Era uma manhã de domingo.
Os pais de Dante ainda estavam hospedados na casa dele. Já fazia dois dias que Selena não aparecia, e Caterina, como sempre atenta, não deixou passar despercebido. Questionou o filho com aquele tom curioso, quase afiado, sobre o motivo da ausência da “namorada”.
Dante respirou fundo e respondeu com calma:
— Ela está atolada de trabalho, mamma. Mas vamos nos ver hoje.
Caterina não pareceu convencida, mas preferiu mudar de assunto. Enquanto isso, o clima entre ela e Marco continuava congelado. Ele evitava conversas, olhares, qualquer aproximação. Já estava decidido: esperava apenas o momento certo para anunciar o fim do casamento.
Caterina, por outro lado, ainda acreditava que era só mais uma das brigas rotineiras — uma fase r**m que logo passaria. m*l sabia ela que, dessa vez, tudo já tinha acabado há muito tempo.
O fim do relacionamento entre Marco e Caterina prometia causar uma verdadeira tempestade na família. E, para piorar, a chegada de um novo m****o estava prestes a revelar segredos sombrios que Caterina escondia há anos.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Selena chega à casa de Vittoria para o tradicional “dia das meninas”. Assim que a amiga abre a porta, o sorriso aparece no rosto dela.
— Ei, amiga! — diz Vittoria animada, puxando Selena para um abraço. — Finalmente apareceu, né? Já tava achando que tinha te perdido pra esses homens que te perseguem.
Selena dá uma risada curta, meio nervosa.
— Você nem imagina o caos que tá a minha vida, Vi.
— Então entra logo, que hoje a gente vai colocar tudo em dia. — Vittoria diz, piscando e puxando a amiga pra dentro..
— Vamos nos divertir! — disse ela, radiante, com um sorriso de orelha a orelha.
— Pera aí… antes de qualquer coisa, você precisa me atualizar dos últimos acontecimentos. — respondeu Vittoria, cruzando os braços.
Selena riu, se jogou no sofá em frente à amiga e disse:
— Ok, serei breve. Vou fazer um resumo, porque a história é longa.
Ela respirou fundo e começou:
— No dia em que saí com o Lorenzo, ele demonstrou querer mais do que eu estava disposta a oferecer. O que era pra ser um simples jantar virou um verdadeiro filme de terror. Ele me encurralou, eu consegui fugir, mas ele me alcançou de novo… só que, felizmente, apareceu um cara — o Dante — e me ajudou.
— O quê?! — exclamou Vittoria, chocada. — Você demorou todo esse tempo pra me contar isso? conta logo tudo selena
— Então… — disse Selena, mexendo no cabelo. — Esse cara me levou pra casa dele, o mordomo chamou um médico, eu fui atendida e deu tudo certo. Só que depois ele me fez uma proposta: fingir ser namorada dele pra enganar a família e conseguir assumir a empresa. E é isso que eu tô fazendo. Mas… a gente acabou dormindo , e também o Lorenzo tá me perseguindo.
— Meu Deus, Selena! — Vittoria arregalou os olhos. — Eu nem sei se consigo sair pra curtir depois de ouvir tudo isso. E esse tal de Dante… ele é confiável?
— Sinceramente? Não sei. Eu aceitei o acordo pra pagar a dívida por ele ter me ajudado. Mas não pretendo dormir com ele de novo. Sei lá… não quero ser feita de boba.
Vittoria estreitou os olhos, com um sorriso de canto.
— Hm… parece que você está apaixonada, hein?
Selena riu, tentando disfarçar.
— Apaixonada? Não! Ele só é muito gato, impossível de resistir, você sabe. Eu não sou de ferro.
— Tá bom, se você diz… — respondeu Vittoria, rindo.
— Ah, e eu conheci os pais dele há dois dias. A mãe dele me odeia, o pai é um amor, e o irmão… um arrogante que quer tomar a empresa.
— Uma família maluca, né amiga? não sei se vale o desgaste…
Selena deu de ombros e se levantou animada.
— Na verdade, hoje eu só quero me divertir como nunca! Vamos pra Casa delle Feste!
— Isso não vai te causar problemas se ele descobrir que você tá lá? — perguntou Vittoria, arqueando a sobrancelha.
— Nosso relacionamento é de fachada. Ele pode fazer o que quiser… e eu também. Vamos!
Selena pegou a bolsa e girou o cabelo com confiança, pronta pra se desligar de tudo.
Enquanto caminhava até a porta, pensava em recuperar a liberdade de antes — deixar pra trás o caos, Dante, Lorenzo e toda a confusão de sentimentos que a noite passada tinha despertado. Hoje, ela só queria dançar, rir e esquecer..
A casa delle feste estava fervendo — música alta, luzes neon pulsando e um cheiro de perfume caro misturado com álcool e desejo no ar. Vittoria, animada, reencontra alguns amigos antigos da época da escola. Risadas, abraços, brindes. Já Selena, em silêncio, se aproxima do balcão, os olhos varrendo o ambiente. Homens a observam com interesse, uns discretos, outros descarados. Ela finge não notar, mas o ego vibra — fazia tempo que não se sentia assim, livre, desejada, viva.
Enquanto segura uma taça de espumante, o celular vibra. Dante.
Ela revira os olhos, respira fundo e atende, tentando gritar mais alto que o som ensurdecedor.
— Olá! — diz entre risadas forçadas.
— Onde você está? Precisamos conversar. — A voz dele vem seca, autoritária.
— Ah, estou ocupada nesse momento, Dante. Podemos conversar amanhã.
— Não, tem que ser hoje! — ele insiste, visivelmente irritado.
Selena sai para o jardim, o som abafado ficando pra trás. O vento frio bate no rosto, e ela aperta o celular na mão.
— Você não podia me avisar antes? Quer que eu pare minha vida pra seguir suas vontades? Não posso ir hoje.
— Temos um acordo, — ele rebate com raiva. — Se não quer mais, avisa. Não vou ficar correndo atrás de você.
Selena ri sem humor, nervosa.
— Ah, não vai mesmo! E pra falar a verdade, Dante, eu também não quero mais essa palhaçada. Já pensou onde isso vai parar? — ela dispara. — Pra você entrar na empresa, não basta namorar. Vai ter que casar. Depois virão os filhos, e adivinha? Nem divorciar vai poder, e sua mãe vai transformar tudo em um teatro de família, ela nem te quer na empresa, ela quer o Salvatore!. Quer viver essa mentira pro resto da vida? Te aconselho a namorar alguém de verdade, não de mentira
Silêncio. Só se ouve a respiração tensa dos dois.
— Selena... — ele tenta falar, mas ela o interrompe.
— Pensa, Dante. Pensa bem antes de continuar com essa farsa. — e desliga na cara dele.
Por alguns segundos, fica parada, olhando pro nada. O coração dispara, a raiva se mistura com tristeza, e o orgulho fala mais alto.
Ela joga o cabelo pro lado, endireita o vestido e volta pra dentro. O som a engole de novo, o ritmo vibrando nos ossos. Assim que atravessa o corredor, é parada por um homem alto, olhos azuis intensos, sorriso de quem sabe o poder que tem.
— Você tá sozinha? — ele pergunta, se inclinando próximo ao ouvido dela.
Selena sorri, levantando uma sobrancelha.
— Depende... por quê?
Ele ri, encantado.
— Porque uma mulher linda dessas não devia desperdiçar a noite discutindo pelo celular.
Selena dá um gole no drink e responde com ironia:
— Então me mostra como se aproveita uma noite de verdade
Selena curte a festa enquanto Dante está em casa refletindo sobre a discussão que tiveram. Durante esse momento, Dante tem um ponto de luz que clareia a sua mente. Desistir desse relacionamento parece ser a coisa certa, pois insistir é como forçar Selena a amá-lo — e não é isso que ele quer. Ele está realmente apaixonado por ela e disposto a fazer o que for possível para tê-la, se ela o quiser.
Então, Dante resolve contar aos pais que o relacionamento acabou. Respira fundo e vai em direção à sala de cinema, onde seus pais se encontram sentados, distantes. Sua mãe, ao vê-lo se aproximar, se levanta depressa.
— Cadê a Selena? Ela não virá? Assim a janta vai esfriar — brincou, com um sorriso falso.
Dante, desconfortável, suspira e responde:
— Ela não vem. Terminamos.
Caterina tenta disfarçar a alegria ao ouvir a frase “terminamos”. Abraça Dante, forçando uma expressão de preocupação e pena. Marco, sentado no sofá, observa a cena com cara de nojo.
— Meu filhinho, sinto muito! Não se preocupe, você vai encontrar uma moça do seu nível — diz Caterina, num tom falso e meloso.
Marco, em postura de pai executivo preocupado, se levanta enquanto tira os óculos de grau e colocam em cima da mesa enquanto vai em direção a Dante.
— Deixa-nos a sós, Caterina. Precisamos ter uma conversa de homem pra homem.
Caterina fica confusa, olha para Dante e sai logo em seguida. Marco fecha a porta e volta para se sentar ao lado do filho no sofá.
— Meu filho, você sabe o quanto admiro você. Sempre fiz questão de deixar isso claro. E, a propósito, gostei muito da Selena. É uma pena que não tenha dado certo. Mas estamos em uma situação complicada. Não poderei me aposentar enquanto não houver alguém apto a assumir a empresa. — O Salvatore está fora de questão. Nenhum dos sócios concorda, e eles têm razão. Sal não tem inteligência emocional para lidar com a empresa — completa Marco, com firmeza.
— Pai, você disse que precisava descansar, que estava se sentindo cansado — responde Dante.
— Sim, eu estou. Mas há pessoas naquela empresa que dependem dela. Não posso arriscar perder tudo. Isso não é sobre dinheiro, é uma questão de valores… de caráter! — Marco faz uma pausa e encara o filho. — Vou lhe dar mais uma chance para assumir essa empresa. Estou lhe propondo que tente algo com a Giulia, filha do Arthuro. Ela vem de uma família nobre, tem os mesmos interesses que você… e vocês já se conhecem desde crianças.
— Pera aí, pai — diz Dante, confuso. — Você quer mesmo que eu me case com a Giulia?
— Sim. Essa é a sua última chance. Não temos tempo, Dante! Você é livre para escolher, mas se quiser assumir a empresa agora, terá que fazer esse sacrifício. Posso marcar um almoço amanhã com ela, ou um encontro entre vocês dois, pra ver se dá certo. Arthuro me contou que ela está solteira, vai assumir a empresa do pai futuramente e pretende se casar, ter filhos… Mas não é uma mulher fácil, é determinada e não quer qualquer um
— Não sei, pai. Eu… não sei se isso vai dar certo — responde Dante, inseguro com a proposta.
— Entendo, filho. Isso é algo que só você pode decidir. Mas é a única opção que temos — finaliza Marco.
A conversa entre Dante e o pai trará mudanças que não agradarão nem um pouco os envolvidos nessa história. Caterina, corre para ligar para Salvatore, informando que Dante não namora mais Selena e que provavelmente não irão se casar. A empresa está livre — e ele agora tem mais chance de assumir.
Salvatore fica feliz com a notícia, abrindo uma garrafa de vinho para comemorar com a esposa. Para ele, Dante sempre foi fraco e insuficiente, e queria que continuasse assim para poder brilhar. Mas o que nem Caterina nem Salvatore imaginam é que agora há outra dama na jogada: Giulia Borghese, filha de Arthuro Borghese, um dos nomes mais antigos e respeitados da Itália — donos de grandes empresas, ricos há gerações.
Dante tenta dizer “não” ao pai, mas o desejo de assumir a empresa e ver Marco finalmente descansar fala mais alto. Ele não consegue negar.
— Eu aceito. Pode marcar o encontro para amanhã — diz, com a voz firme, mas o olhar perdido.
Marco sorri, satisfeito.
— Certo, filho. Sinto muito que tenha que ser desse jeito — diz, levantando-se e tocando o ombro de Dante.
O jovem permanece sentado, olhando para o reflexo no vidro da janela da sala, que dá de frente para o jardim. O peso da escolha começa a cair sobre ele — e o silêncio da casa parece gritar