Chegou a segunda - feira e Mariana estava pronta para recomeçar as aulas práticas. Estava no último ano da sua graduação e não podia perder mais aulas. Tinha ótimas referências e isso facilitou o processo.
Ela e Ariela chegaram juntas, mas teriam aulas em edifícios diferentes, pois ela estava a fazer o curso de Gestão de Empresas.
Depois de acertar tudo na secretaria, Mariana estava a tentar localizar a sua sala de aulas, quando encontrou com Luís Filipe que conheceu na noite anterior.
Ele era o namorado de Rafaela.
- Bom dia Isabel.
- Bom dia Filipe! Que bom te ver.
Estou perdida e tenho aula em 10 minutos.
- Sério que te perdeste? Qual é a tua sala?
- É a de Pediatria. Mas hoje terei aula prática.
- Eu levo - te até lá.
- Muito obrigada. Qual é o teu curso?
- Deontologia.
- Uau. E o da Mariana?
- Psicologia.
- Sério? É uma área muito especial.
- Eu concordo. Ela é finalista e também já está fazendo o estágio.
- Que bom saber disso.
- Chegamos. Esta é a sala. Depois vão todos ao estágio.
- Obrigada amigo. Até mais tarde.
Mariana(Isabel) chegou á tempo e localizou Azaela que era outra de suas novas amigas. Elas marcaram de ir sempre juntas ao estágio, pois estavam no mesmo curso e eram ambas finalistas.
Encontraram - se todos na hora do almoço e a conversa estava bem animada, até que Otávio apareceu de novo.
- O que foi agora Otávio? - Desta vez quem não gostou foi Ariela.
- Eu vim apenas me desculpar outra vez. Isabel! Podes me dar dois minutos? Por favor.
- Está bem. Dois e nem um segundo a mais.
- Obrigado. Eu não estou a te perseguir.
- Sério?
- Claro que sim. Apenas quero ser teu amigo. Podemos começar de novo? Por favor.
- Está bem. Eu também peço desculpas pela minha reação. Não tenho nada contra você.
- Tudo bem. Percebi que estás na defensiva.
- Tenho os meus motivos.
Ela estendeu a mão e ele apertou delicadamente.
- Sou a Isabel.
- Prazer! Otávio. Bem vinda.
- Obrigada. Amoças connosco Otávio?
- Claro. Se não incomodar.
- O que acham galera?
- Bem! Se já o desculpaste.
Será bem - vindo.
- Obrigado pessoal...- Otávio sentou e eles continuaram a conversar animadamente.
O primeiro dia de Mariana foi bem produtivo, mas ela ainda não sabia se devia ou podia confiar em Otávio. Mas estava feliz por ter dado a ele uma oportunidade.
Será que ele é mesmo tão bom como parecia? Mariana resolveu dar - lhe uma oportunidade para merecer a sua confiança....
A situação que passou em casa deixou- a ainda mais cuidadosa do que antes. Ela sentiu uma forte conexão com Otávio, mas também tinha medo de confiar nele tão rápido.
Temia a perseguição de Óscar. Mas mesmo que isso acontecesse, teria como se defender, e jamais aceitaria que a usassem como moeda de troca para saldar uma dívida contraída por seu pai num momento de fraqueza.
Óscar Maestrinni poderia ser rico e influente, mas jamais teria Mariana ao seu lado. Ela jurou que cometeria suicídio, antes de se submeter a tal desgraça, e ele apesar de ter fingido, sentiu - se m*l ao ouvir aquelas palavras.
Uma rapariga tão jovem e bonita estava disposta a tirar a sua vida apenas para não ser forçada a entrar num casamento contra a sua vontade.
Seria que valeria a pena viver com remorsos causados pela perda de uma vida?
Seria esta a melhor forma de ter novamente o seu filho por perto?
Óscar estava a questionar a si mesmo, e pela primeira vez começou a duvidar da sua própria integridade.
Ainda pensava nisso quando entrou Raúl um de seus homens de maior confiança.
- Senhor Óscar! Mandou me chamar?
- Sim Raúl. Sente por favor.
- Obrigado Senhor. Em que posso ajudar?
- Eu quero que você pare de procurar a Senhorita Gouveia.
- Tem a certeza Senhor?
- Sim. Eu tenho a certeza. Aquela rapariga fugiu da casa de seus pais por minha culpa. Ela está a um passo de cometer suicídio e eu não posso ser o responsável pela perda de uma vida tão jovem.
- Eu entendo Senhor. Considere tudo cancelado.
- Obrigado. E conseguiste saber alguma coisa do Otávio?
- Sim. Ele está trabalhando e ganha muito bem. Mora sozinho e tinha uma namorada.
- Tinha?!
- Sim. Eles terminaram. Parece que a moça é muito ciumenta e o seu filho não tolera isso.
- Ele puxou á mãe. Ela odiava as minhas cenas de ciúmes. As nossas brigas eram sempre por este motivo.
- Eu me lembro Senhor. Mas, vocês foram muito felizes. Isto até ao nascimento do menino Otávio. Ele nasceu forte e saudável.
- E por causa do meu trabalho perdi o meu amor. E afastei o meu filho.
Agora estou com a vida de uma jovem inocente nas mãos.
- O Senhor vai mesmo cobrar a dívida ao Pai dela?
- Não sei Raúl. Na verdade o dinheiro que ele deve não me fará falta. Mas, eu quero que o Mário Pedro aprenda uma lição antes que eu tenha uma nova conversa com ele. Vamos deixar ele em paz. Ter sido expulso de casa já é pesado demais.
- Está certo Senhor. Nenhum m****o da família será incomodado.
- Obrigado Raúl. Prepare o carro por favor. Vou visitar o Bairro social. Mas antes ligue para a loja e encomende os presentes para as crianças.
- Está bem Senhor. Com licença.
- Obrigado.
Óscar Maestrinni não era tão mau como parecia. Ele dava empregos com salários mais que generosos. Era o benfeitor de escolas, creches, orfanatos e patrocinava vários times relacionados com diversos desportos.
E ainda tinha marcas de roupas, calçados, cosméticos, uma rede de hotéis e outros empreendimentos ligados ao turismo, finanças e restauração em todas as vertentes.
Ou seja, tinha mais dinheiro do que podia contar, e por causa disso estava disposto a perdoar a dívida de 500 mil dólares de Mário Pedro.
Seria este o caminho para a sua verdadeira redenção?
O caminho seria longo até que ele atingisse o seu verdadeiro objetivo:
Reconciliar - se com Otávio e fazer ele entender que gostando ou não, era o único herdeiro da imensa fortuna Maestrinni, e que algum dia teria que assumir o seu lugar na frente de todos os negócios.