coragem de confrontar Renata e dizer a ela o que muitos tinham vontade mas não o fariam por falta de coragem ou medo.
Todo conheciam o carácter de Renata. Ela sempre usava o poder do seu sobrenome para intimidar e conseguia o que desejava.
Mas Mariana não era do tipo que baixava a cabeça. Dona de uma personalidade forte, sabia defender- se muito bem, e as palavras de Renata não lhe causaram nenhum efeito.
Maria Renata estava rodeada de pessoas falsas e bajuladoras que apenas diziam o que ela queria ouvir. Mas Mariana lhe fez ver que respeito é algo que se alcança com conquista e merecimento.
Não por meio de ameaças em público.
Não satisfeita por ter sido confrontada em público, Maria Renata chegou á conclusão que devia descobrir alguma coisa sobre a tal Isabel e deixar ela exposta diante de todos.
Esta seria a única forma de fazer a garota perceber quem ela era de verdade, e talvez fosse também o meio de Otávio se afastar dela.
Maria Renata tinha o histórico de ter sempre tudo o que desejava.
Raramente ouvia uma resposta negativa de quem estava á sua volta.
Mesmo a Avó que cuidou de toda a sua educação não a conseguia controlar devidamente.
Ela fez o melhor para a tornar uma jovem independente e capaz de ganhar o que é seu sem esperar apenas que lhe fosse dado pelo pai.
Quando entrou em casa, Renata foi ter com a Avó que habitualmente tomava o seu café no jardim.
- Boa Tarde Vovó.
- Boa Tarde Renata. Que cara é essa?
- Tive uma briga lá na Universidade com uma rapariga nova.
- A sério?! O que ela fez para você?
- Ela me enfrentou Vovó. Gritou comigo diante de todos, e deixou claro que para ela não sou nada.
- Estás chateada porque alguém não se curvou diante de ti? É isso mesmo?
- Sim Vovó. Ela me chamou de imatura e fútil. Mas isso não vai ficar assim. Ela vai me pagar por tudo o que disse.
- Se acalme filha. Eu lamento, mas você não ouviu nenhuma mentira.
Causar medo nas pessoas não te torna importante, mas pode semear o ódio e levar á violência.
- Eu entendi Vovó. E o meu pai?
Ligou-me dizendo que chegará está noite. Disse também que vamos passar o feriado na fazenda.
- Tudo bem. Vou preparar a minha mala. Há que horas vamos sair amanhã?
- De acordo com o teu pai será às 9 e meia. Mas ainda assim temos que acordar cedo.
- Pode deixar Vovó. Vou subir e tratar de alguns assuntos.
Maria Renata ligou para um detetive amigo do seu pai.
Ela tinha um cartão com credito ilimitado e estava disposta a pagar qualquer valor para descobrir mais coisas sobre Isabel.
Sentia que a jovem escondia alguma coisa, e faria de tudo para descobrir.
E não tinha a intenção de ser impedida por nada nem por ninguém.