Ele é só meu

1061 Words
O primeiro mês de Mariana na Universidade correu bem. Ela falava fluentemente italiano, mas também tinha algumas aulas em inglês. Otávio almoçava com o grupo dela de vez em quando, mas ela ainda o via como um simples amigo, apesar das confidências que trocaram, ela ainda deixava a sua mente dizer que ele era só um bom amigo e nada mais. Numa sexta - feira, Mariana estava á caminho da biblioteca, quando uma linda jovem parou na frente dela. - Posso te ajudar? - Ela perguntou. - Claro que podes querida. Não sabes quem eu sou? - Não. E também não me interessa. - O quê? Como te atreves a falar assim comigo? - Escuta aqui garota. Nem que fosses a rainha Victória eu teria interesse. O que você quer? Uma vénia? Sai da minha frente por favor. Eu tenho muito para fazer. - Só depois de me ouvires. E espero que prestes muita atenção. - Tudo bem. Então fala e desaparece ...- Alguns estudantes juntaram - se á volta delas, pois nunca ninguém tinha falado com Renata daquele jeito. - Muito bem. Já vi que não tens medo. - Medo? De ti? Quem é você? A torre inclinada de Pizza? As pessoas á volta começaram a rir, e Mariana seguiu o seu caminho. - Espera aí garota. Só tenho um aviso para ti. - Sério? - Fica longe do Otávio. Ele é meu.. - Então compra uma coleira e faça bom proveito. Mariana foi embora e deixou Renata furiosa e humilhada. Ela foi procurar Marcia a sua melhor amiga e perguntou: - Quem é aquela garota Márcia? - O nome dela é Isabel. Está aqui fazendo alguns estágios e brevemente vai defender a sua tese. - Sério? E o que mais sabes sobre ela? - Apenas que é prima da Ariela e está a fazer Pediatria. Porquê? - Nada. Eu sei que ela esconde alguma coisa, e eu vou descobrir o que é. Vou mesmo. Mariana chegou na biblioteca e foi fazer a sua pesquisa. Estava a caminho da paragem, quando Otávio apareceu. - Olá Isabel. - Olá Otávio. Está tudo bem? - Agora bem melhor. Porque estás sempre tão defensiva? Nós trocamos confidências. Mesmo assim não confias em mim? - Me desculpe. É algo que não consigo evitar. - Está bem. Posso te levar para casa? - Não obrigada. Eu vou de taxí. - Sério? Vais mesmo rejeitar a minha oferta? - Claro que sim. Não pretendo ter outra discussão com a tua namorada louca. - Namorada? - Sim. Uma tal de Maria Renata. - Ela não é mais minha namorada. Eu terminei com ela a 3 semanas. - Então porque ela veio me dizer para ficar longe de ti? - O quê? Ela fez isso? - Sim. Diante de dezenas de testemunhas. - Me desculpa está bem? Foi por ser muito ciumenta que eu terminei com ela. - Olha. É melhor ficares longe de mim. Não quero problemas. Um taxí parou e ela subiu. - Adeus Otávio. Ele viu o taxí ir embora, e pensou que Bianca era diferente das outras jovens que ele conhecia. Ela linda, simpática, determinada e misteriosa. * O que está a acontecer comigo? Eu só a comheço a duas semanas. Otávio não imaginava que tal como ele, Mariana escondia um segredo. Será que ela o veria como amigo se soubesse a sua verdadeira identidade? Mariana foi a primeira com coragem de confrontar Renata e dizer a ela o que muitos tinham vontade mas não o fariam por falta de coragem ou medo. Todo conheciam o carácter de Renata. Ela sempre usava o poder do seu sobrenome para intimidar e conseguia o que desejava. Mas Mariana não era do tipo que baixava a cabeça. Dona de uma personalidade forte, sabia defender- se muito bem, e as palavras de Renata não lhe causaram nenhum efeito. Maria Renata estava rodeada de pessoas falsas e bajuladoras que apenas diziam o que ela queria ouvir. Mas Mariana lhe fez ver que respeito é algo que se alcança com conquista e merecimento. Não por meio de ameaças em público. Não satisfeita por ter sido confrontada em público, Maria Renata chegou á conclusão que devia descobrir alguma coisa sobre a tal Isabel e deixar ela exposta diante de todos. Esta seria a única forma de fazer a garota perceber quem ela era de verdade, e talvez fosse também o meio de Otávio se afastar dela. Maria Renata tinha o histórico de ter sempre tudo o que desejava. Raramente ouvia uma resposta negativa de quem estava á sua volta. Mesmo a Avó que cuidou de toda a sua educação não a conseguia controlar devidamente. Ela fez o melhor para a tornar uma jovem independente e capaz de ganhar o que é seu sem esperar apenas que lhe fosse dado pelo pai. Quando entrou em casa, Renata foi ter com a Avó que habitualmente tomava o seu café no jardim. - Boa Tarde Vovó. - Boa Tarde Renata. Que cara é essa? - Tive uma briga lá na Universidade com uma rapariga nova. - A sério?! O que ela fez para você? - Ela me enfrentou Vovó. Gritou comigo diante de todos, e deixou claro que para ela não sou nada. - Estás chateada porque alguém não se curvou diante de ti? É isso mesmo? - Sim Vovó. Ela me chamou de imatura e fútil. Mas isso não vai ficar assim. Ela vai me pagar por tudo o que disse. - Se acalme filha. Eu lamento, mas você não ouviu nenhuma mentira. Causar medo nas pessoas não te torna importante, mas pode semear o ódio e levar á violência. - Eu entendi Vovó. E o meu pai? Ligou-me dizendo que chegará está noite. Disse também que vamos passar o feriado na fazenda. - Tudo bem. Vou preparar a minha mala. Há que horas vamos sair amanhã? - De acordo com o teu pai será às 9 e meia. Mas ainda assim temos que acordar cedo. - Pode deixar Vovó. Vou subir e tratar de alguns assuntos. Maria Renata ligou para um detetive amigo do seu pai. Ela tinha um cartão com credito ilimitado e estava disposta a pagar qualquer valor para descobrir mais coisas sobre Isabel. Sentia que a jovem escondia alguma coisa, e faria de tudo para descobrir. E não tinha a intenção de ser impedida por nada nem por ninguém.
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