Começamos de novo?

1071 Words
Chegou a segunda - feira e Mariana estava pronta para recomeçar as aulas práticas. Estava no último ano da sua graduação e não podia perder mais aulas. Tinha ótimas referências e isso facilitou o processo. Ela e Ariela chegaram juntas, mas teriam aulas em edifícios diferentes, pois ela estava a fazer o curso de Gestão de Empresas. Depois de acertar tudo na secretaria, Mariana estava a tentar localizar a sua sala de aulas, quando encontrou com Luís Filipe que conheceu na noite anterior. Ele era o namorado de Rafaela. - Bom dia Isabel. - Bom dia Filipe! Que bom te ver. Estou perdida e tenho aula em 10 minutos. - Sério que te perdeste? Qual é a tua sala? - É a de Pediatria. Mas hoje terei aula prática. - Eu levo - te até lá. - Muito obrigada. Qual é o teu curso? - Deontologia. - Uau. E o da Mariana? - Psicologia. - Sério? É uma área muito especial. - Eu concordo. Ela é finalista e também já está fazendo o estágio. - Que bom saber disso. - Chegamos. Esta é a sala. Depois vão todos ao estágio. - Obrigada amigo. Até mais tarde. Mariana(Isabel) chegou á tempo e localizou Azaela que era outra de suas novas amigas. Elas marcaram de ir sempre juntas ao estágio, pois estavam no mesmo curso e eram ambas finalistas. Encontraram - se todos na hora do almoço e a conversa estava bem animada, até que Otávio apareceu de novo. - O que foi agora Otávio? - Desta vez quem não gostou foi Ariela. - Eu vim apenas me desculpar outra vez. Isabel! Podes me dar dois minutos? Por favor. - Está bem. Dois e nem um segundo a mais. - Obrigado. Eu não estou a te perseguir. - Sério? - Claro que sim. Apenas quero ser teu amigo. Podemos começar de novo? Por favor. - Está bem. Eu também peço desculpas pela minha reação. Não tenho nada contra você. - Tudo bem. Percebi que estás na defensiva. - Tenho os meus motivos. Ela estendeu a mão e ele apertou delicadamente. - Sou a Isabel. - Prazer! Otávio. Bem vinda. - Obrigada. Amoças connosco Otávio? - Claro. Se não incomodar. - O que acham galera? - Bem! Se já o desculpaste. Será bem - vindo. - Obrigado pessoal...- Otávio sentou e eles continuaram a conversar animadamente. O primeiro dia de Mariana foi bem produtivo, mas ela ainda não sabia se devia ou podia confiar em Otávio. Mas estava feliz por ter dado a ele uma oportunidade. Será que ele é mesmo tão bom como parecia? Mariana resolveu dar - lhe uma oportunidade para merecer a sua confiança.... A situação que passou em casa deixou- a ainda mais cuidadosa do que antes. Ela sentiu uma forte conexão com Otávio, mas também tinha medo de confiar nele tão rápido. Temia a perseguição de Óscar. Mas mesmo que isso acontecesse, teria como se defender, e jamais aceitaria que a usassem como moeda de troca para saldar uma dívida contraída por seu pai num momento de fraqueza. Óscar Maestrinni poderia ser rico e influente, mas jamais teria Mariana ao seu lado. Ela jurou que cometeria suicídio, antes de se submeter a tal desgraça, e ele apesar de ter fingido, sentiu - se m*l ao ouvir aquelas palavras. Uma rapariga tão jovem e bonita estava disposta a tirar a sua vida apenas para não ser forçada a entrar num casamento contra a sua vontade. Seria que valeria a pena viver com remorsos causados pela perda de uma vida? Seria esta a melhor forma de ter novamente o seu filho por perto? Óscar estava a questionar a si mesmo, e pela primeira vez começou a duvidar da sua própria integridade. Ainda pensava nisso quando entrou Raúl um de seus homens de maior confiança. - Senhor Óscar! Mandou me chamar? - Sim Raúl. Sente por favor. - Obrigado Senhor. Em que posso ajudar? - Eu quero que você pare de procurar a Senhorita Gouveia. - Tem a certeza Senhor? - Sim. Eu tenho a certeza. Aquela rapariga fugiu da casa de seus pais por minha culpa. Ela está a um passo de cometer suicídio e eu não posso ser o responsável pela perda de uma vida tão jovem. - Eu entendo Senhor. Considere tudo cancelado. - Obrigado. E conseguiste saber alguma coisa do Otávio? - Sim. Ele está trabalhando e ganha muito bem. Mora sozinho e tinha uma namorada. - Tinha?! - Sim. Eles terminaram. Parece que a moça é muito ciumenta e o seu filho não tolera isso. - Ele puxou á mãe. Ela odiava as minhas cenas de ciúmes. As nossas brigas eram sempre por este motivo. - Eu me lembro Senhor. Mas, vocês foram muito felizes. Isto até ao nascimento do menino Otávio. Ele nasceu forte e saudável. - E por causa do meu trabalho perdi o meu amor. E afastei o meu filho. Agora estou com a vida de uma jovem inocente nas mãos. - O Senhor vai mesmo cobrar a dívida ao Pai dela? - Não sei Raúl. Na verdade o dinheiro que ele deve não me fará falta. Mas, eu quero que o Mário Pedro aprenda uma lição antes que eu tenha uma nova conversa com ele. Vamos deixar ele em paz. Ter sido expulso de casa já é pesado demais. - Está certo Senhor. Nenhum m****o da família será incomodado. - Obrigado Raúl. Prepare o carro por favor. Vou visitar o Bairro social. Mas antes ligue para a loja e encomende os presentes para as crianças. - Está bem Senhor. Com licença. - Obrigado. Óscar Maestrinni não era tão mau como parecia. Ele dava empregos com salários mais que generosos. Era o benfeitor de escolas, creches, orfanatos e patrocinava vários times relacionados com diversos desportos. E ainda tinha marcas de roupas, calçados, cosméticos, uma rede de hotéis e outros empreendimentos ligados ao turismo, finanças e restauração em todas as vertentes. Ou seja, tinha mais dinheiro do que podia contar, e por causa disso estava disposto a perdoar a dívida de 500 mil dólares de Mário Pedro. Seria este o caminho para a sua verdadeira redenção? O caminho seria longo até que ele atingisse o seu verdadeiro objetivo: Reconciliar - se com Otávio e fazer ele entender que gostando ou não, era o único herdeiro da imensa fortuna Maestrinni, e que algum dia teria que assumir o seu lugar na frente de todos os negócios.
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