A festa já estava rolando há um tempo. Antoni recebia todo mundo com aquele sorriso animado, e Selena e Vittoria já tinham chegado — estavam em uma das barraquinhas experimentando algumas bebidas.
Era uma festa pé na areia, iluminada por luzes alaranjadas que deixavam tudo com uma vibe aconchegante. Nos copos, fotos do aniversariante com os amigos; cadeiras de praia espalhadas; aquele clima perfeito de verão organizado com carinho pra galera relaxar.
Selena, claro, nem se tocou que poderia encontrar Dante ali. Mesmo sabendo que Antoni era amigo dele, quando recebeu o convite simplesmente aceitou e só foi — sem pensar muito.
Enquanto conversava com Vittoria e dava risada das besteiras da amiga, Marina chegou para cumprimentá-las.
— Oi, meninas! Estão gostando da vibe da festa? — disse Marina, super educada, passando a mão nas costas de Selena.
— Oii, Mari! Eu tô amando, vocês arrasam nas festas, viu? — Selena riu sincera.
— Obrigada! Mas essas ideias são sempre do Enrico — respondeu Marina, meio orgulhosa.
— Ah, vocês são namorados? — perguntou Vittoria, rápida demais, zero filtro.
Marina travou na hora. — Ah… não. Somos amigos de muitos anos.
Selena arregalou os olhos pra Vittoria, tipo mulher, calma, e deu uma cutucada nela enquanto sorria pra Marina pra aliviar.
— Ah, tá tudo bem. Vocês só são próximos, — disse Selena, tentando salvar a situação.
— É isso. Eu vou indo, tá? Aproveitem a festa!
Marina se afastou, e Selena já olhava pra Vittoria com aquela cara de " como você é s*******o, hein"
Marina saiu caminhando festa adentro, procurando alguma tarefa pra se ocupar. O vestido dourado, leve e finíssimo, tremulava toda vez que o vento batia — parecia até cena de filme.
Selena e Vittoria continuaram sentadas, rindo e falando besteira como se não houvesse amanhã. O clima estava perfeito, tipo aquele momento que você quer guardar num potinho.
Mas entre uma gargalhada e outra, uma voz conhecida cortou o ar:
— Uma cerveja, por favor.
As duas pararam instantaneamente. O sorriso congelou, virou seriedade na hora. Selena virou devagar, apoiando a cabeça no ombro, e lá estava ele: Dante, de braços encostados no balcão, esperando a bebida.
Ele percebeu a presença dela, e o rosto — que antes estava neutro — abriu um sorriso instantâneo.
— Selena?
O choque foi mútuo. Olhos nos olhos. Um brilho que entregava tudo o que os dois tentavam esconder.
Dante literalmente perdeu o ar por um segundo.
Selena respirou rápido demais, quase travando.
A vibe ali era um caos emocional: alegria, desconforto, saudade, tensão… tudo misturado.
— Olá, Dante — disse ela, com a voz levemente trêmula.
— Não sabia que você e o Antoni eram amigos — ele comentou, mão esquerda no bolso, a direita no balcão, tentando parecer casual.
— Na verdade sou amiga da Marina, mas o Antoni me convidou.
— Legal. Bom te ver. — Ele pegou a cerveja e saiu quase que imediatamente.
Selena ficou ali, tentando entender por que o coração dela parecia ter saido do peito.
Vittoria precisou de uns três segundos pra “voltar pro sistema” — parecia literalmente um computador velho reiniciando. Assim que voltou à vida, agarrou os braços de Selena:
— Sel? Você tá bem?
— Am? Cla–claro! Eu tava pensando. — respondeu com a voz trêmula, segurando o drink como se fosse uma âncora emocional.
— Esquecemos que ele poderia vir pra festa! — Vittoria levou a mão à cabeça.
— Não tem problema, Vittoria. Eu não posso parar de frequentar lugares porque o Dante provavelmente vai estar.
Vittoria concordou, mesmo piscando rápido, como quem sabe que a amiga tá fingindo estabilidade.
As duas continuaram conversando ali, enquanto Dante, do outro lado da festa, estava rodeado pelos amigos. Ele parecia participar da conversa, mas os olhos… sempre davam um jeito de voltar pra Selena, que estava de costas. Sentia aquela saudade latejando, admirando cada detalhe dela — mas também lembrava da promessa que tinha feito pra Giulia. Não podia passar dos limites.
Antoni, por outro lado, num modo “alcoolista raiz”, ficou animadíssimo com a presença do amigo e começou a empurrar bebida atrás de bebida pra cima do Dante.
Competição de quem vira mais rápido, jogo de quem erra bebe. Todo mundo rindo. Dante cada vez mais solto.
Selena observava de longe. Quanto mais ela via, mais deslocada se sentia. Aquela galera era o círculo dele. Amizades de infância. E ela… bom, ela achava que não tinha espaço ali. Vittoria dançava como se estivesse em outro planeta, super feliz.
De repente, Marina aparece do nada, pega o braço de Selena com força e puxa:
— Vamos, amiga! Se mexe, a festa tá boa demais pra ficar parada!
— Ai, Marina, não sei… acho que bebi demais. — Selena tentou soltar o braço, tímida, desconfortável.
— Vem, você vai ter que participar da brincadeira! — Marina puxou ainda mais forte, arrastando Selena pra roda.
E pronto.
O caos emocional estava oficialmente instaurado.
Ao entrar na roda, todos começaram a gritar como vaias, batendo palmas. A brincadeira era beber de cabeça pra baixo e, logo em seguida, subir em um tambor. Quem ficasse mais tempo com uma perna só, ganhava. Quem não conseguisse, perdia.
Colocaram Selena e Antoni. Selena bebeu e logo a colocaram em cima do tambor. Antoni, super experiente na bebida e nas brincadeiras, nem tremia. Selena, por outro lado, tremia mais que vara seca.
Em um determinado momento, sua cabeça girou, ela perdeu o controle e quase caiu. Dante notou que ela não ia aguentar e, como estava mais próximo, segurou ela imediatamente. Os dois se olharam. Dante tocou o rosto dela e perguntou se estava bem. Uma amiga de Giulia, que estava na festa, logo tirou uma foto e enviou para Giulia com a mensagem: “Vocês terminaram?”
Giulia, que estava em casa estudando um caso, viu a imagem, tirou seus óculos e jogou longe. Ficou furiosa. Respondeu à amiga: “Onde é essa festa?”
A amiga mandou o endereço na mesma hora. Giulia se levantou, foi se vestir e decidiu que iria acabar com a raça de Dante.
Dante soltou Selena assim que Vittoria chegou para ajudar. Vittoria segurou o braço da amiga e a levou até as cadeiras, onde Selena se sentou rapidamente.
— Amiga, você está bem? — perguntou preocupada.
— Estou sim, foi só uma tontura por causa da bebida. Que brincadeira ridícula. — Selena riu, se sentindo uma i****a.
— Você quase caiu com tudo. Amanhã sua foto ia estar em toda a internet com a cara cheia de areia. — Vittoria continuou tirando sarro.
As duas ficaram sentadas conversando e tomando água de coco.
Enquanto isso, Dante veio até elas para ver se Selena estava bem. Ele se aproximou segurando uma garrafa de água.
— Você está bem? Trouxe essa água pra você, vai precisar.
— Obrigada. Eu já estou tomando água de coco. — deu um leve sorriso.
— Tudo bem. — disse ele, segurando a garrafa com força.
Vittoria ficou olhando para Dante, desconfortável, sem saber se deixava os dois a sós ou se ficava ali naquele clima tenso e cheio de sentimentos.
Dante se despediu e voltou para o seu lugar. A amiga de Giulia continuava observando e gravando os dois.
Demorou 1 hora para que Giulia chegasse ao local, já que sua casa era um pouco distante. Assim que chegou, estacionou o carro às pressas e desceu até a praia em passos rápidos, sem raciocinar muito bem. Estava tomada pela raiva de Dante. Estava pronta para dizer umas verdades e até bater nele se fosse necessário. Ela não ia aceitar tal desrespeito. Na cabeça dela, ele estava traindo ela com Selena na praia — o que não era verdade. Sua amiga fez parecer que ele estava fazendo algo errado e, sinceramente, pela foto, dava pra entender errado mesmo.
Giulia avistou Marina e logo perguntou por Dante. Marina, sem entender a raiva da conhecida, apenas disse que ele estava mais à frente com os meninos. Então Giulia foi até lá. Quando avistou Dante, soltou toda a sua raiva.
— Você não tem vergonha na cara! — bateu no peito de Dante devagar.
— Giulia? O que faz aqui? — disse Dante, nervoso e confuso.
— O que eu faço aqui? Eu não deveria estar aqui? Ah… não! Porque você trouxe a sua ex!
— Do que você está falando, Giulia? — falou segurando o copo e gesticulando.
— Eu vi a foto de vocês dois se agarrando! Como pode fazer isso comigo? Você prometeu que me respeitaria!
— Giulia, calma! Você não está raciocinando bem.
Giulia gritava com Dante na frente de todo mundo. Os amigos dele olhavam e julgavam Giulia.
— “O que ela tá falando? Ela é maluca?”
— “Não sabia que a namorada de Dante era surtada.”
comentava uma das colegas.
Dante puxou o braço de Giulia e a levou para um canto mais vazio da praia, para conversarem melhor.