POV Aurora – 15 anos Nunca fui boa em guardar segredos. Talvez porque minha vida inteira tenha sido construída sobre eles — silenciosos, sufocantes, perigosos. Mas naquela tarde, o silêncio da casa revelou mais do que devia. Eu estava na cozinha, o sol entrando fraco pela janela, tentando terminar uma redação sobre “confiança”. Ironia. Enquanto escrevia sobre a importância da verdade, a voz dos meus pais atravessou o corredor como uma faca. — Dívida... não podemos mais esperar... ele quer a garantia... — disse meu pai, em tom rouco, baixo. E então, uma palavra que não devia existir na boca de um homem comum: — Máfia. Meu corpo travou. A caneta escorregou dos dedos e caiu no chão, fazendo um barulho pequeno demais pra importância do que eu tinha acabado de ouvir. Fiquei parada,

